Tentativa de ataque em jantar com Trump em Washington; suspeito será ouvido pela Justiça

O atirador que tentou invadir um jantar de gala para a imprensa em Washington, com a presença de Donald Trump, parecia ter como alvo altos funcionários do governo americano, disse o procurador-geral neste domingo (26), enquanto o presidente dos EUA descreveu o agressor como "claramente muito perturbado". O suspeito é alvo de uma investigação conduzida pelo FBI e deverá comparecer ao tribunal nesta segunda‑feira (27).

26 abr 2026 - 15h27
(atualizado às 15h39)

O atirador "não está cooperando ativamente", mas os investigadores acreditam que ele viajou para Washington de trem, vindo de Los Angeles passando por Chicago, disse à CBS News o procurador-geral interino, Todd Blanche, que também estava presente no jantar.

Agentes do Serviço Secreto evacuaram Trump depois que o atirador abriu fogo. Ele foi detido antes que pudesse entrar na sala onde ocorria o jantar anual, que reunia 2.600 pessoas da elite política e midiática de Washington. Este evento de gala acontece a cada primavera. Donald Trump, que ataca implacavelmente a imprensa, estava participando pela primeira vez como presidente. Ele garantiu aos participantes que o encontro seria remarcado.

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De acordo com a polícia, o suspeito portava duas armas de fogo e várias facas, e houve troca de tiros. Um policial foi baleado, mas estava protegido por seu colete à prova de balas. O agressor não ficou ferido.

Na Califórnia, agentes do FBI foram vistos neste domingo batendo à porta de vizinhos de uma residência associada ao suspeito do ataque em Torrance, nos subúrbios a sudoeste de Los Angeles. 

O que sabe sobre o suspeito

Segundo a mídia americana, o suspeito é Cole Tomas Allen, de 31 anos, de Torrance, Califórnia. O suposto atirador comparecerá ao tribunal nesta segunda-feira. Ele será acusado de dois crimes: o primeiro, por usar uma arma de fogo durante um crime violento, e o segundo, por agredir um agente federal com uma arma perigosa.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas por Donald Trump na rede Truth Social mostram uma pessoa passando apressadamente pelo detector de metais na entrada do local onde o jantar estava sendo realizado, e vários policiais sacando suas armas.

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Um perfil no LinkedIn com o nome "Cole Allen" exibe a foto de um homem que parecia corresponder à imagem compartilhada por Trump. Nesse perfil, Allen se descreve como "engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, desenvolvedor de jogos independente por experiência, professor por vocação".

Agentes do FBI batem à porta de vizinhos de uma casa associada ao suspeito do ataque ao Jantar dos Correspondentes da Casa Branca em Torrance, Califórnia, em 26 de abril de 2026.
Agentes do FBI batem à porta de vizinhos de uma casa associada ao suspeito do ataque ao Jantar dos Correspondentes da Casa Branca em Torrance, Califórnia, em 26 de abril de 2026.
Foto: RFI

Donald Trump "aliviado"

"Esta não é a primeira vez nos últimos anos que nossa República é atacada por um aspirante a assassino que buscava matar", reagiu Donald Trump, ainda de smoking, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, cerca de duas horas após o atentado. Ele então sugeriu, referindo-se ao assassinato de Abraham Lincoln em 1865, que o agressor poderia tê-lo escolhido como alvo por estar insatisfeito com suas políticas.

Os presidentes "que têm o maior impacto" são "os que são alvos", disse Trump.

Donald Trump foi alvo de uma tentativa de assassinato em julho de 2024, em um comício de campanha, no qual foi ferido na orelha, e novamente alguns meses depois, em seu campo de golfe na Flórida. O presidente americano descreveu o agressor de sábado, cuja identidade não foi oficialmente divulgada, como um "lobo solitário".

Falando no domingo à Fox News, ele indicou que o suspeito havia escrito um manifesto "muito anticristão". "Quando você lê o manifesto dele, percebe que ele odeia cristãos, não há dúvida", afirmou, descrevendo-o como "claramente muito perturbado".

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Reações de líderes mundiais surgiram em grande número, todos expressando choque e oferecendo apoio ao presidente dos EUA.

O Hotel Washington Hilton, onde o jantar estava acontecendo, não é "um prédio particularmente seguro", criticou Donald Trump. O incidente justifica a construção em andamento de um grande salão de baile na Casa Branca, declarou no Truth Social, neste domingo. Foi em frente a esse hotel que o presidente Ronald Reagan foi baleado em 1981, durante uma tentativa de assassinato.

Visita de Charles III confirmada

A visita de Estado do rei Charles III do Reino Unido aos Estados Unidos será mantida conforme o planejado, informou o Palácio de Buckingham neste domingo, após o tiroteio registrado durante um evento de gala da imprensa em Washington.

O incidente ocorreu no fim da noite de sábado, menos de 48 horas antes de Charles III e da rainha Camilla iniciarem uma visita de Estado de quatro dias aos EUA.

Com AFP

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