Trump anuncia tarifas a 8 países europeus por disputa da Groenlândia

17 jan 2026 - 13h16
(atualizado às 18h32)

Medida afeta Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.

Trump amplia pressão contra aliados europeus por compra da Groenlândia
Trump amplia pressão contra aliados europeus por compra da Groenlândia
Foto: DW / Deutsche Welle

Sobretaxa inicial de 10% vale a partir de fevereiro e terá aumento gradual até que os EUA possam comprar o território.O presidente dos EUA, Donald Trump , afirmou neste sábado (17/01) implementará tarifas crescentes sobre produtos de oito países europeus até que os Estados Unidos sejam autorizados a comprar a Groenlândia.

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Em uma postagem no Truth Social, Trump disse que tarifas adicionais de importação de 10% entrarão em vigor no dia 1º de fevereiro sobre os produtos provenientes de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.

Os países afetados lideram a oposição ao interesse da Casa Branca de controlar o território autônomo da Groenlândia. Na sexta-feira, Trump indicou que poderia sancionar nações que se opusessem ao plano.

Segundo o presidente americano, a sobretaxa aumentará para 25% em 1º de junho e continuará a subir até que seja alcançado um acordo para a "compra completa e total da Groenlândia".

Trump tem afirmado repetidamente que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e seus grandes depósitos minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la. Na semana passada, algumas destas nações europeias, incluindo França, Alemanha, Noruega e Suécia, enviaram pessoal militar à ilha a pedido da Dinamarca.

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"Esses países, que estão jogando esse jogo muito perigoso, colocaram em risco um nível que não é viável ou sustentável. Portanto, é imperativo que, para proteger a paz e a segurança globais, sejam tomadas medidas fortes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos", disse Trump na rede social Truth Social.

"Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos a negociações com a Dinamarca e/ou qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas", afirmou.

Líderes europeus avaliam resposta

Embaixadores dos 27 países da União Europeia se reunirão neste domingo para uma reunião de emergência a fim de discutir uma resposta adequada à ameaça tarifária de Trump.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o movimento do presidente americano é inaceitável e que, se confirmado, a Europa responderá de forma coordenada.

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"Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, seja na Ucrânia, na Groenlândia ou em qualquer outro lugar do mundo quando nos deparamos com tais situações", disse Macron no X.

"A ameaça de tarifas é inaceitável e não tem lugar nesse contexto. Os europeus responderão a elas de maneira unida e coordenada, caso sejam confirmadas."

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, também alertaram para as consequências da decisão de Trump.

"As tarifas minariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa espiral descendente. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida com a defesa de sua soberania", disseram os dois em publicações nas redes sociais.

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Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que a ameaça é "completamente equivocada". "Aplicar tarifas a aliados por buscarem a segurança coletiva dos membros da Otan é completamente equivocado. Nós, naturalmente, trataremos desse assunto diretamente com a administração dos EUA", afirmou Starmer.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, argumentou que o país não aceitará "intimidações", enquanto o governo dinarmarquês afirmou que o anúncio "foi uma surpresa". A Alemanha disse apenas que "tomou nota" da situação e discutirá com aliados os próximos passos.

Milhares protestam na Dinamarca e na Groenlândia

Milhares de pessoas se reúnem neste sábado (17/01) para protestar contra os planos de Trump.

"O objetivo é enviar uma mensagem clara e unificada de respeito pela democracia e pelos direitos humanos fundamentais da Groenlândia", afirmou a Uagut, associação de groenlandeses que vivem na Dinamarca, em seu site.

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"Quando as tensões aumentam e as pessoas entram em estado de alarme, corremos o risco de criar mais problemas do que soluções para nós mesmos e uns para os outros. Apelamos aos groenlandeses, tanto na Groenlândia quanto na Dinamarca, para que permaneçam unidos."

O movimento Hands Off Greenland (Tirem as Mãos da Groenlândia) e a Inuit, uma organização que reúne associações groenlandesas, também organizam as manifestações.

Em Copenhague, milhares de manifestantes se reuniram na Praça da Prefeitura aos gritos de "a Groenlândia não está à venda". Em seguida, marcharam em direção à embaixada dos Estados Unidos.

"Sou muito grata pelo enorme apoio que nós, groenlandeses, recebemos. Também estamos enviando uma mensagem ao mundo de que todos vocês precisam acordar", disse Julie Rademacher, presidente da Uagut, aos manifestantes.

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"A Groenlândia e os groenlandeses se tornaram involuntariamente a linha de frente na luta pela democracia e pelos direitos humanos", acrescentou.

Em Nuuk, o protesto "contra os planos ilegais dos Estados Unidos de tomar o controle da Groenlândia" acontece em frente ao consulado americano. Pelo menos 900 pessoas confirmaram participação no evento.

De acordo com a pesquisa mais recente, 85% dos groenlandeses se opõem ao controle americano da ilha. Apenas 6% se dizem favoráveis.

As marchas ocorrem nas cidades dinamarquesas de Aarhus, Aalborg e Odense.

Cresce retórica de Trump e tensão com Europa

A crescente retórica de Trump sobre a anexação do território autônomo da Groenlândia elevou as tensões entre os Estados Unidos e países da Otan. Na quarta-feira, a Dinamarca anunciou que irá reforçar sua presença militar na ilha ártica com apoio de países da aliança.

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Os protestos também ocorrem após uma delegação bipartidária de membros do Congresso dos Estados Unidos visitar Copenhague para manifestar apoio à Dinamarca e à Groenlândia.

O assessor sênior de Trump, Stephen Miller, disse à Fox News, na sexta-feira, que "conversas iniciais positivas" ocorreram em uma reunião na Casa Branca, nesta semana, entre altos funcionários dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia.

No entanto, ele reiterou que Trump havia sido "claro" quanto ao desejo de controlar a ilha.

"Eles querem que gastemos centenas de bilhões de dólares defendendo um território para eles que é 25% maior que o Alasca, a um custo 100% americano, mas dizem que, enquanto fazemos isso, ele pertence 100% à Dinamarca", disse Miller.

gq (AFP, DW, OTS)

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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