Por Raphaël Morán, da RFI em Paris
O desaparecimento do Cerros de la Plaza não foi repentino. A transformação progressiva começou no século XIX, quando a geleira tinha cerca de 5,5 km². Com o aquecimento global, o processo se acelerou a partir da década de 1980. Em 2016, sua área havia se reduzido para apenas 0,15 km², sinalizando seu desaparecimento iminente.
Essa extinção reflete o risco enfrentado por essas massas de gelo andinas. A RFI conversou com o glaciologista colombiano Jorge Luis Ceballos, que monitora as geleiras do país.
"O que as geleiras estão nos dizendo é que esse clima não é feito para nós", adverte.
Ceballos observa há vários anos o fenômeno. Ele se transformou em uma espécie de mensageiro das geleiras tropicais, localizadas principalmente na América do Sul e particularmente frágeis diante das mudanças climáticas.
O aumento das temperaturas, ligado às mudanças climáticas provocadas pelas emissões de CO₂ das atividades humanas, e a diminuição das chuvas foram os principais fatores que levaram ao desaparecimento da Cerros de la Plaza, particularmente vulnerável por estar situada pouco acima dos 5 mil metros de altitude.
Mas o aquecimento global não representam a única ameaça. Segundo o glaciologista, outros fatores também explicam o desaparecimento.
"Nossas geleiras tropicais são particulares, pois são submetidas a fortes níveis de radiação solar ao longo de todo o ano", explica o cientista do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam).
Alerta
Para Jorge Luis Ceballos, o desaparecimento progressivo das geleiras colombianas deve servir de alerta, já que a de Cerros de la Plaza não é a primeira.
"No século XX, por exemplo, oito geleiras de baixa altitude desapareceram na Colômbia. Hoje, restam apenas seis em todo o país", salienta. "Essas geleiras tropicais equatoriais que não superam os 5 mil metros de altitude estão condenadas a desaparecer no curto prazo", afirma.
Menos geleiras significa, consequentemente, menos água disponível para a agricultura, para a fauna e a flora, além de maiores riscos de secas. O glaciologista ressalta a necessidade de fortalecer as políticas de conservação diante deste cenário.
O derretimento das geleiras andinas reflete uma tendência mundial. Segundo um estudo publicado na revista Nature Climate Change em 2025, com um aumento de 1,5 grau na temperatura média global, metade das geleiras do mundo desaparecerá até o fim do século. Esse limite de aquecimento muito provavelmente será superado caso não haja uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa.