Um ataque maciço com drones ucranianos na região de Moscou deixou três mortos e danificou parte de uma refinaria de petróleo, em meio ao último dia das eleições russas. A Rússia alegou ter abatido centenas de artefatos que miravam a capital, enquanto prédios residenciais foram atingidos e moradores evacuados. A ofensiva agrava a escassez de combustíveis no país e expõe a continuidade das agressões mútuas à infraestrutura energética, contrariando um suposto cessar-fogo anunciado pelos EUA.
O maior ataque ucraniano com drones registrado até agora na região de Moscou matou três pessoas e danificou parte de uma refinaria de petróleo na capital, informaram autoridades neste domingo, enquanto a Rússia realiza o último dia de eleições parlamentares.
Ucrânia e Rússia continuaram realizando ataques contra a infraestrutura energética uma da outra, apesar do anúncio feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na segunda-feira, de que os dois países haviam concordado em cessar esses ataques.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse em seu canal no Telegram que a Rússia abateu mais de 1.600 drones desde sábado, incluindo 450 que se dirigiam a Moscou.
"O ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de atrapalhar as eleições", afirmou ele. "O adversário não conseguiu atingir esse objetivo."
Vários drones chegaram às instalações da refinaria de petróleo e um atingiu um prédio de apartamentos, segundo ele.
Duas pessoas morreram nos ataques ocorridos de madrugada e uma terceira faleceu devido aos ferimentos mais tarde no hospital, informou o governador da região, Andrei Vorobyov, no Telegram.
Na vila de Sofyino, ao sul de Moscou, um corpo coberto por um cobertor manchado jazia em frente a um prédio de apartamentos danificado, cujas janelas superiores haviam sido arrancadas pela explosão.
"Os vidros voaram, as pessoas começaram a gritar e a berrar. Eu me virei e as portas de entrada já haviam sido arrancadas, havia destroços por toda parte", disse o morador Vitaliy, que revelou apenas seu primeiro nome.
Uma instalação da refinaria de Moscou foi danificada no ataque, disse o prefeito Sobyanin, sem dar mais detalhes, informou a agência de notícias Interfax.
Testemunhas da Reuters em Moscou ouviram explosões e viram nuvens de fumaça subindo do local da refinaria.
Os ataques ucranianos derrubaram uma parte significativa da capacidade de refino de petróleo da Rússia, provocando escassez de derivados de petróleo, aumentos nos preços dos combustíveis e longas filas nos postos de combustível em muitas regiões dos 11 fusos horários do país.
A usina de Moscou, que já foi alvo de ataques várias vezes, processou 11,6 milhões de toneladas de petróleo em 2024, produzindo 2,9 milhões de toneladas de gasolina e 3,2 milhões de toneladas de diesel, segundo os dados mais recentes disponíveis.
A Ucrânia não se pronunciou sobre os ataques. Ambos os lados afirmam que não têm como alvo civis.
Na região metropolitana de Moscou, 400 pessoas, incluindo 70 crianças, foram retiradas de um prédio residencial de 21 andares no distrito de Ramenskoye, e várias residências foram danificadas, disse o governador Vorobyov.