Flávio aciona TSE contra Durigan por atuação de ministro em campanha

Advogados do candidato à Presidência protocolaram documento nesta segunda-feira; peça elenca reportagens que mostram atuação de ministro como representante de Lula; procurado, o Ministério da Fazenda ainda não se manifestou

24 ago 2026 - 23h20
(atualizado em 25/8/2026 às 07h59)
Resumo
O senador Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra o ministro da Fazenda, Dario Durigan, acusando-o de usar a estrutura do ministério e agendas oficiais para atuar como porta-voz da campanha de reeleição de Lula. A ação aponta desvio da máquina pública em entrevistas e eventos políticos, pedindo a preservação de documentos, a proibição do uso de recursos federais em compromissos eleitorais e sanções a Durigan e Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ministro da Fazenda Dario Durigan. O parlamentar acusa Durigan de usar a estrutura da pasta para fazer campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No documento, protocolado nesta segunda-feira, 24, os advogados de Flávio elencam reportagens que, segundo ele, comprovariam atuação do ministro como um "porta-voz econômico" do presidente. Isso, segundo a peça, configuraria o uso da máquina administrativa em favor da candidatura de Lula.

Publicidade

Procurado, o Ministério da Fazenda ainda não se manifestou.

A primeira reportagem citada é uma reportagem do site Poder360, de 29 de julho, que conta sobre ida de Durigan à Faria Lima, em São Paulo (SP), para dialogar com o mercado sobre um eventual quarto mandato de Lula.

O presidente da da República Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Dario Durigan
O presidente da da República Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Dario Durigan
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Em seguida, citam reportagem da Folha de S.Paulo, de 14 de agosto, que apresenta o ministro como "porta-voz econômico" da campanha à reeleição, e reportagem de O Globo, de 21 de agosto, que o descreve como "interlocutor econômico" da candidatura petista.

A representação também questiona a agenda oficial do Ministério da Fazenda registrada em 17 de agosto. Nesta data, Durigan cumpriu, em São Paulo, compromissos classificados pelos advogados como "eleitorais". Para eles, essa mistura entre a agenda oficial e eventos tidos como políticos mostra que as atividades da campanha teriam sido "administrativamente absorvidas" pela agenda funcional.

Publicidade

Outro ponto citado é uma entrevista de Durigan à rádio CBN, em 20 de agosto. Esse compromisso fazia parte de uma série de entrevistas da emissora com representantes econômicos de candidaturas presidenciais. Também participou a integrante da campanha de Flávio, Daniella Marques. Segundo a petição, o compromisso apareceu na agenda oficial como evento do "Ministro da Fazenda", mas a entrevista tratou do programa de governo da candidatura à reeleição.

Os advogados citam ainda o convite da GloboNews para um debate marcado para 1º de setembro entre "coordenadores econômicos" dos candidatos à Presidência, no qual a emissora já identifica Durigan como representante de Lula.

Com base nesses elementos, a defesa de Flávio pede ao TSE que determine ao Ministério da Fazenda e a outros órgãos federais a preservação e a apresentação de documentos referentes aos compromissos citados. Os advogados pedem que Durigan seja impedido de usar recursos públicos para futuros compromissos na condição de representante da campanha de Lula, incluindo o debate da GloboNews.

Caso as condutas sejam reconhecidas, a representação pede a aplicação das sanções cabíveis tanto a Durigan, como agente público responsável, quanto a Lula, na condição de beneficiário.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se