Após perturbar tráfego aéreo, ameaças de bomba chegam à mídia europeia

6 nov 2026 - 16h06
Resumo
Após afetarem dezenas de voos na Europa, falsas ameaças de bomba atingiram sedes de veículos de comunicação na Irlanda, Reino Unido e Bulgária, forçando evacuações e interrupções na programação. Ao mesmo tempo, novos alertas mantiveram aeroportos e companhias aéreas do continente em alerta, enquanto a região também enfrenta ciberataques contra supermercados. Autoridades investigam se os atos, assinados por um suposto extremista russo, são ataques coordenados para gerar pânico social.

Sedes de organizações de mídia da Irlanda, Reino Unido e da Bulgária foram alvo de ameaças de bomba nesta sexta, na esteira de mensagens similares enviadas a companhias aéreas e aeroportos da Europa.Após uma série de ameaças a bomba ter provocado transtornos em voos na Europa nesta semana, várias organizações de mídia do continente receberam mensagens semelhantes nesta sexta-feira (06/11), provocando evacuações e interrupção na programação. Ameaças foram enviadas a diversos veículos da Irlanda, incluindo a rede pública RTÉ e o jornal Irish Independent, além do canal Sky, do Reino Unido e a Nova TV, da Bulgária.

Policiais foram deslocados para a sede da emissora RTÉ, em Dublin, após ameaça de bomba
Policiais foram deslocados para a sede da emissora RTÉ, em Dublin, após ameaça de bomba
Foto: DW / Deutsche Welle

Nenhuma bomba foi encontrada nas sedes das organizações. A programação da irlandesa RTÉ chegou a ser interrompida por três horas, sendo substituída por música e mensagens gravadas previamente. Segundo informações divulgadas pela imprensa irlandesa, também foram retirados os funcionários dos escritórios do jornal Irish Independent, das estações de rádio Newstalk e Today FM e ao grupo Virgin Media. Funcionários retornaram às instalações da RTÉ depois que a polícia concluiu uma varredura nos prédios, que durou mais de três horas.

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A polícia da Bulgária também foi deslocada para a redação da Nova TV, em Sófia. O local chegou a ser temporariamente evacuado, mas a transmissão não foi interrompida.

"O relógio está correndo"

"Queremos que o mundo inteiro saiba quem somos; por isso, um de nossos agentes plantou um artefato explosivo em seu prédio", diziam os e-mails enviados à Nova TV e à RTÉ nesta sexta-feira. "Ele explodirá em 45 minutos. O relógio está correndo."

Não está claro quem esteve por trás das ameaças às organizações enviadas nesta sexta-feira.

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Os e-mails enviados à RTÉ e à Nova estavam assinados com o nome Mikhail Andropov. Na mensagem, o remetente afirmava também ser um dos líderes de um grupo responsável pelas ameaças que provocaram transtornos em dezenas de voos na Europa nesta semana.

"Mas isto é apenas o começo. O que aconteceu esta semana é apenas uma pequena parte do que aguarda a Europa em um futuro próximo", dizia a mensagem. O suposto autor compartilha o sobrenome com Yuri Andropov (1914-1984), ex-secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. O título do e-mail, "Mensagem ao Ocidente", parece remeter ao título de uma biografia de Andropov lançada nos anos 1980 intitulada Novo Desafio ao Ocidente.

Não ficou claro se isso seria um indício de envolvimento russo ou uma tentativa de incriminar Moscou.

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que as agências de segurança na Europa ainda não determinaram se as ameaças ao transporte aéreo e a organizações de mídia partiram de indivíduos isolados ou se fazem parte de um ataque coordenado.

"Isso apenas ilustra como pode ser relativamente simples causar transtornos e comprometer o funcionamento normal da sociedade por meio de atividades não convencionais desse tipo, concebidas para gerar perturbações, medo e ansiedade", disse Martin à rádio RTÉ , logo após a retomada da programação jornalística a partir de uma unidade móvel de transmissão. "Precisamos manter a calma", acrescentou.

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Mais ameaças contra aviões nesta sexta

Paralelamente às ameaças enviadas a organizações de mídia, uma série de novos alarmes falsos de bomba colocou nesta sexta-feira novamente em alerta várias companhias aéreas e aeroportos europeus, entre eles os de Copenhague, Varsóvia, Lisboa, Veneza, Paris e Praga, depois que na véspera foram registrados quase 30 incidentes deste tipo e de ameaças similares na segunda e na terça-feira. Nesta sexta, foram mais de uma dezena de novas ameaças.

O aeroporto de Copenhague recebeu nesta sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, novas ameaças, mas a polícia da capital indicou que "não existe nem existiu qualquer perigo" para os passageiros, após enviar equipes ao aeródromo e realizar as apurações necessárias.

"Estamos investigando as novas ameaças seguindo o mesmo procedimento aplicado às recebidas ontem [quinta-feira]", informou a polícia em seu site, acrescentando que, por enquanto, não dispõe de mais informações sobre os alertas falsos, reivindicados em alguns casos por um grupo russo de extrema-direita conhecido como Estado Masculino (EM).

Na Polônia, o porta-voz dos Aeroportos Poloneses, Piotr Rudzki, confirmou o recebimento de ameaças relacionadas a um voo proveniente de Talin com destino a Varsóvia.

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"Implementamos imediatamente nossos protocolos de segurança. Após uma análise detalhada, a companhia aérea, juntamente com os serviços aeroportuários e estatais, decidiu continuar com as operações normalmente, sem gerar alarde", afirmou.

Na Itália, um voo da companhia de baixo custo Wizz Air que fazia a rota entre Praga e Roma precisou fazer um pouso de emergência no aeroporto da cidade italiana de Veneza após receber um alerta de bomba.

O desvio do voo provocou a suspensão temporária do tráfego aéreo no aeroporto veneziano, embora as operações já tenham sido retomadas, segundo confirmaram fontes aeroportuárias.

Enquanto isso, as autoridades portuguesas investigam uma ameaça de bomba em um voo da Ryanair que deveria partir nesta sexta-feira de Lisboa para Roma e que decolou com mais de duas horas de atraso.

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O governo francês anunciou, por sua vez, ter detectado quatro novas ameaças de bomba em voos no espaço aéreo da França. Três das aeronaves pousaram sem problemas no aeroporto parisiense de Orly e outra no de Bordeaux, segundo a emissora BFMTV, enquanto uma equipe de varredura de explosivos inspeciona os aviões.

Por sua parte, a polícia da República Tcheca inspecionou nove aviões com origem ou destino em Praga após receber novas ameaças anônimas de bomba. Tratava-se de quatro chegadas e cinco partidas, segundo explicou a porta-voz do aeroporto Václav Havel, Denisa Hejtmankova, à agência tcheca CTK.

As ameaças de bomba também ocorrem no contexto de uma série de ataques cibernéticos aos sistemas de controle de temperatura de freezers em dezenas de supermercados por toda a Europa. Em alguns casos, hackers elevaram a temperatura para 50ºC, fazendo com que toneladas de alimentos estragassem. Geladeiras de bancos de sangue na França também foram alvo de ataques, mas técnicos conseguiram intervir antes que qualquer material fosse danificado.

jps/ra (Reuters, EFE, AP)

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