Zema lança candidatura com foco em segurança e economia, diz ser anti-PT e não critica Flávio

Candidato do Novo à Presidência não definiu ainda o vice na sua chapa e não tem o apoio de grandes partidos a dois meses e meio da eleição

27 jul 2026 - 13h31
(atualizado às 13h33)
Zema lança candidatura à Presidência em Brasília
Zema lança candidatura à Presidência em Brasília
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

BRASÍLIA - O Partido Novo lançou nesta segunda-feira, 27, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. Em um discurso com foco na economia de recursos públicos, na segurança pública e no combate à corrupção, Zema se colocou como anti-PT e evitou fazer críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

"Minha bandeira é estar contra o PT", afirmou Zema, logo após ser oficializado como candidato a presidente em Brasília. O mineiro disse que a gestão petista no País foi um fator decisivo para ele ingressar na política. "Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. No passado, foi mensalão, petrolão, mala de dinheiro, e agora estamos aí, com o caso Master", afirmou.

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Durante o discurso, o ex-governador não mencionou Flávio. Questionado por jornalistas, citou possíveis mudanças no cenário eleitoral. "O que eu tinha de falar sobre o candidato já disse, já me manifestei. Como disse agora há pouco, tudo acontece numa eleição. Não tem nada que é tão incerto, que muda tanto. Já tivemos aqui no Brasil eleições que tiveram mudanças muito maiores do que qualquer um seria capaz de prever", disse.

Zema era aliado de Flávio, mas disse ter ficado chocado com as revelações de que o senador pediu dinheiro ao dono do Master, Daniel Vorcaro, para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após críticas de parte da direita, Zema reduziu as investidas contra Flávio.

A dois meses e meio da eleição, o mineiro segue sem vice definido, não conta com apoio de grandes partidos e permanece distante dos líderes nas intenções de votos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.

No discurso, Zema propôs a criação de uma penitenciária na Amazônia para presos de alta periculosidade e prometeu acabar com a "farra dos intocáveis". Segundo o candidato, o País assiste a "aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal" e repetiu que quer "acabar com a farra dos intocáveis", ou seja, de autoridades em Brasília.

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"Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu, inclusive estou respondendo com muito orgulho um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes. Quero frisar aqui, quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele e os colegas dele, não fui eu", disse.

Zema afirmou não ter rabo preso com empresários ou políticos e criticou os presidentes passados. "Precisamos de um presidente que não tenha o rabo preso, porque todos tiveram. Tinha filho envolvido, tinha parente envolvido, tinha gente do partido envolvido e cederam a pressão para poder acobertar os erros, os crimes. Não vou ter esse problema", acrescentou.

Segundo ele, o "Brasil carece de bons exemplos" e de um presidente sem o "rabo preso". "Considero-me com todas as credenciais, modéstia à parte, mais do que meus concorrentes."

Sem citar nomes, o presidenciável disse que "nenhum outro candidato conhece o Brasil real" e reiterou o discurso de que, durante sua gestão em Minas, houve economia de gastos públicos. "Sei o que é enfrentar a burocracia do Estado, pagar impostos no Brasil e enfrentar máquina que só cria dificuldades. Nunca fui recebedor de impostos. Fui só pagador. Mesmo como governador, fui voluntário", afirmou.

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Durante o evento, Zema foi retratado como um outsider da política. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), por exemplo, disse que o ex-governador "não é político profissional" e tem usado a experiência de gestão no setor privado para sua carreira pública. Já Deltan Dallagnol, que disputará o Senado pelo Paraná, repetiu a estratégia do partido de criticar "os intocáveis", ou seja, autoridades brasileiras com benefícios e descreveu Zema como "alguém que vem de fora" e "um homem comum".

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