Venezuela exige na ONU a libertação imediata de Nicolás Maduro

A Venezuela pediu, na segunda-feira (23), à ONU, a libertação "imediata" do presidente deposto Nicolás Maduro. Enquanto isso, Caracas prometeu libertar presos políticos no âmbito de uma anistia decretada pela presidente interina, sob pressão de Washington.

23 fev 2026 - 17h09

Em discurso no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, pediu "a libertação imediata, pelo governo dos Estados Unidos, do presidente constitucional" da Venezuela.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, discursa em um evento em apoio à libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, em 16 de janeiro de 2026, em Caracas.
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, discursa em um evento em apoio à libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, em 16 de janeiro de 2026, em Caracas.
Foto: © Federico Parra / AFP / RFI

"O dia 3 de janeiro de 2026 marcou um ponto de virada de extrema gravidade. Uma ação militar ilegal contra o nosso país resultou na morte de mais de 100 pessoas e na prisão arbitrária" de Maduro e de sua esposa, acrescentou o ministro venezuelano.

Publicidade

O ex-presidente e a primeira-dama, Cília Flores, foram capturados em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Ambos aguardam julgamento por acusações de tráfico de drogas, em Nova York. Maduro se declarou "prisioneiro de guerra". Ele governou a Venezuela com mão de ferro de março de 2013 a janeiro de 2026. O país é atualmente presidido por Delcy Rodríguez, que era sua vice-presidente desde 2018.

Após assumir o poder, Rodríguez implementou mudanças sob pressão de Washington, incluindo a aprovação de uma lei de anistia para libertar presos políticos e a reforma do setor petrolífero, possibilitando sua exploração por empresas americanas.

Na segunda-feira, Rodríguez retirou Camilla Fabri, esposa de Alex Saab, aliado próximo de Maduro, do governo. Preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os Estados Unidos em 2021 sob acusações de desvio de ajuda alimentar e lavagem de dinheiro, Saab foi trocado, em 2023, por dez americanos detidos na Venezuela.

No início de fevereiro, veículos de comunicação relataram sua prisão a pedido do FBI, enquanto uma fonte próxima ao governo disse à AFP que Saab estava "em casa", sem fornecer mais detalhes.

Publicidade

Na segunda-feira, a Alta Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, anunciou que proporia à UE o levantamento das sanções contra Rodríguez. "Quanto a chegar a um consenso, veremos, ainda não sabemos", declarou a jornalistas em Bruxelas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve pedir, nesta semana, durante a cúpula do Caribe, uma posição comum sobre a Venezuela e sobre a continuidade da pressão sobre Cuba.

Libertação de presos políticos

A expectativa das famílias de presos políticos é que a lei de anistia promulgada pelo governo venezuelano na quinta-feira (19) liberte centenas de pessoas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez, informou que 1.500 solicitaram anistia.

A ONG venezuelana Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, informou que 65 pessoas foram libertadas nos últimos três dias (7 na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo), segundo um balanço divulgado na manhã de segunda-feira. "Continuamos investigando outros casos", afirmou um de seus diretores, Gonzalo Himiob.

A lei, contudo, foi considerada insuficiente por defensores de direitos humanos. Ela não abrange, por exemplo, casos relacionados a militares - muitos deles detidos na penitenciária Rodeo 1, onde cerca de 200 presos iniciaram uma greve de fome no fim de semana, segundo familiares.

Publicidade

A Cruz Vermelha teve acesso, no domingo, pela primeira vez, a várias prisões, incluindo Rodeo, para avaliar as condições dos detentos. Na segunda-feira, membros da organização retornaram ao local, indicando a possibilidade de novas libertações.

Jorge Rodríguez afirmou que aproximadamente 11.000 pessoas em liberdade condicional nos últimos 27 anos receberiam agora liberdade plena e definitiva. O governo, por sua vez, anunciou o início da transformação de El Helicoide - prisão que se tornou símbolo de tortura e detenção arbitrária na Venezuela. A presidente interina prometeu seu fechamento, mas o local ainda abriga detentos.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se