O diretor-geral da OMS está na RDC desde quinta-feira para coordenar a resposta de combate à doença. Segundo as autoridades congolesas, 1.028 casos suspeitos foram registrados até sexta-feira (29).
Tedros Adhanom Ghebreyesus convidou a população a desempenhar um papel central na luta contra a epidemia após sua chegada a Bunia.
"As comunidades compreendem melhor os problemas e também conhecem a solução", declarou.
Ele garantiu que a comunidade internacional está envolvida, em parceria com o governo da RDC, mas reiterou que o envolvimento da comunidade local também é importante. "É por isso que estamos aqui, para dialogar com a comunidade, avaliar a resposta implementada e, se necessário, oferecer nosso apoio", afirmou.
Pedido de maior apoio internacional
Na quinta-feira, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu maior apoio internacional no combate ao Ebola. De acordo com ele, a OMS recebeu até agora apenas um terço dos recursos necessários.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou neste sábado que essa nova epidemia de Ebola, a 17ª desde 1976, está se espalhando a um ritmo sem precedentes.
"Nunca uma epidemia da doença Ebola registrou tantos casos nos primeiros dias após sua declaração", alertou, em comunicado, Alan Gonzalez, diretor adjunto de operações da MSF.
O número de organizações médicas especializadas atuando em campo para enfrentar o surto, assim como o nível de apoio fornecido para combatê-lo, ainda está muito abaixo do necessário, acrescentou Alan Gonzalez.
Epidemia declarada em 15 de maio
A RDC, um dos países mais pobres do mundo, declarou, em 15 de maio, a nova epidemia que atinge seu vasto território de mais de 100 milhões de habitantes. A OMS emitiu um alerta sanitário internacional.
O vírus responsável pela doença Ebola, que provoca uma febre hemorrágica extremamente contagiosa, já foi detectado em três províncias congolesas. O vizinho Uganda também é afetado. Dois novos casos foram confirmados na sexta-feira pelas autoridades ugandenses, elevando para nove o número de casos confirmados nesse país da África Oriental.
Na RDC, foram registrados 246 óbitos entre mais de 1.000 casos suspeitos, segundo um balanço do Africa CDC, a agência de saúde da União Africana.
"Mesmo que a situação seja complexa, acredito que podemos conter isso", assegurou Tedros na quinta-feira.
Primeira cura
Na sexta-feira, a OMS confirmou que "um paciente se recuperou, deixou o hospital" na quarta-feira na RDC e pôde retornar à sua comunidade.
"Devemos relativizar os alarmes excessivos", afirmou, na noite de quinta-feira, o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, durante coletiva de imprensa em Bunia. Apesar da percepção internacional, "não se pode dizer que a epidemia esteja fora de controle", reforçou.
O risco sanitário para os países próximos da RDC é "elevado", segundo a OMS, mas permanece "baixo" em nível global.
O Ebola matou mais de 15.000 pessoas na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais mortal registrada na RDC deixou cerca de 2.300 mortos entre 3.500 casos, entre 2018 e 2020.
A onda atual é provocada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe tratamento específico nem vacina. A maioria das epidemias anteriores foi causada pelo vírus Zaire, o único para o qual uma vacina foi aprovada.
Grupos armados
A província de Ituri concentra a grande maioria dos casos confirmados na RDC, segundo a OMS. Os serviços do Estado são deficitários nas zonas rurais, e a presença de grupos armados, que frequentemente massacram civis, dificulta o acesso.
Incidentes contra centros de tratamento de Ebola e a desconfiança de algumas comunidades no leste da RDC "recentemente se tornaram desafios operacionais importantes", destaca a OMS.
Além disso, milhões de deslocados que fugiram de conflitos vivem amontoados em campos. A chegada do vírus a esses locais precários, onde há grande aglomeração e condições sanitárias muito precárias, seria catastrófica.
As autoridades sanitárias internacionais consideram que a dimensão da epidemia ainda não é totalmente conhecida e que os números provavelmente estão subestimados, principalmente devido à limitada capacidade da RDC de realizar testes laboratoriais para confirmar os casos.
Com AFP e Reuters