O roubo, com abordagem do bandido ou uso de violência, é muito mais comum quando se trata de caminhões do que para subtrair carros e motos. Nesse último caso, o mais usual é o furto, sem interação direta com a vítima. A conclusão é de levantamento feito pela Ituran a pedido do Jornal do Carro.
Segundo a seguradora, o Iveco Daily foi o caminhão mais visado tanto em casos de roubo, quanto nos de furto em 2026, com 20 ocorrências registradas. O estudo, que analisa dados do Brasil em 2025 e 2026, mostra uma mudança no perfil dos crimes, com maior foco em veículos usados na logística urbana e aumento dos roubos com violência.
Caminhões mais visados
A lista dos modelos mais visados é liderada pelo Iveco Daily, seguido por Kia Bongo (17 ocorrências), Mercedes-Benz Atego (15) e Hyundai HR (14). Também aparecem caminhões semi-pesados da Volkswagen, como o VW 24.280 (10 registros), indicando avanço do interesse por veículos com baú ou furgão, comuns em operações de distribuição.
Segundo a análise, houve uma mudança relevante em relação a 2025. Modelos leves como HR e Bongo, antes líderes, perderam espaço para veículos com maior capacidade de carga, mas ainda discretos, como a Daily. O movimento sugere uma migração das quadrilhas para caminhões ligados à logística expressa, especialmente impulsionada pelo crescimento do e-commerce.
Outro ponto de atenção é o aumento da violência. O roubo, que envolve abordagem direta ao motorista, passou de 55,1% dos casos em 2025 para 66,7% em 2026, indicando maior atuação de quadrilhas especializadas e episódios como sequestros relâmpagos.
Regiões mais arriscadas
Geograficamente, a Zona Norte de São Paulo concentra os principais pontos de risco. Bairros como Vila Maria, Parque Novo Mundo e Jardim Brasil registram maior número de ocorrências, assim como o Jacanã. Essas regiões ficam próximas a importantes eixos logísticos, como a Rodovia Fernão Dias e a Marginal Tietê, além de concentrarem estruturas operacionais relevantes. No Parque Novo Mundo, por exemplo, está localizado o Terminal de Cargas Fernão Dias, que reúne grande volume de caminhões e circulação de mercadorias.
O estudo também mostra mudanças no horário dos crimes. Se antes os ataques se concentravam pela manhã, em 2026 o pico passou para o período da tarde, quando as rotas já estão definidas e os veículos mais expostos. A madrugada segue como faixa crítica, principalmente para furtos em pátios e estacionamentos.
Outro dado relevante é a idade dos veículos. Caminhões com mais de 10 anos representam mais de 60% das ocorrências, reflexo da menor presença de tecnologias de segurança e da alta demanda por peças no mercado paralelo. Já veículos com até dois anos são menos visados.
Para a Ituran, a combinação desses fatores aponta para um cenário de maior sofisticação das quadrilhas, que passaram a atuar de forma mais seletiva, mirando veículos estratégicos para a cadeia logística e rotas com maior facilidade de escoamento.