Sem alianças nacionais e com a ausência de lideranças importantes do próprio PSD, a oficialização da candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência, no domingo, 26, evidenciou as dificuldades do ex-governador de Goiás para ampliar sua base de apoio. Entre os ausentes estavam os governadores de Minas Gerais e Pernambuco, Mateus Simões e Raquel Lyra, além do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O grupo de governadores do PSD presente ao lado de Caiado ficou restrito a dois nomes: Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
As ausências no evento refletem uma divisão interna no PSD em relação à disputa presidencial. Em diferentes Estados, lideranças da legenda já declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o caso dos senadores Omar Aziz, no Amazonas, e Otto Alencar, na Bahia. Os governadores Fábio Mitidieri (Sergipe) e Raquel Lyra (Pernambuco) também são considerados aliados do petista. Já Eduardo Paes anunciou, ainda no início do ano, ao confirmar sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, que apoiará Lula em 2026.
A falta de apoio de parte dessas lideranças foi um dos temas levantados durante coletiva de imprensa. Para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa, não há espaço para ampliar a coalizão às vésperas do fim do prazo das convenções partidárias. Na avaliação do dirigente, as tentativas de negociação não avançaram porque não encontraram "solo fértil".
“O União negou a candidatura para o Caiado, por isso ele está no PSD”, disse. “Em relação aos partidos menores, é evidente e todos sabem que eles não estão atingindo a cláusula de barreira, estivemos conversando com [Romeu] Zema e a mesma coisa com o Missão. Os demais estão comprometidos com o bolsonarismo e o petismo, e nós não queremos compromisso com o bolsonarismo e o petismo.”
Raquel Lyra, por sua vez, tem adotado um tom mais cauteloso em relação à disputa presidencial. Em entrevista ao programa Live CNN, no início de junho, a governadora de Pernambuco evitou declarar apoio a Lula, mas destacou a relação de "confiança" que mantém com o presidente. "Nossa relação com o presidente é baseada no trabalho e na entrega, com a confiança que a gente conquistou do presidente e de seus ministros. Mas não é uma confiança de discurso, mas de quem quer trabalhar junto para fazer bem ao seu povo. O presidente é pernambucano e disse que não faltaria ao nosso estado", afirmou.
No caso de Sergipe, o cenário é diferente. O governador Fábio Mitidieri já declarou publicamente que apoiará a reeleição de Lula. Em agenda realizada em Aracaju, em 23 de junho, Caiado foi questionado sobre o posicionamento de integrantes do próprio partido e minimizou a situação. Segundo ele, o PSD respeita as decisões tomadas pelas lideranças estaduais. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) também já afirmou, em entrevistas, que acompanhará o ex-governador Romeu Zema (Novo) na eleição presidencial de 2026.
Apesar de admitir as dificuldades para ampliar a coalizão, Kassab minimizou os impactos da falta de apoio em alguns Estados. Segundo ele, o palanque de Eduardo Paes será múltiplo, "porque o Brasil precisa que Eduardo Paes seja governador do Rio de Janeiro", assim como para Raquel Lyra,"que pelas circunstâncias locais, tem eleitores de todos os partidos". "Mas lá [em Pernambuco] temos um palanque que está sendo construído, sólido e forte", afirmou. Em seguida, o dirigente disse que Caiado não terá nenhuma dificuldade para ter palanque nos Estados.
Além dos palanques, desafio é ampliar o alcance nacional
A construção de alianças, porém, não é o único obstáculo da campanha de Caiado. O ex-governador de Goiás também precisará ampliar sua projeção nacional e reduzir o nível de desconhecimento do eleitorado fora do Estado. Durante a coletiva, ele foi questionado se a decisão do PSD de disputar a eleição sem uma coligação poderia prejudicar a campanha em razão do menor tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. O questionamento levou em consideração pesquisas que apontaram que o nome de Caiado ainda é pouco conhecido por parte dos eleitores de outras regiões do país.
Em resposta, o candidato minimizou a preocupação e afirmou que o período oficial da campanha será suficiente para tornar seu nome conhecido nacionalmente. Segundo ele, a estratégia combinará propaganda na televisão, presença nas plataformas digitais e participação nos debates, que devem ampliar a exposição de sua candidatura. "Eu diria que o tempo vai ser suficiente para nós sermos conhecidos no Brasil todo", afirmou. Caiado acrescentou que o eleitorado passará a acompanhar a disputa somente com o início oficial da campanha e afirmou: "É exatamente no processo eleitoral que a população vai nos conhecer e vai formar opinião daquele que deve ser eleito o presidente".