Uma fruta tradicional do Oriente Médio, ainda pouco produzida no Brasil, começa a ganhar espaço no Nordeste e pode abrir uma nova oportunidade para o agronegócio regional. A Bahia iniciou um projeto para desenvolver o cultivo de tâmaras no semiárido, com a expectativa de criar uma cadeia produtiva capaz de atender o mercado nacional e, no futuro, conquistar consumidores internacionais.
O projeto prevê a implantação de áreas experimentais com mudas da tamareira (Phoenix dactylifera), espécie adaptada a regiões de clima quente e seco. As primeiras plantas foram importadas dos Emirados Árabes Unidos e passarão por etapas de avaliação antes da expansão comercial do cultivo.
A iniciativa aposta nas características do semiárido baiano, especialmente nas regiões com alta incidência solar e baixa umidade, condições semelhantes às encontradas em grandes produtores mundiais da fruta.
Bahia aposta em nova produção agrícola no semiárido
A proposta é desenvolver o cultivo inicialmente em municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves, áreas que já possuem tradição em atividades agrícolas irrigadas.
A previsão é que as tamareiras levem cerca de três anos para iniciar a produção dos primeiros frutos. Quando atingem a maturidade, cada planta pode produzir dezenas de quilos de tâmaras por ano, tornando a cultura uma alternativa de alto valor agregado para produtores da região.
Diferentemente de outras frutas cultivadas em larga escala no Nordeste, a tâmara ainda depende quase totalmente de importações para abastecer o mercado brasileiro. Países como Emirados Árabes, Tunísia, Israel, Arábia Saudita e Egito estão entre os principais fornecedores.
Com o crescimento da demanda nacional, a produção local surge como uma possibilidade de reduzir a dependência externa e criar uma nova atividade econômica no campo.
Fruta típica do Oriente Médio ganha espaço no Brasil
A tâmara é conhecida mundialmente pelo sabor adocicado e pelo uso em diferentes receitas, especialmente na culinária árabe. Além do consumo in natura, a fruta também é utilizada na produção de doces, barras energéticas e outros produtos alimentícios.
Apesar de ser associada tradicionalmente aos desertos do Oriente Médio e do norte da África, a tamareira possui boa adaptação a regiões de clima semelhante ao semiárido brasileiro.
Estudos indicam que a planta necessita de temperaturas elevadas, muita exposição ao sol e manejo adequado da irrigação para garantir uma boa produtividade.
A Bahia, por possuir uma das maiores áreas irrigadas do país, aparece como uma região estratégica para testar a viabilidade econômica da cultura.
Projeto busca transformar tâmara em nova cadeia produtiva
Além da introdução das mudas, a iniciativa envolve transferência de tecnologia e capacitação de produtores brasileiros. A parceria com instituições dos Emirados Árabes busca trazer conhecimento acumulado por um dos maiores mercados produtores da fruta no mundo.
As primeiras mudas passam por um processo de quarentena e avaliação fitossanitária para evitar a entrada de pragas e doenças que possam comprometer outras culturas agrícolas brasileiras.
Caso os testes apresentem resultados positivos, a Bahia poderá se tornar pioneira na produção comercial de tâmaras em escala no Brasil.
Nordeste pode ganhar novo produto de exportação
O avanço do cultivo de tâmaras representa uma possibilidade de diversificação econômica para o Nordeste, especialmente em áreas do semiárido que já possuem experiência com agricultura irrigada.
A região se consolidou nas últimas décadas como grande produtora de frutas como manga, uva e melão, com forte presença no mercado internacional.
Agora, a aposta em uma fruta tradicional de outros continentes pode abrir uma nova frente de negócios, gerar empregos e ampliar as oportunidades para agricultores locais.
Com o aumento do consumo de produtos diferenciados e a busca por novas culturas agrícolas de maior valor comercial, a tâmara surge como uma alternativa que une tecnologia, adaptação climática e potencial de mercado.
Se o projeto avançar, a Bahia poderá colocar o Nordeste brasileiro em uma nova rota de produção de uma fruta que, até pouco tempo, era encontrada quase exclusivamente em mercados internacionais.