Fim do cessar-fogo: Hezbollah ataca Israel e Beirute volta a ser bombardeada

2 mar 2026 - 12h21

O cessar-fogo no Líbano, estabelecido em novembro de 2024, sofreu seu mais grave abalo nesta segunda-feira (2). O Hezbollah lançou mísseis e drones contra a cidade de Haifa, em Israel, marcando sua primeira grande ação ofensiva desde o acordo. Em retaliação imediata, as forças israelenses bombardearam diversas regiões libanesas, incluindo os subúrbios de Beirute. Enquanto o grupo xiita justifica a ação como autodefesa e vingança pela morte do líder iraniano Ali Khamenei, o governo libanês teme que o país seja novamente arrastado para uma guerra total.

O Hezbollah lançou mísseis e drones contra a cidade de Haifa, em Israel
O Hezbollah lançou mísseis e drones contra a cidade de Haifa, em Israel
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

Em comunicado oficial, o Hezbollah classificou o ataque como um ato "legítimo" e uma resposta a 15 meses de incursões israelenses que nunca cessaram totalmente. "O inimigo israelense não pode continuar sua agressão de 15 meses sem uma resposta de advertência para que cesse essa agressão e se retire dos territórios libaneses ocupados", afirmou o grupo. A nota destaca ainda que a ofensiva honra o "sangue puro do líder supremo dos muçulmanos", o aiatolá Khamenei, e exige que as autoridades ponham "fim à agressão israelense-americana contra o Líbano".

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Hezbollah

A reação de Israel foi contundente. As Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam que o grupo libanês atingiu áreas civis e prometeram que "eles pagarão um preço alto" pela quebra do acordo. "Lançamos uma primeira onda ampla de ataques em Beirute e no sul do Líbano, visando importantes operativos, quartéis-generais e infraestrutura terrorista. Também estamos agindo para evacuar civis no sul do Líbano antes de novos ataques", informou a FDI, sinalizando que a intensidade dos bombardeios deve aumentar nas próximas horas.

Internamente, o Líbano vive uma crise de comando. O presidente Joseph Aoun condenou a iniciativa do Hezbollah, alertando para os riscos de soberania. "Embora condenemos os ataques israelenses em território libanês, alertamos que a utilização contínua do Líbano como plataforma para guerras por procuração que nada têm a ver conosco exporá mais uma vez o nosso país a perigos", declarou Aoun. O conflito entre as partes, que remonta a 1978, entra agora em uma fase de incerteza absoluta, ameaçando anular meses de esforços diplomáticos pela paz na região.

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