Hegseth sob pressão após fiasco republicano nas eleições dos EUA

6 nov 2026 - 14h36
Resumo
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, enfrenta forte pressão após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, associada à impopular guerra contra o Irã incentivada por ele. Agora com maioria no Congresso, os democratas preparam investigações sobre sua atuação e a escalada de preços de energia gerada pelo conflito. Hegseth, que acumula escândalos na gestão e até ameaça de impeachment por um republicano, rejeita as acusações e afirma que não recuará, mantendo o apoio de Trump.

Após obter maioria no Congresso, oposição democrata já sinaliza ações contra Pete Hegseth. Republicanos o culpam por ele ter sido um dos maiores incentivadores da guerra no Irã.O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, vem enfrentando pressões por todos os lados após a derrota do Partido Republicano de Donald Trump nas eleições de meio de mandato.

"Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes. Não vai funcionar. Não vamos recuar", disse Hegseth
"Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes. Não vai funcionar. Não vamos recuar", disse Hegseth
Foto: DW / Deutsche Welle

Aliados associaram o resultado nas urnas à guerra contra o Irã - um conflito defendido e promovido pelo chefe do Pentágono. Enquanto isso, a oposição democrata, que conquistou maioria nas duas casas do Congresso americano, sinaliza que pretende colocá-lo sob forte escrutínio.

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O ex-apresentador da emissora conservadora Fox News e ex-oficial da Guarda Nacional sobreviveu a uma série de escândalos desde que assumiu o cargo, no início de 2025, mas é possível que seu tempo no poder esteja chegando ao fim.

Até agora, Trump manteve seu apoio a Hegseth. Ao ser perguntado sobre uma possível troca no comando do Departamento de Defesa - cujo nome Hegseth mudou para Departamento de Guerra, embora seja um título secundário -, o presidente insistiu que ele está fazendo "um trabalho muito bom".

Maior culpado pela guerra no Irã?

Tanto Trump quanto o vice-presidente J.D. Vance culparam a guerra contra o Irã pelas derrotas nas eleições de meio de mandato.

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Com sua esmagadora vitória nas eleições, os democratas ganharam poder para abrir investigações e restringir o financiamento ao Departamento de Defesa e ao conflito.

A guerra levou Teerã a bloquear parcialmente o Estreito de Ormuz, gerando entraves ao transporte marítimo de petróleo e gás produzidos no Oriente Médio e impondo um forte impacto na economia global. A consequente disparada nos preços, especialmente os de combustíveis e de energia, irritou os eleitores americanos.

"O motivo de termos perdido [as eleições] é a guerra", afirmou Vance sobre a onda democrata, declaração que Trump considerou "em grande parte verdadeira". O vice-presidente apontou que o conflito custou aos republicanos o controle do Congresso em um momento em que o governo busca aprovar um pacote de gastos com defesa de 1,5 trilhão de dólares (R$ 8,3 trilhões).

Parlamentares já preparam ações contra Hegseth

Após o resultado das eleições parlamentares, alguns legisladores já deixaram claro que Hegseth e a guerra contra o Irã estão na mira do Congresso.

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"Por que Pete Hegseth ainda está por aí?", questionou Hakeem Jeffries, o principal nome do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, nas redes sociais.

"Vou atrás de Pete Hegseth. Ele não é apenas incompetente e corrupto; ele está comprometendo nossa segurança nacional e a integridade de nossas tropas", afirmou o deputado Jason Crow, membro democrata do Comitê de Serviços Armados da Câmara.

O deputado Adam Smith, principal democrata no comitê, afirmou que a prioridade máxima seria "exercer uma fiscalização rigorosa sobre o Departamento de Defesa e a administração Trump", incluindo no que diz respeito à "guerra ilegal contra o Irã".

Hegseth também enfrenta uma ameaça por parte de um membro do Partido Republicano, o deputado em fim de mandato Thomas Massie, que planeja apresentar um pedido de impeachment tão logo a Câmara retome suas atividades na próxima semana. "Existe uma única hipótese em que não reapresentarei o pedido de impeachment: se Hegseth renunciar", declarou.

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O parlamentar, que também se opõe a Trump, já havia tentado avançar o impeachment de Hegseth no início deste ano, mas os republicanos levaram a Câmara ao recesso antes que a votação pudesse ocorrer.

"Não vamos recuar", diz Hegseth

Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta quinta-feira (06/01), Hegseth admitiu estar pressionado, mas defendeu sua gestão ao descrever a guerra como um "esforço corajoso e histórico".

"Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes. Não vai funcionar. Não vamos recuar", declarou, em uma gravação feita na escadaria do Pentágono.

Hegseth descartou o que chamou de "pedido de impeachment farsesco" de Massie, a quem descreveu como um "congressista derrotado e insatisfeito", e equiparou a tentativa de destituí-lo aos processos de impeachment enfrentados anteriormente por Trump.

"Trata-se, pura e simplesmente, de uma política de destruição pessoal. Não funcionou contra o presidente Trump e não funcionará comigo", afirmou.

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Escândalos acumulados

Nos últimos dois anos, Hegseth esteve no centro de diversos escândalos e polêmicas. O mais recente envolveu um plano para transmitir ao vivo uma execução por fuzilamento, o que acabou sendo descartado por Trump.

Poucos meses após Hegseth assumir o cargo, a revista The Atlantic revelou que seu editor-chefe havia sido incluído, por engano, em um grupo no aplicativo de mensagens Signal, no qual o chefe do Pentágono e outras autoridades discutiam ataques iminentes no Iêmen.

Ações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico oriental também geraram controvérsia, especialmente um ataque no ano passado que deixou sobreviventes, os quais foram mortos em uma segunda investida.

Outras medidas polêmicas sob a gestão de Hegseth incluíram a demissão de vários militares de alto escalão - entre eles o oficial de maior patente do país, Charles "CQ" Brown -, frequentemente sem qualquer explicação pública, ou com justificativas mínimas.

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O deputado Smith afirmou que os ataques a embarcações, o envio de tropas por parte de Trump a cidades dos EUA e a "politização flagrante e corrosiva de nossas Forças Armadas" estão, todos, no topo da lista de questões a serem investigadas pelo novo Congresso.

rc/ra (Reuters, AFP)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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