Com colaboração de Alice Campaignolle, correspondente da RFI em Caracas
Donald Trump anunciou na quinta-feira que a opositora venezuelana María Corina Machado estará em Washington na próxima semana e disse estar "ansioso" para encontrá-la. Isso ocorre no momento em que o presidente americano se reúne na sexta-feira com os líderes das grandes empresas petrolíferas americanas para tentar convencê-los a apoiar seus projetos na Venezuela, onde pretende impor uma tutela sobre o petróleo.
Os Estados Unidos poderão manter o controle sobre a Venezuela durante vários anos, afirmou o presidente americano em uma entrevista publicada pelo The New York Times. O presidente americano indicou que são esperadas "14 empresas e as pessoas mais importantes do setor petrolífero mundial", e garantiu que essas empresas iriam "gastar pelo menos US$ 100 bilhões" na Venezuela.
População venezuelana está otimista
Com as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela viveu, por muito tempo, uma indústria petrolífera próspera. "Eu me formei em 2000. Era outra época. Naquele tempo, o sonho americano era cursar algo que levasse à indústria do petróleo. Isso garantia estabilidade: casa, carro, uma vida resolvida", relembra Vanessa, engenheira química, à reportagem da RFI.
Mas, durante os anos 2000, a produção petrolífera entrou em colapso gradual. Quase não há mais empresas internacionais em solo venezuelano. O retorno delas, anunciado por Donald Trump, é uma oportunidade, segundo Vanessa, que se tornou professora. "Se meus alunos me fizessem essa pergunta no final de 2025, eu diria: 'há oportunidades no exterior'. Mas agora digo: 'ótimo, continue estudando, quando você se formar poderá começar como júnior em várias empresas'".
Andrea, também formada em engenharia química, já está se preparando: "É preciso tirar o pó dos cadernos e dos conhecimentos. Eu me formei em 2019 e nunca pude exercer a profissão. Trabalhei em vendas e marketing, enfim, nada a ver com a área." O mundo da indústria petrolífera venezuelana agora aguarda os anúncios de Washington.
Empresas americanas cautelosas com investimentos em petróleo
Donald Trump não esconde que gostaria que o barril de petróleo bruto voltasse a custar cerca de US$ 50, contra os atuais US$ 60. O presidente americano está, assim, fazendo um gesto em direção aos consumidores, pois um barril mais barato significa gasolina mais acessível nos postos de combustível dos Estados Unidos.
De acordo com a Agência Americana de Informação sobre Energia, os preços do petróleo estão caindo, mas isso está longe de ser uma boa notícia para os produtores americanos, cujas margens estão diminuindo, assim como os investimentos. Nos últimos meses, a Chevron anunciou que demitirá 8 mil funcionários até o final do ano. A ConocoPhillips, por sua vez, reduziu a sua folha de pagamento em 25%.
Nesse contexto, é difícil imaginar as grandes empresas americanas investindo dezenas de bilhões de dólares para reestruturar o setor na Venezuela. Segundo a consultoria Kepler, seria necessário investir cerca de US$ 12 bilhões por ano durante 5 a 10 anos para que Caracas recupere a sua posição de gigante na produção de petróleo.