Elas são 52% do eleitorado, mas o poder ainda está distante: quem é a mulher que decide os rumos no Centro-Oeste?

Entre migração, trabalho, violência e acesso a serviços públicos, mulheres da região revelam suas experiências e demandas

28 set 2026 - 04h58
(atualizado às 15h45)
Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios
Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios
Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Enquanto ela acorda, se arruma para o trabalho, prepara o café e começa mais um dia, algumas das decisões que podem mudar a sua vida estão sendo tomadas logo ali, a um Estado, uma cidade, ou alguns bairros de distância. No Centro-Oeste, o poder federal faz parte da paisagem. Mas a proximidade entre quem decide e quem vive os efeitos dessas decisões não significa necessariamente identificação.

  • Essa reportagem faz parte do especial Mulheres do Brasil nas urnas, que traz um Raio-X das eleitoras e candidatas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul

No fim do dia, depois de trabalhar, pagar contas, cuidar da casa, dos filhos e de tudo o que a vida exige, sobra uma pergunta: como ela enxerga as decisões tomadas logo ao lado? Quem é essa mulher? O que importa para ela? O que a preocupa? E, sobretudo, quando olha para Brasília, vê alguém falando por ela?

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Há uma mulher no centro da política do Centro-Oeste. Ela representa 52% do eleitorado da região, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tem, em sua maioria, entre 24 e 44 anos, é solteira e concluiu pelo menos o ensino médio. 

No Distrito Federal, em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, convivem mulheres que nasceram na região com outras que chegaram de diferentes partes do País. Ela trabalha, cuida dos filhos, dos pais, da casa e das contas. Pensa na escola, no posto de saúde, na segurança da rua, no preço da comida e nas oportunidades para os filhos. Ao mesmo tempo, pode carregar valores religiosos, familiares e conservadores e viver em uma região marcada pela força do agronegócio, pelo funcionalismo público e por cidades que cresceram mais recentemente do que as grandes metrópoles brasileiras. 

É justamente essa diversidade que dificulta a construção de um retrato único da eleitora. Há, entre elas, pontos de convergência, como a preocupação com educação, saúde, segurança, renda e representação, mas também experiências e visões políticas bastante distintas.

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Eleições 2026

Eleitorado Feminino no Centro-Oeste

Total Mulheres: 6.267.382 (52,24%)
 
MT Mato Grosso 1.312.180 eleitoras GO Goiás 2.691.700 eleitoras MS Mato Grosso do Sul 1.058.502 eleitoras Distrito Federal (DF) 1.205.000 eleitoras * Toque ou passe o cursor sobre qualquer estado para inspecionar
Dados Oficiais TSE

Goiás (GO)

Capital: Goiânia

GO
Mulheres Aptas
2.691.700
53,00% do total
Homens Aptos
2.386.300
47,00% do total
Feminino: 53.0% Masculino: 47.0%
 
 
Total de Eleitores no Estado: 5.078.000

Maior colégio eleitoral da região Centro-Oeste, onde as mulheres possuem vantagem numérica superior a 305 mil votos.

Estado (UF) Eleitoras (Mulheres) % Feminino Eleitores (Homens) Total Geral
Fonte: Dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2026. Região Centro-Oeste • Brasil

Uma região feita de quem chegou

Para Kelly Quirino, especialista em Gênero e Raça e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), uma parte importante da explicação está na própria formação econômica e social da região. O Centro-Oeste passou por um processo de urbanização mais tardio e recebeu, ao longo do século 20, fluxos migratórios de diferentes partes do Brasil.

A expansão do agronegócio transformou Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, enquanto Brasília criou uma concentração particular de empregos públicos e serviços. Essa trajetória produziu uma população que não tem necessariamente a mesma experiência urbana de regiões mais industrializadas do País. Em muitas cidades, o setor de serviços ocupa papel central no mercado de trabalho feminino.

Colheita de cana-de-açúcar na Usina de Etanol Itamarati, situada na Rodovia MT-358, na Zona Rural de Nova Olímpia, no estado do Mato Grosso.
Foto: J.F.Diorio / Estadão

É nesse contexto que Kelly identifica uma eleitora que, em sua avaliação, tende a se posicionar entre o centro e o conservadorismo, especialmente pela influência da religiosidade, da família e, em determinadas regiões, da cultura ligada ao agronegócio. Mas a professora ressalta que essa característica não dá conta de todas as mulheres que vivem no Centro-Oeste.

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A própria história de migração da região ajuda a explicar a variedade. Famílias que vieram do Sul, de Minas Gerais, do Nordeste e de outras partes do país levaram consigo religiões, costumes, formas de organização familiar e visões políticas diferentes.

"Tem muitas famílias que conseguiram melhorar de vida em relação às mães, às avós, por causa do agronegócio ou do serviço público" -- Kelly Quirino

A migração também está relacionada a uma percepção de ascensão social. Para muitas famílias, a mudança para o Centro-Oeste significou a possibilidade de melhorar de vida em relação à geração anterior.

A experiência de Ana Célia Barreto mostra um recorte dessa realidade. Advogada, professora e pesquisadora de relações raciais, ela vive em Brasília como mãe solo e mora com a mãe e a filha. Ana nasceu em uma família do Rio de Janeiro. Seu pai foi para a capital federal e passou a atuar na construção administrativa da capital, dentro do funcionalismo público. Com isso, Ana e sua família tiveram acesso à estrutura do estado em uma época em que o DF era foco de crescimento. 

"Eu ouso dizer, sem medo de errar, que os lugares que a gente tem acesso hoje é porque achavam que não ia dar certo" -- Ana Célia Barreto

"Eu sempre tive toda a estrutura nas escolas particulares e depois eu fui para escolas públicas que eram escolas e ainda são escolas de referência aqui."

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Sarah Muricy, moradora de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, também foi atraída pela oportunidade de crescimento. Sarah, natural da Bahia, diz que encontrou no Estado um mercado de trabalho favorável quando se formou e, posteriormente, uma rede de apoio para sua atuação como produtora cultural.

"Mato Grosso do Sul é um estado muito jovem, ele foi dividido em 77", relembra. "Muitas coisas, especialmente no que diz respeito à cultura, eu presencio e eu participo da construção dessas coisas neste Estado."

A política começa no supermercado

Inflação é vista no supermercado
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Apesar das diferenças, algumas preocupações aparecem repetidamente entre as eleitoras: saúde, educação, segurança e custo de vida.

Kelly Quirino chama a atenção para uma característica da vida feminina que interfere diretamente nessa percepção. Muitas mulheres são responsáveis não apenas por trabalhar e gerar renda, mas também por organizar o cotidiano da família. "É a mulher que cuida da casa, que administra as contas da casa", explica. 

Ela acompanha a alimentação, marca consultas, leva filhos ao médico, cuida dos pais que envelhecem e percebe quando o dinheiro deixa de ser suficiente. Para mulheres entre 30 e 50 anos, essa sobreposição de responsabilidades pode ser ainda mais pesada. 

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O preço dos alimentos, a dívida da família, o salário que compra menos e a necessidade de escolher onde gastar são experiências que ajudam a formar uma avaliação política. É nesse ponto que Kelly resume uma lógica de decisão que, para ela, atravessa diferentes posições ideológicas: "Quem melhorou ou piorou a minha vida?."

Essa preocupação financeira também aparece na avaliação da psicóloga Thaise Ribeiro. Ela é natural de Goiânia, mas vive atualmente com o marido e os dois filhos em Pontalina, cidade a 118 km da capital goiana. 

"Hoje, para mim, o Brasil enfrenta todos os tipos de problema. Porém, hoje o que mais me preocupa é a economia brasileira. De modo geral, a forma como tá sendo administrada, esse déficit, o maior déficit nosso da história da economia, esse arrombo que nós estamos vivendo, a maior arrecadação com o maior gasto" -- Thaise Ribeiro

A professora de Ciência Política Camila Romero, da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressalta outro aspecto: as demandas também variam de acordo com a relação da mulher com o Estado.

Para quem depende da rede pública, educação, saúde e assistência social podem estar entre as questões mais importantes. Para quem utiliza serviços privados, outras pautas podem ganhar peso.

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"Saúde, educação e segurança" aparecem, na avaliação da cientista política, entre as áreas que mobilizam o eleitorado feminino. Mas não se trata apenas de grandes políticas nacionais. Iluminação, asfalto, conservação dos bairros, transporte e espaços públicos também fazem parte da experiência política. A política, nesse sentido, está na rua.

Uma eleitora atenta

Eleitora durante teste das urnas
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

A sobrecarga de cuidado também ajuda a explicar por que as mulheres podem olhar para determinadas políticas públicas de maneira diferente dos homens. Elas não apenas utilizam os serviços. Muitas vezes são responsáveis por garantir que outras pessoas consigam utilizá-los. A consulta médica do filho. A matrícula na escola. O remédio da mãe. A alimentação da casa. O deslocamento para o trabalho.

A professora do UFG observa que a emancipação feminina também mudou as demandas. Nos últimos anos, cresceram reivindicações relacionadas à autonomia financeira, ao acesso ao mercado de trabalho, à saúde, à proteção da integridade física e ao cuidado. Nas capitais e cidades maiores, ela identifica uma parcela significativa de mulheres entre 30 e 40 anos que já conquistaram independência financeira ou estão em busca dela.

De acordo com Camila Romero, pesquisas nacionais tendem a apontar um comportamento mais analítico entre as mulheres na hora do voto: a comparação entre propostas, candidatos e demandas.

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"Então, para mim tem que estar tudo andando em conjunto. Não vai ter o político perfeito. Eu olho o histórico do que foi feito" -- Ana Célia, que diz que o histórico do candidato pesa mais que promessa isolada

Também não existe uma única forma de acompanhar a política. Segundo a cientista política, mulheres podem recorrer a veículos de comunicação, pessoas próximas e redes sociais para buscar informações e refletir sobre as candidaturas.

E isso é visto na prática. Sarah Muricy, por exemplo, diz que procura deliberadamente diversificar o conteúdo que recebe nas redes sociais. Ela fala em "educar o algoritmo" para ter contato com diferentes pautas e grupos sociais. Já a advogada Ana Célia combina diferentes fontes com as informações virtuais: assina jornais, mantém o hábito de ler o jornal impresso e compara informações de veículos diferentes.

A psicóloga Thaise Ribeiro também destaca que costuma se informar pelo marido e pelo jornal da Jovem Pan, no rádio e pela TV, além das mídias sociais. 

Violência contra a mulher

Violência contra mulher é uma preocupação
Foto: iStock / Getty Images

Se há uma preocupação que atravessa diferentes perfis de eleitoras, é a violência contra a mulher. Ela aparece tanto na experiência de quem vive em grandes cidades quanto de quem está no interior, e não se restringe a uma determinada posição ideológica.

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Segundo o Mapa da Segurança Pública, a região do Centro-Oeste registrou a maior taxa de feminicídios do País em 2024. Foram 1,87 casos por 100 mil mulheres. A média nacional é de 1,34 casos.

Moradora de Campo Grande, Sarah ressalta: "Mato Grosso do Sul é um território muito hostil para ser mulher". Não basta, para ela, que existam leis ou que o Estado anuncie que combate a violência: é preciso ter investigação, policiais preparados e condições para que a mulher consiga denunciar e ser protegida. "A certeza da impunidade desses homens é inabalável."

Na visão de Thaise Ribeiro, a falta de segurança das mulheres também está ligada a falta de oportunidades profissionais. Para ela, os casos aumentam no governo Lula por causa dos problemas econômicos. 

"Quando mais economicamente um País crescer, mais oportunidades uma mulher tem, mais livre ela vai ser. (...) Quanto mais próspera uma mulher, menos ela vai ter medo de sair das relações, de crescer e buscar um futuro melhor" -- Thaise Ribeiro

A preocupação também se mistura à percepção mais ampla de segurança. No Centro-Oeste, Kelly Quirino identifica um paradoxo: existe um medo crescente da violência, alimentado também pelo que circula nas redes sociais e nos meios de comunicação, ao mesmo tempo em que parte da população vive distante das áreas onde a violência é mais visível.

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A especialista em Gênero e Raça cita o receio, presente em determinados grupos, de que a região "se torne como São Paulo ou Rio de Janeiro". O problema, segundo a profissional, é que a violência e a vulnerabilidade já existem dentro do próprio Centro-Oeste, principalmente nas periferias, que muitas vezes permanecem invisíveis para quem vive nas áreas centrais e concentra maior renda. No entanto, pela própria formação geológica e histórica, com a ausência de morros, tais realidades não se misturam com os centros. 

Para Ana Célia, que mora em uma região central de Brasília, ter carro e casa própria permite uma rotina relativamente prática. Mas essa experiência muda radicalmente conforme aumenta a distância dos centros. 

Quando passou a dar aulas em Taguatinga e Ceilândia, a realidade foi outra. O deslocamento podia consumir duas horas no trânsito. "Essa lógica, que é a lógica de maioria dos brasileiros, é que me preocupa", afirma. Para ela, o transporte público do Distrito Federal não atende adequadamente à população. 

Quando não tinha carro, Ana Célia conta que chegou a abandonar uma prova no meio porque precisava correr para conseguir transporte para casa. O ponto de ônibus onde esperava ficava próximo à região onde o indígena Galdino foi queimado em 1997. A lembrança tornava o deslocamento noturno ainda mais angustiante.

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A educação como foco

Educação
Foto: Sumaia Vilela / Agência Brasil

A educação é central para as mulheres. Para Ana Célia, a área atravessa todas as outras áreas. "A prioridade que eu acho que tem que ter o próximo presidente? Educação sempre, sempre."

Sarah também ressalta educação e acesso. Professora por quase 12 anos, ela deixou a sala de aula em razão do que descreve como adoecimento dos docentes. "O adoecimento das pessoas docentes hoje é um assunto que urge a discussão e a rediscussão dessa pauta", afirma. Ela relata problemas estruturais, excesso de demandas e falta de suporte pedagógico. Na visão dela, o professor acaba assumindo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas pela estrutura escolar.

As duas experiências revelam uma eleitora que não olha para educação apenas como uma promessa de campanha. Ela aparece como algo diretamente relacionado à renda, ao trabalho, à mobilidade social e à possibilidade de uma mãe trabalhar sabendo que o filho está em uma escola de qualidade.

Apesar de reconhecer a importância da educação, a pisócologa Thaise Ribeiro, de 41 anos, é crítica ao modelo e diz que existe uma doutrinação nas universidades federais. 

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"Na minha época, buscar universidade federal era referência de ensino. Hoje, falo por mim, que sou mãe de dois filhos, pago escolas, penso na educação, e, hoje, não gostaria que o meu filho fizesse uma federal. Acho isso uma pena, porque nós temos universidades maravilhosas. (...) Hoje como as universidades federais são controladas pelos próprios alunos, então acho que merecia uma atenção para isso" -- Thaise Ribeiro

A mulher na política

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral ajudam a dimensionar a contradição. No Centro-Oeste, as mulheres são 52% dos eleitores, mas apenas 17% dos eleitos para cargos políticos são mulheres. Entre as candidaturas, elas representam 34%. Ainda assim, a proporção de candidaturas femininas da região é a maior do País. O percentual saiu de 32% em 2018 para 34% em 2020 e chegou a 35% em 2022 e 2024. 

Kelly Quirino lembra que, historicamente, muitas mulheres chegaram à política por meio de famílias que já tinham poder. Era comum que uma mulher herdasse o espaço político construído pelo marido, pelo pai ou por outro integrante da família. Em alguns casos, ela carregava o que Kelly Quirino define como o "espólio" político daquele homem.

A especialista Camila Romero chama atenção para uma distinção fundamental: candidatura não significa eleição.

"As candidaturas estão mais diversas, representando interesses muito mais diferentes do que representavam antes. Mas candidatura ainda significa apenas uma etapa do processo eleitoral" -- Camila Romero

No caso de Goiás, ela aponta um dado curioso. Nenhum município com mais de 100 mil habitantes elegeu uma prefeita em 2024. As mulheres tiveram maior presença entre as prefeitas de municípios menores.

A cientista polítcia também observa que, na eleição para a Câmara dos Deputados em Goiás, uma mulher foi a candidata mais votada e outra ficou na terceira posição. Para ela, isso mostra que existe um eleitorado disposto a votar em mulheres, embora a presença feminina no poder executivo municipal continue pequena.

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Fachada do Palácio do Congresso Nacional
Foto: Carlos Moura/Agência Senado / Estadão

Segundo a especialista, as dificuldades podem estar não apenas na decisão do eleitor, mas na própria construção das candidaturas: apoio partidário, acesso a recursos, estrutura de campanha e uso da máquina pública podem influenciar a competitividade.

A proximidade com o centro das decisões políticas do País não se traduz, necessariamente, em sensação de representação. Tanto Ana Célia quanto Sarah relatam perceber uma distância entre as mulheres que vivem no Centro-Oeste e aqueles que ocupam os espaços de poder. Em Brasília, essa contradição ganha uma dimensão particular: é a cidade onde decisões que afetam todo o País são tomadas, mas onde demandas locais persistem.

Para Thaise Ribeiro, é precisa ter paciência. "Nada é da noite para o dia", argumenta. Mesmo reconhecendo a importância da representativa feminina, a goiana deixa claro a sua posição conservadora e diz ser contra a presença de mulheres trans. "Não me representa, não consegue entender o feminino e nem as necessidades do feminino. Dexiando bem claro a minha visão política, Erika Hilton [deputada federal pelo PSOL e candidata a reeleição] não deveria nunca ser representante de uma mulher. Para mim, deveria ser uma mulher, independente se ela é homossexual ou não, mas uma mulher."

O Centro-Oeste em transformação

A transformação regional é um dos elementos que ajudam a compreender esse cenário. Camila Romero afirma que Goiás passou por mudanças políticas, econômicas e sociais significativas nas últimas três décadas. Goiânia, segundo ela, tornou-se mais plural e multicultural, incorporando novas demandas à política.

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"As candidaturas estão mais diversas, representando interesses muito mais diferentes do que representavam antes" -- Camila Romero

Essa diversidade, porém, ainda não se traduz integralmente em representação institucional. Sarah percebe a mesma transformação em Mato Grosso do Sul a partir de sua experiência profissional. Por atuar na produção cultural, diz acompanhar diretamente a construção de novos espaços e redes.

A região, portanto, aparece como um território ainda em construção.

Fonte: Portal Terra
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