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Flávio Bolsonaro defende dinheiro de Vorcaro para filme do pai, cita ligação da Globo com Master e alfineta Lula

Candidato do PL é o quinto entrevistado da série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis

28 ago 2026 - 21h38
(atualizado às 22h39)
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Flávio Bolsonaro nos Estúdios Globo
Flávio Bolsonaro nos Estúdios Globo
Foto: Manoella Mello/Globo

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) é o quinto a participar da série de sabatinas com os presidenciáveis promovida pela TV Globo na noite desta sexta-feira, 28, e começou sendo questionado sobre o escândalo do Banco Master. O candidato defendeu o uso do dinheiro de Daniel Vorcaro para filme do pai, Jair Bolsonaro, cita ligação da Globo com Master e alfineta Lula. Em entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, Flávio foi à emissora com "cola" na palma da mão. 

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O escândalo do Banco Master foi o primeiro assunto abordado pela bancada da Globo. Renata citou a questão do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, ter repassado R$ 61 milhões para financiar o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro. A jornalista relembra o vai e vem de Flávio em negar e, depois, reconhecer relações com ele. "Como convencer o eleitor que você não teve um relacionamento próximo com Vorcaro?", questiona. 

Flávio, que começou nervoso e pediu desculpas pela conduta de Lula (PT) na entrevista com a bancada, seguiu respondendo na mesma linha do que tem repetido nos últimos meses: "Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para um filme sobre o próprio pai. Não há nada de errado neste filme. Não fui buscar recursos em Lei Rouanet ou em recursos públicos". O candidato afirmou que todo o dinheiro foi utilizado para o filme e que não houve qualquer contrapartida a Vorcaro considerando seu cargo de senador.

Quando os jornalistas citaram a troca de mensagens em que Flávio mandou "estou e sempre estarei contigo" a Vorcaro, ele disparou: "É importante separar o tipo de relação privada que envolve o patrocínio para o filme, que é o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também R$ 160 milhões de reais em um programa do Luciano Huck, aqui da Globo. Não tem absolutamente nada de errado." Na sequência, Tralli ressaltou que todo patrocínio em torno do Grupo Globo está dentro das leis, segue as normas da publicidade e é registrado com absoluta transparência. 

"A única relação que eu tive com ele foi com esse filme. Era um sonho que estava se realizando. Jair Bolsonaro merece uma obra-prima como o filme, contando a história dele como um herói. Ele resistiu, inclusive, a uma facada até chegar à Presidência da República", afirmou, sem apresentar detalhamentos sobre o caminho do dinheiro e repetindo que tudo já está esclarecido. 

Flávio tenta descolar sua imagem à de Vorcaro enquanto tenta o aproximar de adversários políticos. "O que não é adequado é um Presidente da República receber, em uma reunião secreta, um banqueiro prometendo ajudá-lo a resolver um problema do seu banco. Quem deve esclarecimentos é o atual Presidente da República", disse, quando questionado sobre seu encontro com Vorcaro após os escândalos em torno do banqueiro já terem sido revelados.

Flávio Bolsonaro com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo
Flávio Bolsonaro com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo
Foto: Manoella Mello/Globo

Tentativa de golpe de Estado

"Que garantias o eleitor tem de que seu grupo político não vai voltar a atacar a democracia se o senhor for eleito?", questiona Tralli, citando detalhes do julgamento da trama golpista. Flávio chama tudo de farsa e diz que Bolsonaro foi julgado pelos seus inimigos. "Como que houve organização criminosa armada? As pessoas que estavam no 8 de janeiro nem se conheciam. E não foi encontrada uma arma naquele dia. Como que ele pôde ser condenado por depredação de patrimônio público se ele estava a quilômetros de Brasília?", disse, contestando a lisura do julgamento. 

Em um julgamento histórico em setembro passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por 4 votos a 1, o ex-presidente Jair Bolsonaro à pena de 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Foi a primeira vez na história do Brasil que um ex-chefe de Estado foi condenado por crimes de tentativa de golpe.

Flávio diz que é o único candidato capaz de trazer segurança jurídica de volta e "recolocar as instituições em seu devido lugar". Em crítica ao Supremo, ele cita o caso da decisão polêmica de Alexandre de Moraes que quebrou um sigilo de fonte jornalística, apontada como um precedente perigoso à liberdade de imprensa por muitos especialistas. "Vou trabalhar para que a anistia aconteça ainda na transição", afirmou.

Sobre o sistema de votação, Renata pergunta o por que voltar a atacar a credibilidade das urnas eletrônicas como fez o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio abaixa o tom, reconhece equívoco, e diz que não questiona -- e que jamais questionou -- o processo eleitoral: "Quero dizer a todos que vou respeitar o processo eleitoral. Vou respeitar o resultado das eleições. Eu vou me tornar Presidente da República com essas regras.”

Tarifaço e EUA

Eduardo Bolsonaro comemorou tarifaços dos Estados Unidos, pediu para brasileiros agradecerem a Trump, e fez questão de dizer que atuou para obter medidas contra autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no processo criminal de Jair Bolsonaro. "Por que, nesse episódio, ele colocou esses interesses da família Bolsonaro à frente dos interesses do Brasil?", pergunta a bancada da Globo a Flávio. 

Flávio nega, diz que Eduardo faz "trabalho de conscientização" e que tentou defender o Brasil contra o tarifaço. "Foi o Lula que cavou essa tarifa. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras", disse, mais uma vez citando o presidente e adversário da corrida eleitoral. Depois, reconhece que Eduardo errou em agradecer pelas tarifas.

"Ele [Eduardo Bolsonaro] assumiu que estava trabalhando pela liberdade do povo brasileiro e denunciou aquele que é um violador dos direitos humanos, Alexandre de Moraes", comentou, com relação à aplicação da Lei Magnitsky.

E o PIX? Os EUA acusam o Banco Central brasileiro de favorecer o PIX em prejuízo a empresas americanas. Flávio diz que não pretende colocar o PIX na mesa de negociação, diferente do que seu irmão, Eduardo, deu a entender em falas passadas. "O pix é sagrado, é do brasileiro. É inegocíavel", afirmou.

Flávio Bolsonaro foi o entrevistado desta sexta-feira no Jornal Nacional.
Flávio Bolsonaro foi o entrevistado desta sexta-feira no Jornal Nacional.
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Adriano da Nobrega e rachadinhas

Flávio Bolsonaro tinha relações com Adriano da Nobrega, que liderou o escritório do crime no Rio de Janeiro. O político chegou a homenageá-lo: "e por que homenagear um dos maiores matadores do Rio de Janeiro?", perguntam os jornalistas. Nobrega, apontado como um dos principais assassinos de aluguel do Brasil, foi morto em operação policial na Bahia.

Flávio diz que essa homenagem aconteceu há mais de 20 anos e nega que, naquela época, Nobrega era criminoso. "Era um policial exemplar que estava preso injustamente", afirma. Para o candidato, o gesto da homenagem não foi só para ele, mas "para toda guarnição que estava sendo condenada por ter trocado tiros com vagabundos e matado um marginal". Ele diz que sua bandeira sempre foi em defesa dos "bons policiais". 

O candidato do PL diz que não pode ser responsabilizado pelo que uma pessoa se transforma anos depois, e Renata cita que investigações sobre rachadinha no gabinete de Flávio mostraram que a esposa e a mãe de Nobrega foram empregadas na Alerj por ele. "As provas foram anuladas pela Justiça, mas o caso revelou a proximidade do senhor com a família dele. Por que empregar a familia de um chefe de grupo de matadores?", pergunta a jornalista. Flávio repete que ele foi preso injustamente, foi absolvido e que, quando o conheceu, ele era um policial exemplar. 

Economia e dívida pública

O problema fiscal no Brasil segue grave: em junho deste ano, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto), alcançando R$ 10,4 trilhões no mês. Esse é o maior valor desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,62% do PIB. O programa de governo de Flávio promete estabilizar e reduzir a dívida pública do Brasil, mas não aponta detalhamentos. "De quanto seria o seu ajuste fiscal em reais ou em pontos do PIB e de onde sairia esse dinheiro?", pergunta Tralli.

Flávio diz que a culpa da Selic "ir pra Lula" é de Lula. "Se fosse um governo preocupado em cortar gastos, certamente a dívida não estaria nesse nível”. Apesar de comentar o caso, ele não responde a pergunta inicial. 

O assunto passa para salário mínimo, e Flávio diz que "quem recebe salário mínimo está perdendo o poder de compra por causa da gastança do Governo". Nisso, se compromete a reduzir ministérios, "fazer ‘tesouraço’ nos impostos” e cortar mais de mil atos normativos por decreto no início do mandato, se eleito. 

Flávio diz que seu governo irá combater a corrupção e que os gastos públicos serão controlados por uma "governança tecnológica". "Não farei economia com salário mínimos, nem com aposentados", alega.

*Matéria em atualização

Quando os outros candidatos serão entrevistados?

Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Foto: Wilton Junior/Tiago Queiroz/Cauê Del Valle/Divulgação MBL/Taba Benedicto / Estadão

As entrevistas tiveram início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). O candidato defendeu anistia a Bolsonaro, disse ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofreu mais de 10 interrupções de Renata e Tralli. 

Na terça-feira, 25, foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). O candidato evitou responder perguntas comprometedoras, detalhar planos econômicos, tentou se colocar como 3ª via e se comprometeu com um projeto de 'anistia ampla, geral e irrestrita' aos condenados pelo 8 de janeiro para pacificar o Brasil. A entrevista foi marcada por cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupções de Renata Vasconcellos e César Tralli, que muitas vezes foram ignorados pelo ex-governador de Goiás.

Na quarta-feira, 26, Renan Santos (Missão) foi entrevistado. O candidato defendeu o desenvolvimento de bomba nuclear para fazer do Brasil protagonista e soberano, se disse alinhado do entendimento "prendeu, matou", e reivindicou uma reforma da Previdência.

Na quinta-feira, 26, o entrevistado foi Lula (PT). O candidato começou sendo questionado sobre o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado em três inquéritos pela Polícia Federal. "Vai ter que provar a inocência", rebateu. Além disso, polêmicas deram tom à noite, com casos do INSS, Master, dívida pública e crise em estatais sendo elencados.

Agora, após Flávio, resta apenas a entrevista de Augusto Cury (Avante), marcada para sábado, dia 29. 

Cada entrevista tem 40 minutos de duração, com dois blocos, e um minuto para considerações finais no encerramento. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi sorteada. 

Fonte: Portal Terra
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