Em entrevista na Record, sem pressão e interrupções, Flávio Bolsonaro (PL) falou sobre a nomeação de ministros “contra o aborto” ao Supremo Tribunal Federal (STF), diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro será anistiado e terá papel de conselheiro, e não se comprometeu ao responder pergunta sobre a escala 6 x 1. A entrevista conduzida pela jornalista Mariana Godoy foi gravada e transmitida neste domingo, 30.
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Assim como na sabatina em que participou na Rede Globo na última sexta-feira, 28, a primeira pergunta direcionada ao candidato foi sobre o banco Master e o repasse milionário do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes, para financiar o filme Dark Horse, obra que conta a história de Jair Bolsonaro.
A jornalista Mariana Godoy questionou se Flávio pretende divulgar novos documentos sobre as movimentações financeiras, ou se os eleitores deverão se informar apenas pelo que está sendo divulgado pela imprensa. E Flávio repetiu a mesma resposta: alegou que não há nada de errado em um filho buscar patrocínio privado para produzir um filme sobre o pai, que o investimento não conta com contrapartidas e alega que não há dinheiro público no montante. "Estou tranquilo quanto a isso". Em paralelo, enquanto tentou se descolar da imagem do banqueiro, tentou colá-lo a Lula (PT), seu principal adversário político.
Em uma dinâmica diferente da que Flávio enfrentou na bancada composta por Renata Vasconcellos e César Tralli na Globo, o candidato não foi questionado sobre suas respostas na Record. De maneira geral, após ele responder, o programa passava para a próxima pergunta.
Ao longo da entrevista, Flávio confirmou que a primeira coisa que irá fazer se eleito presidente da República será declarar o Comando Vermelho, o PCC e as milícias como organizações terroristas, e que fará "tudo que estiver ao seu alcance para libertar o povo brasileiro". Ele também disse que não buscará interferência dos Estados Unidos no Brasil, e sim formar um acordo com outros países americanos -- criando o que chamou de "escudo das américas" -- para combater o narcotráfico internacional.
Questionado sobre emprego, a Record perguntou se Flávio é a favor da mudança da escala 6 x 1, que está em discussão no Congresso. Ele não se colocou diretamente contrário à proposta, tema de apelo ao eleitorado brasileiro, mas afirmou que irá "defender a liberdade do trabalhador escolher qual será a sua escala de trabalho". O candidato explicou que acredita em uma proposta alternativa, "muito melhor do que o governo está propondo na véspera da eleição".
Sobre Jair Bolsonaro, Flávio voltou a se comprometer com garantir a anistia aos condenados pela trama golpista e disse que, se eleito, terá o pai como conselheiro em seu governo. Sem cravar algo a respeito, ele disse que, se Jair quiser, terá um posto de ministro.
Flávio chamou a atenção para o fato de que o próximo presidente eleito poderá indicar quatro nomes ao Supremo Tribunal Federal. Há uma vaga aberta, de Luíz Roberto Barroso, que aposentou, e outras três que surgirão. No caso, os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes passarão pelo processo de aposentadoria compulsória até 2030. O candidato diz que irá indicar "homens e mulheres comprometidos contra o aborto" e que "não usem a caneta contra ninguém". Ele não quis adiantar nomes.
A Inteligência Artificial foi uma questão elencada em diversos pontos na entrevista com o candidato. Ele falou sobre a possibilidade de expandir a presença de data centers no Brasil e que "detalhes técnicos", com relação ao que pode gerar problemas ambientais, podem ser resolvidos. Além disso, ao falar sobre economia e como pretende resolver a dívida pública, Flávio citou sua proposta de criar uma governança digital com inteligência artificial, um "data center soberano no Brasil", que irá controlar o dinheiro público em todos os seus âmbitos.