Surto de ebola pode custar bilhões de dólares e milhares de empregos à África, alerta ONU

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ameaça dezenas de milhares de empregos e pode custar à África até US$ 3,6 bilhões (R$ 18,6 bilhões), alertou a ONU nesta quarta-feira (1º). O surto da doença foi declarado em meados de maio e já se arrasta por quase dois meses.

1 jul 2026 - 12h48

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirmou que a epidemia está "desencadeando uma profunda crise socioeconômica que pode empurrar mais 985 mil pessoas para a pobreza".

Quenianos protestam contra um centro de quarentena para o ebola em seu país, reservado a cidadãos norte-americanos. (Imagem ilustrativa)
Quenianos protestam contra um centro de quarentena para o ebola em seu país, reservado a cidadãos norte-americanos. (Imagem ilustrativa)
Foto: © Luis TATO / AFP / RFI

"A crise também corre o risco de eliminar dezenas de milhares de empregos, interromper serviços de educação e saúde e custar às economias africanas até US$ 3,6 bilhões, caso os impactos regionais e globais mais amplos se intensifiquem", afirmou o PNUD.

Publicidade

A expansão da pobreza — que pode afetar de forma desproporcional as mulheres — teria forte impacto na República Democrática do Congo (RDC) e em países vizinhos, especialmente Uganda, Ruanda e Sudão do Sul, que enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo.

"Embora a ameaça imediata à saúde pública seja grave e exija medidas de contenção, como quarentenas, algumas restrições a viagens e ao comércio estão devastando as economias locais e os meios de subsistência de trabalhadores informais", advertiu a agência.

"Ebola não para na porta do hospital"

Na RDC, foram confirmados até o momento 1.333 casos e 399 mortes, enquanto 189 pessoas se recuperaram da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O ebola não para na porta do hospital", declarou Ahunna Eziakonwa, diretora regional do PNUD para a África.

Publicidade

"Ele afeta os meios de subsistência, a educação, a segurança alimentar, o comércio, as finanças públicas e a confiança. Se tratarmos esse surto apenas como um desafio de saúde, corremos o risco de ignorar a emergência de desenvolvimento muito maior que se desenrola ao seu redor", acrescentou.

O PNUD ressaltou que, mesmo em um cenário em que o vírus seja contido com sucesso na República Democrática do Congo e em Uganda — país que registrou 20 casos confirmados —, os danos econômicos seriam "graves".

Segundo a agência, a RDC poderá registrar "perdas de PIB real superiores a US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) e a eliminação de 55 mil postos de trabalho".

O PNUD recomenda transferências diretas de renda às populações mais vulneráveis, a substituição dos fechamentos de fronteiras por controles seletivos e a criação de mecanismos emergenciais de financiamento para garantir a continuidade dos serviços de saúde materna, reprodutiva e infantil durante a crise.

Publicidade

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações