'É hora de dar um basta às ordens de Washington', diz presidente interina da Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou no domingo (26), em Anzoátegui, estado do leste venezuelano, que já "basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela". Ainda segundo Rodríguez, "a política venezuelana deve ser a única a resolver divergências e conflitos internos". A presidente interina considerou ainda que "custou muito caro ao país enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo", após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos EUA.

26 jan 2026 - 07h58

Rodríguez, que ocupava o cargo de vice-presidente durante o governo Maduro, assumiu o poder temporariamente e enfrenta uma situação política delicada, enquanto administra negociações sob pressão do governo de Donald Trump, que manteve contatos sobre acordos energéticos e liberou detidos por motivos políticos.

Mais de 100 presos políticos foram libertados neste domingo, de acordo com a Ong Foro Penal, embora organizações de direitos humanos denunciem lentidão no processo. Desde dezembro, o governo contabiliza 626 excarcerados [termo jurídico que designa pessoas que estavam presas e foram liberadas], número que Rodríguez pretende submeter à verificação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

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A Ong Foro Penal aponta 375 excarcerados desde dezembro, mostrando divergências nos dados oficiais.

Segundo Alfredo Romero, diretor da Foro Penal, "identificamos 104 excarcerados hoje. Continuamos checando outras libertações". Mais cedo, Romero havia relatado ao menos 80. Familiares aguardam do lado de fora das prisões, passando a noite à espera de seus entes queridos.

Apelo à paz e ao diálogo

A libertação de presos ocorre após Rodríguez convocar a oposição a negociar acordos para a paz, destacando que "não pode haver diferenças políticas ou partidárias quando se trata da paz da Venezuela". A presidente interina discursou no estado de La Guaira, afirmando: "A partir das diferenças, temos que nos encontrar e alcançar acordos".

O país vive sob controle estatal rígido. Protestos contra a reeleição contestada de Maduro em 2024 resultaram na prisão de mais de 2.000 pessoas em 48 horas, além de vigorar um estado de exceção que pune com prisão quem apoie ações militares estrangeiras.

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Entre os excarcerados mais recentes estão Rafael Tudares, genro de Edmundo González Urrutia, preso por mais de um ano por acusações de terrorismo; Enrique Márquez, ex-candidato presidencial; Rocío San Miguel, especialista em temas militares e ativista de direitos humanos; e Roland Carreño, jornalista e ativista.

Ainda permanecem detidos opositores como Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina Machado, acusado de envolvimento em suposta conspiração contra eleições de governadores e deputados em 2025; Javier Tarazona, preso desde 2021 por terrorismo, traição e incitação ao ódio; e Freddy Superlano, detido em julho de 2024 durante protestos contra a reeleição de Maduro.

Enquanto isso, os Estados Unidos afirmam dirigir a Venezuela pós-Maduro, controlando inclusive as vendas de petróleo do país e estudando a reabertura gradual da embaixada em Caracas. Recentemente, Washington nomeou uma nova chefe para sua missão diplomática no país.

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