Uma mulher de 37 anos foi condenada pela Justiça de Santa Catarina por se passar por uma adolescente de 12 anos e enganar um casal em Joinville, no Norte do estado. Segundo a Promotoria, ela entendia o caráter ilícito das ações. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a acusada criou uma identidade fictícia e simulou situações de vulnerabilidade para obter vantagens materiais entre fevereiro de 2025 e junho de 2026.
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A sentença, proferida pela 1ª Vara Criminal de Joinville, fixou pena de 1 ano, 10 meses e 28 dias de prisão, em regime inicial semiaberto. A Justiça também negou à ré o direito de recorrer em liberdade.
A decisão ocorreu após audiência de instrução e julgamento realizada na quarta-feira, 19. No encontro, foram ouvidas as vítimas, testemunhas e a própria acusada. Ao final, o MPSC pediu a condenação pelos crimes de estelionato e falsa identidade, além da manutenção da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal e evitar uma possível reiteração criminosa.
Segundo o promotor de Justiça Ricardo Paladino, que atuou na audiência, as provas apresentadas demonstraram a prática dos crimes e a capacidade da acusada de compreender que suas ações eram ilícitas.
“Ficou cabalmente demonstrada a prática dos crimes narrados na denúncia, assim como a capacidade da acusada de entender o caráter ilícito das condutas e de se determinar de acordo com esse entendimento”, afirmou o promotor.
Como funcionava o golpe
De acordo com a denúncia apresentada pela 9ª Promotoria de Justiça, a mulher teria criado a personagem “Gabriele Ferreira dos Santos”, apresentada como uma menina de 12 anos.
A estratégia, segundo o MPSC, permitiu que ela fosse acolhida por um casal de Joinville, que passou a custear integralmente sua subsistência. Entre os benefícios obtidos estavam moradia, alimentação, transporte, comemoração de aniversário e medicamentos de alto custo para emagrecimento.
Para dar credibilidade à história, a acusada teria criado uma narrativa de vulnerabilidade envolvendo supostos maus-tratos por parte de familiares e situações de exploração. Ela também teria adotado comportamentos compatíveis com a identidade fictícia, como fala infantilizada, uso de objetos característicos da infância e simulação de crises emocionais.
O MPSC afirma que a personagem foi utilizada para sensibilizar as vítimas e garantir que elas assumissem os custos de sua manutenção.
Acusada foi presa durante investigação
A mulher foi presa em junho deste ano, após a descoberta da identidade verdadeira. A investigação apontou que ela teria conseguido permanecer na casa das vítimas utilizando a falsa identidade.
O caso chegou à Justiça após a apuração dos fatos e a apresentação da denúncia pelo Ministério Público. Durante a audiência, a acusada também foi ouvida.
Com a condenação, a Justiça manteve a prisão preventiva e determinou que ela não poderá recorrer em liberdade.