Bióloga que pesquisa participação de fungos no equilíbrio do clima ganha 'Nobel do meio ambiente'

O Prêmio Tyler de Conquistas Ambientais de 2026 (Tyler Prize) foi concedido nesta quarta-feira (14) à bióloga americana Toby Kiers por seu trabalho que estuda as redes de fungos e sua participação, entre outras coisas, no equilíbrio do clima na Terra. O Tyler, também chamado de "Nobel do meio ambiente", é um prêmio anual para ciência, saúde ambiental e energia.

14 jan 2026 - 11h22

Kiers estudou a vasta rede de fungos que vivem sob a superfície de florestas, pastagens e fazendas em todo o mundo, formando sistemas subterrâneos de troca que transferem nutrientes para as raízes das plantas, atuando como reguladores climáticos essenciais. As plantas enviam seu excesso de carbono para o subsolo, onde os fungos micorrízicos absorvem 13,12 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, cerca de um terço das emissões totais provenientes de combustíveis fósseis.

A bióloga evolucionista americana Toby Kiers recebeu o Prêmio Tyler, chamado de "Prêmio Nobel do Meio Ambiente", por seu trabalho para elucidar o mundo subterrâneo das redes fúngicas.
A bióloga evolucionista americana Toby Kiers recebeu o Prêmio Tyler, chamado de "Prêmio Nobel do Meio Ambiente", por seu trabalho para elucidar o mundo subterrâneo das redes fúngicas.
Foto: AFP - SETH CARNILL / RFI

No entanto, até recentemente, essas "redes micorrízicas" (associação entre fungos e raízes) eram amplamente subestimadas, consideradas meras companheiras úteis para as plantas, em vez de um dos sistemas vitais de circulação da Terra.

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Ao mapear a distribuição global de fungos micorrízicos em um atlas lançado no ano passado, a bióloga e seus colegas ajudaram a elucidar a biodiversidade subterrânea, um conhecimento que pode orientar os esforços para proteger esses vastos reservatórios de carbono.

Uma galáxia em um saco de terra

"Eu só consigo pensar em todas as maneiras pelas quais a terra é usada de forma negativa", disse a bióloga de 49 anos, atualmente professora titular da Universidade Livre de Amsterdã. "Enquanto um saco de terra contém uma galáxia", entusiasma-se a pesquisadora.

Toby Kiers começou a estudar fungos aos 19 anos, depois de escrever uma proposta de financiamento que a levou a participar de uma expedição científica às florestas tropicais do Panamá.

"Foi assim que comecei a me perguntar o que acontecia sob aquelas árvores gigantescas naquela selva incrivelmente diversa", explica a vencedora do prêmio, concedido pela Universidade do Sul da Califórnia (USC) em Los Angeles, no valor de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão).

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Análises globais recentes, das quais ela participou, revelaram um resultado alarmante: a maioria dos pontos de concentração de diversidade fúngica subterrânea está localizada fora de áreas ecologicamente protegidas.

"A vida como a conhecemos existe graças aos fungos", argumenta ela, explicando que os ancestrais das plantas terrestres modernas não possuíam raízes complexas e que a parceria com os fungos permitiu que eles colonizassem ambientes terrestres.

Criado pelo casal de mecenas americanos John e Alice Tyler em 1973, o Prêmio Tyler é atualmente administrado pela Universidade do Sul da Califórnia. Em 2025, o antropólogo brasileiro Eduardo Bronzidio ganhou o prêmio por seu trabalho sobre as interações entre os humanos e o ambiente na Amazônia.

RFI e AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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