Terceira onda de megaprotestos anti-Trump deve reunir 9 milhões nos EUA

De Nova York ao Alasca, milhões de norte-americanos são esperados neste sábado (28) em manifestações sem precedentes contra o presidente Donald Trump, na terceira mobilização nacional em menos de um ano convocada sob o lema "No Kings", que se consolidou como o principal movimento de contestação desde o retorno do republicano à Casa Branca. Segundo os organizadores, mais de 3.100 eventos foram registrados nos 50 estados, com expectativa de participação superior a 9 milhões de pessoas.

28 mar 2026 - 12h42
(atualizado às 12h54)

De Nova York ao Alasca, passando por grandes metrópoles como Chicago e Washington, além de subúrbios, áreas rurais e territórios como Porto Rico, milhões de norte-americanos são esperados nas ruas neste sábado em uma nova jornada de manifestações contra o presidente Donald Trump

Segundo os organizadores, mais de 3.100 eventos foram registrados nos 50 estados, com expectativa de participação superior a 9 milhões de pessoas. O objetivo declarado é ampliar ainda mais a escala das mobilizações anteriores, após a onda de protestos, em junho de 2025, ter reunido vários milhões de pessoas em todo o país no dia do aniversário de 79 anos de Trump e durante um desfile militar em Washington, e a segunda, em outubro, ter atraído cerca de sete milhões de participantes, segundo estimativas do próprio movimento.

Publicidade

A edição deste sábado ocorre em um contexto político marcado pela queda na popularidade do presidente, estimada em cerca de 40%, e pela proximidade das eleições de meio de mandato de novembro. Organizações envolvidas na convocação afirmam que a amplitude geográfica e social da mobilização é um dos principais sinais de sua expansão, com cerca de dois terços dos participantes esperados vindos de fora dos grandes centros urbanos e crescimento expressivo em estados de tendência conservadora e áreas rurais.

O congresso de Minnesota, em St. Paul, foi designado como evento principal nacional, em reconhecimento ao fato de que o estado se tornou um epicentro de resistência após ações federais ligadas à repressão migratória. Minneapolis e St. Paul devem concentrar o maior ato do país, com expectativa de até 100 mil pessoas na área do Capitólio, onde uma manifestação anterior já havia reunido cerca de 80 mil participantes.

Astros do rock e da política marcam presença

No evento central, estão previstas as presenças de figuras políticas e culturais como o senador Bernie Sanders, além da cantora Joan Baez, da atriz Jane Fonda e de outros ativistas, lideranças sindicais e autoridades eleitas. Também está programada uma apresentação de Bruce Springsteen, que deve interpretar "Streets of Minneapolis", música escrita em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti e em homenagem aos milhares de moradores do estado que participaram de protestos durante o inverno. A turnê "Land of Hope & Dreams American Tour", do músico, que também adota o tema "No Kings", tem início previsto para terça-feira em Minneapolis.

Organizadores locais afirmam que os habitantes do Minnesota "já provaram que estão prontos para defender a democracia a -20°C", sugerindo que a mobilização deste sábado será ainda maior. Paralelamente, outro evento virtual e acessível será realizado online pelo grupo Stand Up For Science para aqueles que não puderem comparecer presencialmente.

Publicidade

A coalizão "No Kings" afirma que as manifestações expressam uma reação a políticas que classifica como autoritárias, acusando o governo de promover uma "polícia secreta mascarada que semeia o terror nas comunidades", uma "guerra ilegal e catastrófica" que aumentaria os riscos e os gastos do país, além de ataques às liberdades civis, à liberdade de expressão e aos direitos das famílias. O movimento também critica o impacto econômico das políticas federais, afirmando que os custos estariam levando famílias ao limite.

"Como um tirano"

Em uma das declarações da organização, o presidente é acusado de tentar governar "como um rei" ou "como um tirano", com o uso de forças militarizadas em operações internas, separação de famílias e perseguição a comunidades de imigrantes. "Desde nossa última manifestação, este governo nos arrastou ainda mais para a guerra. Aqui dentro, vimos cidadãos mortos na rua por forças militarizadas, famílias separadas e comunidades de imigrantes atacadas", afirmou Naveed Shah, da organização de veteranos Common Defense.

O movimento afirma ainda que a atual fase representa a consolidação de uma "resistência nacional de longo prazo contra a tirania", surgida a partir de uma mobilização que começou em 2025 como um único dia de protesto e que agora se transformou em uma estrutura contínua, que os organizadores descrevem como mais ampla e mais forte do que nunca.

Protestos anti-Trump se espalham pelo mundo

Além dos Estados Unidos, manifestações também estão previstas em mais de uma dezena de países, incluindo na Europa, na América Latina e na Austrália. Em países com monarquias constitucionais, os atos são chamados de "No Tyrants" ("Sem Tiranos"). Em Paris, centenas de pessoas — em sua maioria norte-americanos residentes na França, acompanhados por sindicatos e organizações de direitos humanos — se reuniram na Praça da Bastilha, em um ato organizado sob o mesmo lema.

Publicidade

A organizadora do protesto em Paris, Ada Shen, afirmou:

"Protesto contra todas as guerras ilegais, imorais, imprudentes e intermináveis de Trump. Está claro que ele não tem realmente um plano. O abuso de poder é o objetivo. É evidente que ele é um homem forte que está abusando da autoridade concedida pelo povo norte-americano como presidente eleito."

Em Roma, milhares de pessoas também marcharam em protestos marcados por críticas à primeira-ministra Giorgia Meloni, cujo governo de direita enfrentou forte contestação após o fracasso recente de um referendo sobre a reforma do sistema judiciário. Manifestantes exibiram faixas contra ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, pedindo um "mundo livre de guerras".

Washington minimiza movimento

Nos Estados Unidos, a Casa Branca minimizou os protestos, classificando-os como produto de "redes de financiamento de esquerda" com baixo apoio popular. "As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia contra a 'Trump Derangement Syndrome' são os repórteres pagos para cobri-las", afirmou a porta-voz Abigail Jackson.

Em contraponto, os organizadores sustentam que o alcance do movimento ultrapassa divisões partidárias tradicionais. Segundo Leah Greenberg, codiretora do Indivisible, dois terços das confirmações de participação vêm de fora dos grandes centros urbanos, com forte adesão em estados como Idaho, Wyoming, Montana, Utah, Dakota do Sul e Louisiana, além de áreas suburbanas competitivas na Pensilvânia, Geórgia e Arizona. "A questão central não é apenas quantas pessoas protestam, mas onde isso está acontecendo", afirmou.

Outro organizador, Katie Bethell, do MoveOn, declarou:

"Milhões de nós estamos nos levantando de todas as origens, de comunidades rurais a grandes cidades no 'No Kings'. Vamos enviar a mensagem mais clara possível de que este país não pertence a reis, ditadores ou tiranos — ele pertence ao povo."

O senador Bernie Sanders também foi citado entre as figuras esperadas no ato de St. Paul, reforçando o caráter político da mobilização, que os organizadores descrevem como a maior já realizada pelo movimento até agora.

Publicidade

"Os Estados Unidos estão em um momento decisivo", avalia Randi Weingarten, presidente da Federação Americana de Professores. "É hora de o governo ouvir e ajudar as pessoas a construírem uma vida melhor, em vez de alimentar o ódio e o medo."

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações