Cinco vítimas eram menores de idade. Imagens da AFP mostram pessoas ao redor dos corpos das vítimas, veículos destruídos e buracos em uma estrada do departamento de Cauca, onde ocorreu a explosão.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, testemunhas relatam terem sido lançadas por vários metros pela força do impacto. "Estávamos esperando a liberação para avançar e essa bomba explodiu bem ali", contou à AFP Francisco Javier Betancourt, agricultor de café e testemunha do atentado. "Fiquei assustado [...] olhe até onde chegou este país", acrescentou.
A Colômbia enfrenta uma série de atentados nas últimas semanas. "Os que atentaram e mataram [...] são terroristas, fascistas e narcotraficantes", escreveu o presidente Gustavo Petro na rede social X. "Quero os melhores soldados para enfrentá-los", salientou.
Sucessor de Pablo Escobar
O presidente de esquerda apontou como responsável Iván Mordisco, o criminoso mais procurado do país, a quem compara com o traficante Pablo Escobar. Após chegar ao poder em 2022, Petro tentou, sem sucesso, negociar a paz com as principais organizações armadas, que fortaleceram suas atividades nos últimos anos.
Na sexta-feira, um atentado contra uma base militar em Cali, a terceira maior cidade do país, deixou dois feridos e deu início a uma série de ataques nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca. Nos últimos dois dias, foram registrados 26 ataques nessa região, segundo Hugo López, comandante das forças militares.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, sobrevoou a área do atentado neste sábado e assegurou que a presença militar e policial foi reforçada para fazer frente aos ataques.
Segurança está no foco da campanha
A ofensiva aumenta o clima de tensão enquanto se aproxima a eleição presidencial, em 31 de maio, na qual a segurança é um dos temas centrais, especialmente após o assassinato do pré-candidato de direita Miguel Uribe, baleado durante um comício em junho de 2025.
O herdeiro político do presidente Gustavo Petro, senador Iván Cepeda, é o favorito para o pleito, seguido pelos conservadores de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, segundo as pesquisas. Os três denunciaram que receberam ameaças de morte e contam com fortes esquemas de segurança.
De la Espriella e Paloma Valencia criticam a política de paz de Petro e prometem linha dura contra os rebeldes. Na Colômbia, é comum que os grupos armados, que se financiam com atividades ilícitas como o narcotráfico, o garimpo ilegal e a extorsão, tentem exercer uma pressão violenta sobre o pleito presidencial.
Com AFP