O papa Leão XIV defendeu neste sábado (25), em encontro com representantes do Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, que estar com o povo é o melhor antídoto contra populismos e elitismos e alertou que a política não pode se basear no grito.
"O povo não é apenas um sujeito passivo, destinatário das propostas e decisões políticas. Ele é, antes de tudo, chamado a ser sujeito ativo, participante de toda ação política", declarou o pontífice em seu discurso.
"A presença no meio das pessoas e seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos que buscam apenas o consenso fácil e aos elitismos que tendem a agir sem apoio, duas tendências disseminadas no panorama político atual", salientou.
Durante a audiência, o Papa também afirmou que é preciso desconfiar das "ideologias", que "mistificam a realidade".
"Qualquer ideologia distorce as ideias e submete o homem ao seu próprio projeto, mortificando suas verdadeiras aspirações de liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social", acrescentou.
Citando o estadista italiano Alcide De Gasperi, um dos grandes responsáveis pelo processo de integração europeia no pós-guerra, Leão XIV declarou que a política deve "colocar a pessoa humana no centro". "Este é o horizonte dentro do qual ainda hoje se pode fazer política e ao qual é preciso reconduzir a atividade política", disse.
O pontífice também criticou o que definiu como uma "política frequentemente gritada, feita apenas de slogans e que é incapaz de responder às necessidades reais das pessoas".
Segundo Robert Prevost, é preciso "reconquistar" os cidadãos, garantir "condições dignas de trabalho diante de um mercado cada vez mais desumanizador e insatisfatório" e enfrentar os "grandes desafios de nossos dias de modo não ideológico". .