"A marca de 1,5°C não representa, por si só, uma situação catastrófica. No entanto, sabemos que cada fração de grau importa, especialmente no agravamento de eventos meteorológicos extremos", afirmou Samantha Burgess, diretora de estratégia climática do Copernicus.
No âmbito europeu, 2025 também foi o mais quente, com temperaturas médias 1,17 °C acima do período de referência de 1991-2020. O ano de 2024, porém, segue como o mais quente já registrado no planeta.
Os governos do mundo inteiro concordaram, no Acordo de Paris de 2015, em tentar impedir que o aquecimento global ultrapasse 1,5°C — limite que ajudaria a evitar impactos climáticos mais severos. Contudo, climatologistas afirmam que o mundo provavelmente cruzará esse limite antes dos anos 2030, cerca de uma década antes do que se previa à época do Acordo de Paris.
"Vamos inevitavelmente ultrapassar esse limite", disse Carlo Buontempo, diretor do Copernicus. "A escolha que temos agora é decidir como lidar da melhor forma com esse excedente inevitável e com suas consequências para as sociedades e os ecossistemas", completa.
Reação política
Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o aquecimento global de longo prazo está atualmente em cerca de 1,4°C acima do nível pré‑industrial. No curto prazo, o limite de 1,5°C já foi ultrapassado em 2024.
Ultrapassar, mesmo que temporariamente, o limite de 1,5°C a longo prazo acarretaria impactos mais extremos e amplos, incluindo ondas de calor mais fortes e prolongadas, além de tempestades e inundações mais violentas.
Os incêndios florestais que atingiram a Europa no ano passado produziram as emissões totais mais elevadas já registradas, enquanto estudos científicos confirmaram que certos fenômenos meteorológicos — como furacões e chuvas de monções — estão sendo intensificados pelas mudanças climáticas.
Apesar desses impactos cada vez mais graves, a ciência do clima enfrenta uma oposição política crescente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chamou as mudanças climáticas de "a maior fraude do mundo", retirou os EUA de dezenas de organismos da ONU na semana passada, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o grupo de especialistas internacionais que produz periodicamente relatórios sobre o tema.
Cientistas ao redor do mundo concordam há décadas que as mudanças climáticas são reais e estão se agravando. Sua principal causa é a emissão de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
Com AFP