Disputa na Justiça entre Musk e Altman expõe a luta pelo controle da IA

O duelo judicial entre Elon Musk, dono do X, e Sam Altman, da OpenAI começa nesta segunda-feira (27) nos Estados Unidos. No centro do processo está a gênese da empresa de inteligência artificial OpenAI, criadora do ChatGPT. A imprensa francesa avalia que a disputa entre os dois bilionários expões a luta pelo controle da IA.

27 abr 2026 - 10h06
(atualizado às 11h15)

Elon Musk acusa Altman de ter traído a missão original da empresa. Ele investiu US$ 38 milhões na OpenAI, criada em 2015 como uma fundação para desenvolver a inteligência artificial como um bem da humanidade e sem fins lucrativos.

Destaque na imprensa francesa desta segunda-feira, 27 para o processo Altman-Musk sobre o controle da Inteligência Artificial, que começa nesta segunda-feira, na Califórnia.
Destaque na imprensa francesa desta segunda-feira, 27 para o processo Altman-Musk sobre o controle da Inteligência Artificial, que começa nesta segunda-feira, na Califórnia.
Foto: AFP - JOHN MACDOUGALL,SAUL LOEB / RFI

Hoje, a OpenAI, criadora do ChatGPT, é uma gigante comercial, apoiada pela Microsoft, avaliada em US$ 852 bilhões e prestes a entrar na bolsa de valores. Musk pede na justiça que a OpenAI volte a ser uma fundação, que Altman seja afastado do cargo e que os laços com a Microsoft sejam rompidos.

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A OpenAI rebate, afirmando que o dono do X sabia da virada comercial e que o processo é uma manobra para favorecer sua própria empresa, a xAI.

A "guerra dos milionários" está estampada na capa do Libération. O julgamento, que vai durar quatro semanas, promete ser uma batalha de pôquer, cheia de golpes baixos e sem piedade, entre os barões da inteligência artificial. O jornal promete cobrir todo o julgamento em um tribunal de Oakland, na Califórnia, e revelar os bastidores desse processo inédito para a inteligência artificial entre dois ex-parceiros que se tornaram inimigos.

"Sam Altman realmente enganou Elon Musk sobre a natureza não lucrativa da OpenAI?", questiona a matéria.

Guerra de egos

Para Libération, o processo entre Elon Musk e Sam Altman é "menos uma cruzada moral e mais uma guerra de egos, poder, dinheiro e vingança". Nenhum dos lados deve sair ileso dessa exposição da hipocrisia do Vale do Silício.

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Musk é retratado como vingativo, estrategista e oportunista, que se apresenta como "salvador da humanidade", mas age para frear concorrentes e favorecer sua própria IA, a xAI, e seu chatbot Grok, enquanto tenta blindar sua vida privada.

Altman, por sua vez, aparece como um dirigente acusado repetidamente de ambiguidades, promessas contraditórias e gestão tóxica, usando o discurso ético como fachada para uma virada fortemente lucrativa da OpenAI.

Musk, que chegou a pedir US$ 134 bilhões em indenização, quer a revisão dos estatutos da OpenAI e a demissão de Altman, informa o Les Echos. O jornal econômico acredita que o julgamento será um espetáculo, cheio de suspense. O processo começa poucos meses após uma primeira negociação entre os dois bilionários, que abriu caminho para a entrada de capital da OpenAI na Bolsa.

Interesse público será o grande perdedor

Libération insiste que, independentemente do resultado, o verdadeiro perdedor pode ser o interesse público. O processo revela como a IA está hoje nas mãos de elites bilionárias, guiadas por rivalidades pessoais e interesses financeiros, e não por um projeto coletivo. Para o jornal, o tribunal não decidirá apenas um litígio empresarial, mas qual visão de futuro da inteligência artificial será a menos nociva para a sociedade.

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Le Monde concorda e acrescenta que o que está em jogo nessa batalha entre os "enfants terribles" da IA é o controle e a regulamentação da inteligência artificial.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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