Telemedicina e filas on-line: o que os candidatos à Presidência propõem para a saúde

Apesar de haver semelhanças nos projetos, existe nuances nas abordagens e elaboração de ideias dos candidatos

8 set 2026 - 04h58
Confira o que os candidatos a presidente propõem para a saúde no Brasil
Confira o que os candidatos a presidente propõem para a saúde no Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Flipar

A saúde pública é um dos temas centrais dos programas de governo dos candidatos à Presidência da República. As propostas têm como eixo central o reforço da medicina preventiva, a digitalização do sistema de saúde, a redução das filas e a introdução de Inteligência Artificial para otimizar processos e o fortalecimento da telemedicina

  • Essa reportagem faz parte da série O Brasil Que Eles Querem, que vai destrinchar os planos de governo dos candidatos a presidente sobre TecnologiaEducação, Cultura, Segurança, Economia,  Meio Ambiente, Saúde, Relações Internacionais,  Esporte e Diversidade

Apesar de haver semelhanças nos projetos, existe nuances nas abordagens e elaboração de ideias dos candidatos. De acordo com especialistas, o grande desafio dos candidatos é aprimorar as propostas, já que muitas delas já existem. 

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O Terra traz, neste texto, um resumo do que propõe cada um dos 13 postulantes à Presidência da República nas eleições deste ano. A seguir, veja o que diz cada candidato (em ordem alfabética pelo nome de urna) sobre suas propostas para a saúde no Brasil.

Clariana Barão (Democracia Cristã)

Clariana Barão (DC)
Foto: Reprodução/Instagram

Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC), estruturou seu programa de saúde com foco na prevenção. Para isso, a candidata propõe a ampliação do acesso à Atenção Primária de acordo com a localização dos pacientes a partir de um prontuário interoperável. O projeto inclui ainda a elaboração de um sistema informatizado para acompanhar as filas do SUS e o desenvolvimento da produção nacional de medicamentos, equipamentos e outros insumos. 

O programa destaca também a prioridade para crianças e mulheres, a partir de atendimento humanizado no Pré-natal e cuidado materno-infantil com acompanhamento nutricional e vacinal. O propósito é promover a integração entre saúde, assistência, segurança e justiça. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

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Edmilson Costa (PCB)

Edmilson Costa (PCB)
Foto: Reprodução/Instagram

O candidato Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), propõe em seu plano de governo a expansão do sistema de saúde e fortalecimento do SUS a partir da redução da participação privada na prestação de serviços essenciais. Para isso, sugere a estatização de todo o setor e a criação de Conselhos Populares de Saúde, eleitos pelos trabalhadores, para o controle do sistema em todos os níveis. 

O plano indica também a valorização de profissionais de saúde, a partir da ampliação de concursos públicos, além de fortalecer a produção interna de medicamentos, vacinas, insumos e equipamentos médico-hospitalares. 

"Saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Portanto, não pode ser tratada como mercadoria nem subordinada à lógica do lucro. Defendemos um sistema público, gratuito, universal e de qualidade, capaz de atender toda a população brasileira, independentemente de renda ou local de moradia", explicou Edmilson Costa, via assessoria de imprensa, à reportagem do Terra.

"Um dos nossos objetivos centrais será levar a saúde para onde o povo vive e trabalha. Vamos ampliar a rede assistencial, construir unidades básicas e hospitais especialmente nos bairros populares e nas regiões hoje menos atendidas e fortalecer a medicina de família. O atendimento básico próximo da residência ou do local de trabalho deve ser a base de organização do sistema", complementou.

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Escritor Augusto Cury (Avante) 

Augusto Cury (Avante)
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

O plano de governo de Augusto Cury, que é psiquiatra, tem como foco a saúde mental e a prevenção. Cury defende o fortalecimento da atenção psicológica, ações voltadas à saúde emocional e uma abordagem que relaciona saúde mental, educação e desenvolvimento humano. 

Além disso, o candidato pretende transformar o Brasil no 'maior centro de telemedicina do mundo', com o intuito de propiciar agilidade no atendimento especializado, principalmente em regiões distantes, e reduzir desigualdades no acesso à saúde.

Para isso, o plano prevê que 80% das consultas básicas pelo SUS sejam feitas por telemedicina para 'desafogar' as filas que se formam no atendimento com especialistas. Apesar de ser entusiasta da tecnologia, o candidato observa que o cuidado humano ainda é um pilar fundamental para o setor. Por isso, defende que ferramentas como a Inteligência Artificial sejam uma aliada da medicina.

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Flávio Bolsonaro (PL)

Flávio Bolsonaro (PL)
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), elaborou o seu plano de governo com base na ampliação da capacidade de atendimento e redução das filas. Para isso, Flávio defende a implantação de um prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF do cidadão e integrado ao Gov.br. A ideia é que documento digital reúna histórico completo de consultas, exames, vacinas e prescrições. 

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Outra medida defendida pelo candidato é a contratação de serviços e exames na rede privada nos horários ociosos, além da entrega de remédios em domicílio para idosos e pessoas com deficiência ou doenças crônicas. 

Em contato com a reportagem do Terra, via assessoria de imprensa, Flávio afirmou que pretende montar uma equipe baseada em critérios técnicos. O candidato enalteceu o oftalmologista Claudio Lottenberg, que será o ministro da Saúde em caso de vitória nas eleições.

"Prometi que nosso time de ministros será formado por perfis técnicos e a escolha do Lottenberg faz jus a isso. Uma pessoa gabaritada e comprometida em resgatar o Brasil e cuidar do Ministério da Saúde e valorizar o SUS. Vou honrar o que foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro e montar um time de ministros que sejam lembrados pela excelência na condução do país", afirmou.

Hertz Dias (PSTU)

Hertz Dias (PSTU)
Foto: Reprodução/Instagram

Candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz Dias tem como base de seu plano de governo para a saúde a estatização integral do SUS. Entre as medidas, defende a proibição da transferência de leitos públicos para planos privados e a contratação de trabalhadores via concurso público. O candidato propõe ainda uma atenção especial à saúde mental, tendo em vista a ampliação do investimento público nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

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Além disso, Hertz entende que há a necessidade de uma integração entre saúde e saneamento para enfrentar doenças relacionadas à falta de infraestrutura, bem como deseja viabilizar a produção pública de medicamentos e insumos estratégicos.

A equipe do candidato foi contactada pela reportagem, mas não enviou um posicionamento até a publicação deste texto.

Lula (PT)

Lula (PT)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), propõe a continuidade e ampliação de políticas adotadas em seu governo como Mais Médicos, Farmácia Popular e Agora Tem Especialistas. Lula defende também o fortalecimento do SUS a partir da implantação do Prontuário Eletrônico para reduzir filas e integrar serviços como a marcação de consultas e o resultado de exames.

Outro projeto do atual presidente é consolidar a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo. O plano prevê o fortalecimento do Supercentro Brasil de telediagnóstico do câncer, a fim de reduzir o tempo para a realização de diagnóstico das biopsias em regiões remotas ou com déficit de profissionais da saúde, além da expansão de centros de radioterapia e cirurgias.

Por fim, Lula considera a vacinação nas escolas como eixo prioritário, bem como o investimento em telecirurgia e cirurgia robótica. Outro aspecto mencionado é a atenção a pessoas com vício em jogos de apostas, a ludopatia, que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar.

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A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Pablo Marçal (PRTB)

Pablo Marçal (PRTB)
Foto: Reprodução/Instagram

Apesar de estar inelegível, Pablo Marçal registrou candidatura após uma liminar e é candidato pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Ele propõe a redução das filas na saúde pública por meio de um Prontuário Único Nacional, além de implementar a integração da telemedicina ao SUS.

Defende também a criação de um Programa Nacional de Saúde Mental, assim como a construção de Polos Tecnológicos para fomentar pesquisas e otimizar o atendimento à população.

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Renan Santos (Missão)

Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Renan Santos, candidato do Missão, tem como meta para o setor superar a dificuldade de acesso e a sobrecarga do SUS. Para isso, pretende formatar a fila na saúde pública baseada em critérios de prioridade e não mais em ordem cronológica. Defende também a criação de um sistema digital de saúde que combine telemedicina, diagnósticos por Inteligência Artificial, monitoramento clínico e histórico permanente. 

 A proposta tem como inspiração parcial o DoctorSV, sistema oficial de saúde digital e telemedicina 24 horas do governo de El Salvador, desenvolvido em parceria com a Google e o CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe).

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O programa de Renan Santos prevê ainda mudanças administrativas para aumentar a eficiência dos serviços públicos e reduzir desperdícios, assim como a elaboração de um plano de isenções fiscais com atividades esportivas. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Romeu Zema (Novo) 

Romeu Zema (Novo)
Foto: Divulgação/Equipe Zema

Zema apresenta uma proposta centrada em gestão, eficiência e digitalização dos serviços de saúde. O candidato tem como meta a melhoria na conectividade das unidades de todo o País. Para isso, defende a criação de um histórico clínico em um registro nacional, com controle dos dados pelo cidadão. 

Para reduzir o tempo de filas, propõe a integração do SUS com clínicas e hospitais privados para a realização de consultas, exames e cirurgias, bem como a expansão da rede de hospitais por meio de concessões, parcerias público-privadas e contratos de gestão com Organizações Sociais de Saúde. 

Zema também pretende modernizar a regulação sobre planos de saúde para aumentar a competitividade no setor, da mesma forma que mira a integração entre universidades e empresas médico e farmacêuticas para diminuir a dependência externa de insumos e equipamentos.

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A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado (PSD)
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Ronaldo Caiado é candidato pelo Partido Social Democrático (PSD) e propõe em seu plano de governo o reforço da medicina preventiva, a reorganização das filas do SUS com prioridade para pacientes mais graves, a digitalização do sistema de saúde e a recuperação dos índices de vacinação.

Caiado, que é médico, defende o uso de inteligência artificial na gestão e no diagnóstico de doenças, além de propor políticas voltadas ao envelhecimento, destacando a criação de um programa nacional de prevenção da fragilidade, quedas e fraturas. O candidato entende haver um aumento da 'solidão' e da demanda por instituições de acolhimento. Assim, trata a saúde mental como prioridade nacional. 

O fortalecimento da Atenção Básica e a prevenção também estão no cerne das ideias propostas por Caiado, a fim de estimular a realização de exames preventivos e reduzir a incidência de doenças diagnosticadas apenas em estágios avançados.

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Rui Pimenta (PCO)

Rui Costa Pimenta (PCO) é candidato à Presidência
Foto: WAGNER ORIGENES/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Rui Pimenta, candidato pelo Partido da Causa Operária (PCO), centraliza o plano de governo na valorização dos profissionais da saúde, com aumento do piso salarial, na construção de hospitais e postos de saúde em todo o país e defende também que não haja um limite de gastos para investimentos no setor.

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"Defendemos um aumento maciço das verbas para a saúde pública, sem qualquer teto ou limite fiscal para os gastos necessários à vida do povo, além de um plano nacional de construção de hospitais e postos de saúde", afirmou o candidato, via assessoria de imprensa, à reportagem.

"Também propomos ampliar a formação de profissionais, com a abertura de centenas de cursos de medicina, enfermagem e outras áreas nas universidades públicas, sem vestibular, a validação imediata dos diplomas de médicos brasileiros e estrangeiros residentes no País e a retomada do Mais Médicos. A saúde deve ser pública, gratuita e colocada sob o controle dos trabalhadores, e não subordinada ao lucro das empresas privadas", complementou. 

Samara Martins (UP)

Samara Martins, candidata à Presidência pelo UP
Foto: LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Samara Martins é candidata à presidência pelo Unidade Popular (UP) e defende o fortalecimento e a universalização do SUS com aumento dos investimentos públicos e a ampliação da oferta de serviços, tornando o sistema 100% estatal, sem concessões de gestão para organizações sociais, fundações privadas e cooperativas empresariais. 

A proposta está associada a uma política de saúde integral com maior atenção à prevenção e aos determinantes sociais da saúde. A candidata, que é dentista pelo SUS, também defende maior valorização dos profissionais da área a partir da aplicação integral dos pisos salariais nacionais das categorias.

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A equipe do candidato foi contactada pela reportagem, mas não enviou um posicionamento até a publicação deste texto.

Veterinário Wilson Grassi (Democrata)

Veterinário Wilson Grassi, candidato à Presidência da República
Foto: @wwgrassi via Instagram/Reprodução / Estadão

Wilson Grassi propõe que a política sanitária deve ser encarada de forma única, integrando a saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. Grassi entende que boa parte de emergências clínicas que atingem pessoas tem origem animal e por isso defende um fortalecimento técnico e permanente de vigilância de zoonoses, com financiamento federal. 

O candidato prevê ainda a criação de uma fila nacional única e pública com critério clínico de prioridade e posição consultável pelo próprio paciente. Como forma de fiscalização, entende haver a necessidade de auditoria pública dos tempos de espera. 

"A nossa candidatura defende uma transformação inovadora na saúde pública. Nessa linha, queremos implementar o que chamamos de Saúde 3.0. O foco da Saúde 3.0 concentra esforços, principalmente, no incentivo à prevenção de doenças", explicou Grassi, via assessoria de imprensa, à reportagem.

"Como médico veterinário e alguém que sempre se interessou pela saúde de humanos e animais, observo um claro quadro geral na área da saúde que costumo classificar como 'quatro cavaleiros do apocalipse', que são: doenças metabólicas, como diabetes; doenças cardiovasculares, como infarto e câncer; doenças neurológicas, como AVC, Alzheimer, entre outras."

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"A medicina 2.0 trouxe diagnósticos e tratamentos para essas doenças e levam as pessoas a viverem mais, porém, muitas vezes elas têm uma sobrevida de baixa qualidade, acamadas ou limitadas. Diante desse problema, nós vamos desenvolver programas voltados à prevenção, pois todas elas ou sua grande maioria podem, sim, serem prevenidas. Queremos que a população viva mais e viva com qualidade", afirmou.

Fonte: Portal Terra
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