Irã também ataca dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos em resposta a terceira noite seguida de ataques dos EUA.O Irã respondeu nesta terça-feira (14/07) aos mais recentes ataques dos Estados Unidos com novas ofensivas, usando mísseis e drones, contra o Bahrein e a Jordânia.
O Irã também atingiu dois petroleiros ligados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo Estreito de Ormuz, perto da costa de Omã. Os ataques provocaram a morte de um marinheiro e deixaram outros oito feridos.
Os Emirados, onde ficam Abu Dhabi e Dubai, advertiram que se reservam o direito de responder a essa escalada e de tomar todas as medidas necessárias para proteger seu território, seus cidadãos e residentes.
Três dias de ataques mútuos entre EUA e Irã
Segundo a agência estatal jordaniana Petra News, a Jordânia interceptou e derrubou quatro mísseis que haviam violado o espaço aéreo jordaniano vindos de território iraniano na madrugada de terça-feira.
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) tem reivindicado ataques contra países aliados de Washington no Oriente Médio.
Uma fonte militar anônima citada pela agência Petra News afirmou que as equipes de Defesa da Jordânia "recolheram os destroços dos mísseis em vários locais, tomando todas as precauções necessárias para proteger as áreas e garantir a segurança pública". Não há registros de feridos.
Por sua vez, a agência iraniana Tasnim, que é ligada à IRGC, anunciou a destruição de um radar de controle aéreo supostamente pertencente à Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, no Bahrein, país que abriga bases militares americanas.
A Guarda, segundo a agência Tasnim, comunicou que, por meio de um ataque com mísseis e drones contra a Quinta Frota Naval no Bahrein, incendiou os depósitos de combustível dessa frota e atingiu e destruiu um radar Patriot, assim como um sistema de radar de alerta antecipado.
Nas últimas horas, o Ministério do Interior do Bahrein anunciou três vezes a ativação de sirenes de alerta, orientando a população a se dirigir a locais seguros. Até o momento, não há relatos de mortes.
Na madrugada desta terça, os Estados Unidos concluíram uma nova onda de ataques contra alvos militares nas cidades iranianas de Bushehr, Chah Bahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas, segundo confirmou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
A terceira onda consecutiva de ataques ocorreu poucas horas depois de o presidente Donald Trump reativar o bloqueio naval contra o Irã, afirmar que o país seria atingido "com muita força" e anunciar cobrança pela proteção de embarcações que passem pelo Estreito de Ormuz.
O anúncio foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que, se os Estados Unidos passarem a cobrar uma taxa das embarcações que passam pelo estreito, passarão a praticar "pirataria".
Disputa por Ormuz
Os ataques acontecem em um momento em que Irã e Estados Unidos disputam o controle do estreito por onde, em tempos de paz, costumava transitar cerca de um quinto de todo o petróleo bruto e gás natural comercializados no mundo.
O preço do petróleo tipo Brent, referência do mercado internacional, atingiu na manhã desta terça-feira o nível mais alto em um mês, superando os 84 dólares por barril. Embora esse valor permaneça bem abaixo dos quase 120 dólares registrados no auge da guerra, ele ameaça elevar custos em escala global.
Além disso, os ataques minaram de vez o cessar-fogo estabelecido por meio de um acordo provisório entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito.
O entendimento já se aproximava da metade de seu prazo de 60 dias, período durante o qual as duas partes deveriam negociar um acordo definitivo que também tratasse do controverso programa nuclear iraniano e de outras questões.
js/as (Efe, AFP, AP)