Acordo entre El Salvador e EUA põe fim à prisão de dezenas de venezuelanos

Dezenas de migrantes venezuelanos, detidos em uma prisão de segurança máxima em El Salvador, foram libertados na sexta-feira (18), encerrando uma detenção sem julgamento que vinha sendo alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A liberação faz parte de um acordo diplomático envolvendo os governos de Caracas e Washington, que também resultou na libertação de cidadãos norte-americanos presos na Venezuela.

19 jul 2025 - 10h08

Dezenas de migrantes venezuelanos, detidos em uma prisão de segurança máxima em El Salvador, foram libertados na sexta-feira (18), encerrando uma detenção sem julgamento que vinha sendo alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A liberação faz parte de um acordo diplomático envolvendo os governos de Caracas e Washington, que também resultou na libertação de cidadãos norte-americanos presos na Venezuela.

Na foto divulgada pela presidência de El Salvador, migrantes venezuelanos presos no país aparecem sentados em um ônibus antes de embarcarem em um avião com destino à Venezuela, no Aeroporto Internacional San Oscar Romero, em San Luis Talpa, El Salvador, no dia 18 de julho de 2025.
Na foto divulgada pela presidência de El Salvador, migrantes venezuelanos presos no país aparecem sentados em um ônibus antes de embarcarem em um avião com destino à Venezuela, no Aeroporto Internacional San Oscar Romero, em San Luis Talpa, El Salvador, no dia 18 de julho de 2025.
Foto: AFP - KEVIN COREAS / RFI

Dois voos transportando os venezuelanos aterrissaram no aeroporto de Caracas na noite de sexta-feira. Entre os passageiros, muitos celebraram com gestos de vitória, enquanto alguns demonstraram emoção ao retornar ao país.

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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, comemorou a liberdade dos compatriotas após meses de incertezas sobre o destino dos 252 venezuelanos deportados dos Estados Unidos em março e encarcerados no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador — uma prisão originalmente destinada a membros de gangues.

Segundo familiares, o sofrimento dos detidos foi grande. "Meu irmão está finalmente em casa, na Venezuela. Estou muito feliz", afirmou Juan Yamarte, que acompanhou a chegada dos libertados. Erkia Palencia, mãe de outro ex-detento, declarou: "Agradeço a todos que nos ajudaram. Não há como descrever a alegria que sentimos".

Acusação sem provas ou julgamento

O presidente salvadorenho Nayib Bukele confirmou em rede social que todos os venezuelanos detidos no país, acusados de pertencer à organização criminosa "Tren de Aragua", foram entregues ao governo venezuelano. A acusação, feita sem provas ou julgamento, sempre foi negada com veemência pelas famílias.

O governo norte-americano, por sua vez, baseou-se em uma antiga lei contra "inimigos estrangeiros" para expulsar os migrantes. Em comunicado, Maduro agradeceu a Donald Trump pela "decisão de corrigir uma situação irregular".

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O acordo bilateral também contemplou a troca de prisioneiros: em contrapartida à libertação dos venezuelanos, dez norte-americanos detidos na Venezuela e um número não revelado de presos políticos venezuelanos foram soltos. Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, agradeceu a Bukele pelo papel na negociação.

Além da libertação, o governo venezuelano adotou medidas alternativas para venezuelanos detidos por crimes comuns, evitando novas prisões.

A operação também envolveu o retorno de sete crianças "salvas de situações de sequestro", segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello. Elas fazem parte do grupo de menores separados de suas famílias durante o processo de deportação.

O Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), construído por Bukele em sua luta contra as gangues, recebeu apoio financeiro dos Estados Unidos para manter os venezuelanos detidos. A prática foi denunciada repetidas vezes por organizações de direitos humanos, que apontam violações no tratamento dos presos, proibidos de receber visitas ou fazer ligações.

Desde fevereiro, mais de 8.200 venezuelanos foram repatriados de países como Estados Unidos e México, entre eles cerca de mil crianças.

(Com AFP)

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