Mendonça vota por manter decisão que tirou do ar posts sobre Nossa Senhora Aparecida

Decisão é analisada pelo colegiado do TSE nesta quarta-feira, 30, em julgamento virtual

30 set 2026 - 09h49
(atualizado às 11h12)
Ministro André Mendonça, do TSE
Ministro André Mendonça, do TSE
Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou para manter sua decisão de retirar do ar as publicações que ligavam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto movimento de retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil. O caso é analisa em plenário virtual pelos sete ministros do TSE.

O voto do ministro foi inserido no sistema antes do começo da sessão virtual, programada para acontecer a partir das 10h desta quarta-feira, 30. O julgamento seguirá até as 23h59.

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Também participam da votação os ministros Dias Toffoli, Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques, Nunes Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior.

Sem censura

Em seu voto, Mendonça afirmou que sua decisão "em hipótese alguma" configura restrição ao exercício da liberdade religiosa, ou impede o debate sobre religião e política. O ministro também argumentou que a medida preserva o direito irrestrito de qualquer pessoa defender a manutenção da santa como padroeira nacional.

"É irresponsável imputar às decisões qualquer cerceamento à liberdade religiosa. Nenhum dos pronunciamentos contém comando dessa natureza e, ademais, a trajetória acadêmica e jurisdicional deste julgador aponta precisamente em direção contrária", escreveu. 

O ministro ainda afirmou que “confundir uma fake news com restrição à fé” representa inversão do conteúdo objetivo da decisão, pois a “fé não estava em julgamento”, tampouco a Nossa Senhora Aparecida. “O que estava submetido à Justiça Eleitoral era a circulação, às vésperas do pleito, de uma afirmação factual concretamente falsa sobre a atuação de um candidato", defendeu. 

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Por fim, Mendonça declarou que as medidas adotadas "não caracterizam censura prévia", pois não se trata de "controle estatal antecedente" do que pode ou não ser publicado. 

Entenda o caso

A partir de uma fake news, ganhou força a acusação de que Flávio e outros políticos de direita teriam intenção de retirar da santa católica o título de padroeira do Brasil. Entre milhares de publicações, o comentário do humorista Antonio Tabet, que afirmava: 'A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida'. 

Mendonça, então, ordenou que as empresas Meta, X, TikTok e YouTube retirassem de suas redes as postagens com menções que ligavam a suposta iniciativa a Flávio Bolsonaro. Ao todo, 1.125 postagens saíram do ar. 

Na sua decisão, Mendonça considerou "notoriamente inverídica" a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família "propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil".

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Num vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro desmentiu a afirmação, cuja disseminação atribuiu à militância do PT. "Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto", afirmou o senador.

No último domingo, 27, o ministro Flávio Dino determinou o restabelecimento de publicações que faziam a falsa associação de Flávio ao projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira. Na segunda, 28, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão do colega.

Fonte: Portal Terra
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