Ataques no Baluchistão, região paquistanesa marcada por conflito separatista, deixam quase 90 mortos

Onze civis e dez membros das forças de segurança foram mortos neste sábado (31) em ataques realizados por separatistas na província paquistanesa do Baluchistão, onde 67 rebeldes foram mortos em confrontos sucessivos com as forças paquistanesas.

31 jan 2026 - 12h19
(atualizado às 12h25)

Os ataques de sábado ocorreram um dia depois de o Exército paquistanês afirmar ter matado dezenas de rebeldes separatistas no Baluchistão, uma província pobre, próxima ao Irã e ao Afeganistão, frequentemente assolada por conflitos.

Membros das forças de segurança inspecionam o local da explosão após um ataque realizado por separatistas balúchis em Quetta, Paquistão, em 31 de janeiro de 2026.
Membros das forças de segurança inspecionam o local da explosão após um ataque realizado por separatistas balúchis em Quetta, Paquistão, em 31 de janeiro de 2026.
Foto: AFP - ADNAN AHMED / RFI

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, expressou seu apoio às Forças Armadas "em sua luta determinada para defender o país" e acusou a Índia de apoiar os separatistas.

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"Os terroristas... lançaram ataques coordenados esta manhã em mais de 12 locais", disse um alto funcionário da segurança à AFP, referindo-se aos separatistas.

"Dez membros das forças de segurança foram mortos e vários outros ficaram feridos", acrescentou o funcionário, falando sob condição de anonimato.

Os ataques também tiraram a vida de 11 civis, incluindo três mulheres e três crianças da mesma família, segundo a mesma fonte.

As forças paquistanesas relataram a morte de 67 rebeldes separatistas nos confrontos que se seguiram aos ataques.

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O Exército de Libertação do Baluchistão, o principal movimento separatista da província fronteiriça com o Irã e o Paquistão, reivindicou a autoria dos ataques em um comunicado.

O grupo afirmou ter atacado instalações militares e policiais, além de bloquear rodovias. Várias mulheres participaram dos ataques.

Em Quetta, a capital da província, um jornalista da AFP ouviu várias explosões. Um grande contingente de segurança foi mobilizado na cidade.

As ruas estavam desertas e o comércio, fechado. "Desde esta manhã, tem havido uma explosão atrás da outra", disse Abdul Wali, um morador de 38 anos. "A polícia está apontando suas armas e nos mandando voltar para casa", acrescentou o homem, que precisou atravessar a cidade para visitar a mãe hospitalizada.

Trens suspensos

Os serviços ferroviários foram suspensos nas áreas atingidas, e os serviços de telefonia móvel e o tráfego rodoviário estão interrompidos.

No distrito de Mastung, separatistas libertaram 30 prisioneiros, atacaram uma delegacia de polícia e apreenderam armas e munições, segundo um funcionário do governo. Um funcionário local também foi sequestrado no distrito de Nushki, de acordo com uma fonte oficial daquela região.

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Um alto funcionário militar em Islamabad confirmou os ataques "coordenados", mas afirmou que eles "fracassaram… graças a uma resposta eficaz das forças de segurança".

Durante décadas, os balúchis se sentiram em desvantagem em sua província: oficialmente, 70% dos habitantes são pobres, enquanto o subsolo é rico em minerais e hidrocarbonetos, explorados principalmente por empresas chinesas.

O ano de 2024 foi particularmente sangrento, com mais de 1.600 mortes, quase metade delas de soldados e policiais, segundo o Centro de Estudos e Pesquisa de Segurança de Islamabad.

Com AFP

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