Movimento contra uso de protetor solar preocupa médicos

Médicos alertam que a tendência, que vem ganhando muita adesão nas redes sociais, em especial pela geração Z, representa um risco real à saúde

17 jan 2026 - 09h19

Uma corrente que ganhou força nas redes sociais acendeu o alerta de médicos e entidades de saúde. Publicações com as hashtags #AntiSunscreen e #NoSunscreen, que já ultrapassam 20 milhões de visualizações no TikTok, estimulam jovens — sobretudo da geração Z — a abandonar o protetor solar ou substituí-lo por soluções naturais, como óleos e manteigas vegetais.

Foto: Freepik / Porto Alegre 24 horas

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que a tendência representa um risco real à saúde. Especialistas ressaltam que a proposta ignora décadas de pesquisas científicas que comprovam os danos causados pela exposição solar sem proteção adequada. Profissionais destacam que o sol está diretamente ligado ao envelhecimento precoce da pele, às queimaduras e ao aumento do risco de câncer cutâneo.

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No contexto brasileiro, a preocupação é ainda maior. Com altos índices de radiação ao longo de todo o ano, o país registra números expressivos de câncer de pele, que corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados, segundo dados da SBD. A exposição repetida e sem proteção provoca danos cumulativos à pele, capazes de gerar mutações celulares ao longo do tempo.

As entidades médicas reforçam que produtos naturais não oferecem proteção contra a radiação ultravioleta e, em alguns casos, podem intensificar queimaduras. Já o uso correto do filtro solar é considerado uma das principais estratégias de prevenção contra lesões pré-malignas, câncer de pele e fotoenvelhecimento.

Os impactos vão além da aparência. De acordo com a dermatologista Elimar Gomes, membro da SBD, a falta de proteção favorece o surgimento de rugas, manchas e perda de elasticidade, além de aumentar o risco de queimaduras que atingem diretamente o DNA das células. Ela também alerta para o agravamento de doenças sensíveis à luz, como melasma, lúpus e outras fotodermatoses.

O oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, reforça que a exposição acumulada ao longo dos anos é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento de carcinomas basocelulares e espinocelulares. "O filtro solar não é um item estético, mas uma ferramenta de prevenção", ressalta.

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Para quem busca reduzir a exposição de forma mais natural, os especialistas recomendam barreiras físicas, como chapéus, roupas adequadas e óculos escuros, além de evitar o sol nos horários de maior intensidade. A reposição de vitamina D, segundo Peruzzo, deve ser feita com equilíbrio e orientação médica.

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