Vice-premiê da Itália é criticado após descrever perfil de 'esposa ideal' para filho

Meloni minimizou polêmica envolvendo Tajani neste domingo (20)

20 set 2026 - 11h38
(atualizado às 12h05)
Resumo
O vice-premiê italiano Antonio Tajani foi alvo de duras críticas da oposição após sugerir que o filho prefira como esposa uma mulher "menos chamativa" e focada na família, associando mulheres atraentes à infidelidade. Partidos adversários repudiaram a declaração, classificando-a como machista e retrógrada, típica dos anos 1950. Diante da polêmica, a primeira-ministra Giorgia Meloni minimizou o caso, afirmando que a fala foi apenas uma declaração infeliz e sem gravidade.

Declarações do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, sobre os critérios que seu filho deveria considerar ao escolher uma esposa provocaram críticas de partidos de oposição e repercussão nas redes sociais neste fim de semana.

Tajani deu declaração durante evento nos arredores de Roma
Tajani deu declaração durante evento nos arredores de Roma
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Durante participação no evento Itaca, realizado na última sexta-feira (18) em Formello, nos arredores de Roma, Tajani foi questionado, em tom hipotético, sobre o tipo de mulher que recomendaria ao filho para um casamento.

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Segundo o trecho que ganhou repercussão online, o líder do Força Itália (FI) afirmou que uma "mulher encantadora" poderia ser uma escolha, mas destacou que seria necessário avaliar seu caráter e seu histórico de relacionamentos.

Em seguida, apresentou como alternativa uma mulher "menos chamativa", mas que considerou mais confiável, séria e capaz de garantir estabilidade ao lar e à família.

Tajani também afirmou que uma mulher considerada mais atraente ou chamativa poderia eventualmente trair o marido, enquanto valorizou, em sua comparação, a fidelidade e o papel materno.

"Se eu fosse dar um conselho ao meu filho, que me pergunta: 'Com que tipo de garota devo me casar? Talvez uma encantadora?' Sim, claro, é bom casar com uma garota glamorosa. Mas como é o caráter dela? Não, sabe, ela já teve vários namorados, largou o namorado, foi embora, tem tendência a trair... E depois há uma garota que é menos chamativa, mas mais confiável, mais séria ? alguém que será uma boa mãe, que permanecerá fiel ao amor afirmado no casamento. Então, digo ao meu filho: escolha a segunda", disse Tajani.

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As declarações passaram inicialmente quase despercebida, mas pouco depois foram repercutidas nas redes sociais e criticadas pela oposição.

Em publicação nas redes sociais, o partido Italia Viva (IV) afirmou que as palavras de Tajani remetiam a uma visão de relacionamento associada aos anos 1950 e questionou sua adequação diante do compromisso político italiano de combater a violência contra as mulheres.

"Tajani sempre consegue nos surpreender, presenteando-nos com pérolas de sabedoria. [...] Uma declaração saída diretamente dos anos 1950, digna do pior tipo de patriarcado mediterrâneo à la Vannacci", ironizou a legenda.

A senadora Raffaella Paita, líder da bancada do IV no Senado, associou os comentários a um conhecido provérbio italiano sobre a diferença entre a mulher escolhida como amante e aquela escolhida como esposa: "Tenha uma mulher fogosa como amante, mas uma mulher que saiba cozinhar como esposa".

Ela também questionou o que Marina Berlusconi pensaria sobre as declarações "constrangedoras e retrógradas ditas pelo coordenador nacional do Força Itália".

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O líder do Italia Viva, Matteo Renzi, também criticou o ministro, enfatizando que os comentários evocariam uma imagem da mulher típica do século XIX.

Ele afirmou ainda que Tajani deveria concentrar sua atenção, como ministro das Relações Exteriores, em questões internacionais envolvendo os direitos das mulheres, citando a situação das mulheres no Afeganistão.

O Partido Democrático (PD) também reagiu. A senadora Valeria Valente classificou as declarações como uma reprodução de estereótipos e criticou a visão da mulher como "anjo do lar".

Para ela, os comentários foram inadequados para um ministro da República Italiana.

Por outro lado, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou neste domingo (20) que o episódio não deveria ser exagerado, porque, em sua avaliação, decorreu de uma fala equivocada.

"Foi simplesmente uma declaração que saiu de forma equivocada; eu não daria proporções exageradas ao assunto", disse ela.

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