Empresas da Alemanha relatam aumento de ataques estrangeiros

27 ago 2026 - 15h42
Resumo
Segundo a associação Bitkom, 37% das empresas alemãs atingidas por espionagem e roubo de dados sofreram ataques de inteligências estrangeiras, principalmente de China (52%) e Rússia (49%). Os prejuízos anuais somam até 270 bilhões de euros sob uma crescente guerra híbrida impulsionada por inteligência artificial e cibercrime. Apesar da intensificação das ameaças contra setores estratégicos, os investimentos corporativos em segurança digital continuam estagnados no país.

Serviços de inteligência estariam por trás de roubos de dados, espionagem e sabotagens. China e Rússia são as principais origens detectadas, aponta pesquisa.Sob uma atmosfera de guerra híbrida, a economia da Alemanha tem sido cada vez mais alvo de serviços de inteligência estrangeiros, de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (26/08) pela associação Bitkom, do setor de tecnologia da informação (TI) no país. Segundo o estudo, 37% das empresas afetadas por roubo de dados, espionagem industrial ou sabotagem ao longo de um ano atribuíram pelo menos um ataque a estes atores.

Roubo de dados, espionagem industrial e sabotagem estão entre os ataques relatados por empresas na Alemanha
Roubo de dados, espionagem industrial e sabotagem estão entre os ataques relatados por empresas na Alemanha
Foto: DW / Deutsche Welle

Um ano antes, o percentual era de 28%. Em 2023, era de 7%. O valor é calculado com base nas respostas de 1.003 executivos de empresas com dez ou mais funcionários na Alemanha, entrevistados entre meados de abril e o início de junho, sobre os 12 meses anteriores.

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"Se observarmos para onde levam os rastros, é preciso dizer que eles apontam cada vez mais para o leste", disse Ralf Wintergerst, presidente da Bitkom.

No total, 96% das empresas relataram ter sido afetadas ou suspeitar que foram alvo de ataques da mesma natureza. Os prejuízos foram estimados entre 211 bilhões e 270 bilhões de euros (R$1,26 trilhão e R$1,62 trilhão). Ambas as métricas se mantiveram no mesmo patamar dos anos anteriores.

O cálculo inclui custos diretos, como interrupções de operações, investigações e medidas de contenção, disputas judiciais e extorsões, além de perdas de receita decorrentes de falsificações e da perda de vantagens competitivas.

Ao mesmo tempo, um número cada vez menor de empresas consegue afirmar com certeza se um ataque realmente ocorreu. Apenas 67% das empresas conseguiram confirmar de forma definitiva um ataque bem-sucedido, contra 87% no ano anterior.

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China e Rússia na origem

Das empresas que reportaram ataques com certeza, mais da metade (52%) detectou a China como a origem de pelo menos um episódio, contra 49% que disseram ter sido alvo da Rússia.

Vêm depois os países do Leste Europeu fora da União Europeia (34%), os Estados Unidos (27%), os países da União Europeia excluindo a Alemanha (26%) e a própria Alemanha (12%). Outro país em ascensão, de acordo com a Bitkom, é o Irã: o volume de ataques atribuídos ao país mais do que dobrou na comparação anual, alcançando 9%.

Do ponto de vista estatístico, porém, os autores ou principais suspeitos continuam sendo, com ampla vantagem, atores não estatais ligados ao crime organizado. Apesar de uma leve queda, sua participação permaneceu em nível elevado, passando de 68% no levantamento do ano passado para 62% na edição de 2026.

Paralelamente, aumentou significativamente o número de empresas que suspeitam ter sido atacadas, mas não conseguem comprovar a ocorrência. Esse percentual subiu de 10% para 29%.

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IA acelera ataques e dificulta a defesa

Segundo a Bitkom, invasores utilizam a inteligência artificial (IA) para agilizar ataques, enquanto as empresas precisam dela para melhorar suas capacidades de defesa. Wintergerst considera que o maior desafio é corrigir vulnerabilidades de segurança mais rapidamente.

O Departamento Federal para a Proteção da Constituição da Alemanha (BfV, na sigla em alemão), a principal agência de segurança interna, envia alertas a empresas ao detectar indícios de atividades suspeitas ou ameaças concretas. Serviços de inteligência de países aliados também fornecem informações.

"Atores estatais recorrem cada vez mais a grupos cibercriminosos, mas também a agentes de baixo escalão", afirma o presidente do BfV, Sinan Selen. Os objetivos dos ataques incluiriam enfraquecer o apoio à Ucrânia contra a Rússia, com empresas do setor de defesa e centros de pesquisa em tecnologia de drones entre os alvos prioritários.

Recrutados na própria Alemanha, os chamados "agentes descartáveis" realizam atividades de espionagem e sabotagem em troca de quantias variáveis de dinheiro. Segundo Selen, fica cada vez mais difícil para empresas e órgãos de segurança distinguir quem está por trás de cada ataque.

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Para reduzir os riscos, especialistas defendem mais investimentos na proteção da infraestrutura crítica. Em contrapartida, de acordo com as empresas entrevistadas pela pesquisa da Bitkom, os orçamentos destinados à segurança da tecnologia da informação se encontram estagnados. Em média, eles representam apenas 18% do orçamento de TI.

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