Marcio Arruda, da RFI em Paris
Apesar de ter perdido a partida por 2 a 1, o treinador italiano da seleção confia no esquema de jogo com quatro atacantes e um meio de campo mais defensivo.
"Se tivermos de avaliar a seleção com quatro atacantes, a equipe teve um bom equilíbrio porque o Ederson fez apenas uma defesa difícil. A verdade é que tomamos gols em dois contra-ataques com pouca vigilância defensiva dos jogadores de trás. Na frente, o desempenho está muito bom porque o trabalho defensivo de todos foi satisfatório. E é por isso que eu falo do único chute perigoso que parou no Ederson. A equipe estava bem equilibrada", afirmou o treinador do Brasil.
Além de citar o sistema defensivo brasileiro, Ancelotti falou quantos zagueiros pretende convocar para a Copa.
"Os zagueiros estão mais ou menos definidos. Nesta data-Fifa, temos três zagueiros novos: Léo Pereira, Bremer e Ibañez. Vamos avaliar nem tanto a condição física, mas como eles se comportam com o grupo. É claro que todos os três têm qualidades para estar na Copa do Mundo. Para a Copa, vamos convocar quatro ou cinco zagueiros. Também vamos levar em conta que um desses zagueiros pode, em algum jogo, atuar como lateral-direito", revelou Ancelotti.
O técnico do Brasil demonstrou satisfação com o futebol que os atacantes Vini Jr. e Raphinha têm apresentado.
"Raphinha jogou bem, mas depois teve um problema no fim do primeiro tempo e tivemos de tirá-lo da partida. O Raphinha teve oportunidades e se movimentou bem sem a bola. O Vini é perigoso; ele pode não ter marcado, mas um atacante que sempre pode fazer gol. O trabalho feito pelos dois está muito bom", analisou o treinador italiano.
No entanto, quem tem feito um ótimo trabalho é a França. Antes do amistoso, o técnico Didier Deschamps elogiou a seleção brasileira. Mas quando o árbitro apitou o início da partida, a França mostrou que tem muita determinação e obediência tática, além de diversos jogadores de útima qualidade.
A vitória da atual vice-campeã mundial sobre o Brasil deixou a torcida e a imprensa francesas empolgadas. As opções ofensivas da França deixam os franceses sonhando com o tricampeonato em Copas.
Ekitiké, o carrasco francês da vez
Autor do segundo gol francês no amistoso, o atacante Hugo Ekitiké revelou ter se inspirado no camisa 10 e companheiro de seleção Kylian Mbappé.
"Construímos um bom contra-ataque onde o Olise se deu bem em cima do defensor. Ele teve qualidade para passar a bola para mim. Na hora não temos muito tempo para pensar, mas lembrei do primeiro gol do jogo, quando o Mbappé deu uma cavadinha. Então, eu tentei fazer o mesmo e funcionou", revelou.
Hugo Ekitiké entrou para a galeria de carrascos franceses da seleção brasileira, que inclui nomes de peso, como Zinedine Zidane, Michel Platini e Thierry Henry.
Esta vitória em 2026 colocou fim ao jejum francês de 15 anos sem vitória em jogos contra o Brasil.
"Tivemos o prazer de conquistar uma grande vitória neste clássico contra uma grande seleção. Sempre estive pronto para este tipo de jogo de futebol. É um confronto que eu assistia na infância e acho que todo mundo também assistia na televisão. Então, sou muito grato pelo que aconteceu e vou continuar trabalhando. Temos outra partida e o tempo passa muito rápido", declarou o francês Ekitiké, que atualmente defende as cores do Liverpool.
A seleção francesa vota a campo no domingo (29) em Landover para enfrentar a Colômbia também em jogo amistoso de preparação para a Copa.
Gosto amargo
O Brasil também tem outro jogo. A seleção volta a campo na terça-feira, dia 31 de março, desta vez na Flórida, para encarar a Croácia. A última vez que as duas equipes se enfrentaram, o resultado teve um gosto amargo para o Brasil. Na Copa de 2022, a seleção foi eliminada nos pênaltis para os croatas.
Porém, o histórico é favorável à equipe pentacampeã mundial. Foram cinco jogos até momento, sendo que o Brasil conquistou três vitórias e colecionou dois empates.
Autor do gol em cima dos croatas na última Copa, Neymar não foi convocado por Ancelotti. Questionado sobre a ausência do camisa 10 do Santos, o treinador não falou muito sobre o assunto e foi direto ao ponto.
"Agora temos de falar a respeito dos jogadores que estão aqui e que deram tudo em campo. Eles trabalham muito e estou bem satisfeito. Agora a gente vai se preparar para o próximo jogo contra a Croácia", disse o técnico sem mencionar qualquer jogador brasileiro.
Carlo Ancelotti acredita que o Brasil não é inferior a nenhuma seleção.
"Podemos competir contra as melhores equipes do mundo. E disso eu não tenho dúvida. Então, estou convencido que brigaremos na Copa do Mundo com toda a nossa energia."
Mais uma vez, Carlo Ancelotti deixou claro que ainda não definiu os 26 jogadores brasileiros que irão para a Copa do Mundo. A lista, que será divulgada no próximo dia 18 de maio, pode ter novidades.
"Novidades? Eu não sei. Temos de olhar para os próximos dois meses, quando as competições pelo mundo mostrarão os jogadores que podem estar com a seleção brasileira na Copa do Mundo. Há muita concorrência em todas as posições", afirmou o treinador italiano.
Antes de estrear no Mundial contra o Marrocos, no dia 13 de junho, a seleção disputará dois amistosos: o primeiro será no dia 31 de maio contra o Panamá, no Maracanã, principal estádio do Rio de Janeiro. O segundo está marcado para 6 de junho contra o Egito, em Cleveland, nos Estados Unidos.
A 23ª Copa do Mundo será disputada entre os dias 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, no México e no Canadá. O Brasil, maior vencedor em Copas com cinco títulos, vai em busca do hexacampeonato. Um sonho que os brasileiros perseguem desde 2006.