O enviado do papa Leão XIV para a Ucrânia, cardeal Matteo Zuppi, visitou nesta terça-feira (14) o campo de detenção "Zakhid-1" em Lviv, no oeste do país, para se reunir com presos militares que combateram pelo Exército Russo.
Durante o encontro, o representante da Santa Sé disse aos detentos que estava no local levando a eles uma mensagem de proximidade do líder da Igreja Católica e um apelo pelo fim do conflito.
Segundo Zuppi, o Pontífice reza para que a guerra termine o mais rapidamente possível e para que todos os prisioneiros possam retornar às suas casas em breve.
"Leão XIV me enviou aqui para ser uma voz de esperança entre vocês e para dizer que está ao lado de todos aqueles que sofrem por causa da guerra", afirmou Zuppi durante a visita, de acordo com o jornal italiano Avvenire, que acompanha a missão.
A viagem do presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) à Ucrânia tem duração de quatro dias e inclui compromissos em Lviv e Kiev. Após a visita ao campo "Zakhid-1", Zuppi seguirá para a capital ucraniana, onde conhecerá outro centro de detenção que abriga prisioneiros de guerra russos.
Por razões de segurança, as autoridades ucranianas não divulgaram o número exato de detentos no complexo, embora estimativas da imprensa indiquem que o local possa abrigar até 500 prisioneiros.
O cardeal encontrou dezenas de presos oriundos de diversas regiões da Rússia e também de outros países, como da Coreia do Norte. De acordo com os responsáveis pelo centro, representantes de 53 nacionalidades estão entre os detidos.
Durante a visita, Zuppi entregou presentes enviados por Leão XIV, como um chaveiro com o brasão pontifício, acompanhado do desejo de que os prisioneiros "possam usá-lo em breve com a chave de suas próprias casas", em referência ao esforço do Vaticano para favorecer a repatriação de militares e civis envolvidos no conflito.
Os detentos também receberam uma imagem do pontífice e uma reprodução do ícone mariano Salus Populi Romani, preservado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma.
O centro de detenção conta ainda com um pequeno hospital. Médicos e enfermeiros relataram que muitos prisioneiros sofrem de tuberculose, problemas nas articulações provocados pelas condições nas trincheiras e ferimentos causados por estilhaços.
A missão de Zuppi é acompanhada pelo núncio apostólico em Kiev, dom Visvaldas Kulbokas, e pelo embaixador da Ucrânia junto à Santa Sé, Andrii Yurash.
Em comunicado, Yurash afirmou que a visita do enviado papal representa "um importante gesto de transparência e diálogo".
Segundo ele, a instalação "cumpre todas as normas do direito internacional humanitário e permanece aberta a visitas de quem desejar verificar pessoalmente as condições dos prisioneiros".