Chanceler da Argentina diz que governo apoia Flávio Bolsonaro, mas que não há chance do país romper relações com o Brasil

Pablo Quirno citou a tensão criada entre os países a partir de críticas de Milei a Lula durante ato em apoio a Flávio Bolsonaro em São Paulo

29 jul 2026 - 16h35
(atualizado às 16h47)
Javier Milei participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Javier Milei participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira, 29, que o governo argentino não pretende romper relações com o Brasil. Em entrevista à rádio Mitre, ele explica que o presidente Javier Milei apoia Flávio Bolsonaro, mas que as críticas levantadas por ele contra Lula durante ato em São Paulo não serão levadas ao plano institucional.

“Acredito que precisamos situar este episódio mais recente no contexto de uma série de incidentes ocorridos entre o Brasil e a Argentina, decorrentes das diferenças políticas e ideológicas existentes, especificamente entre o presidente Milei e o presidente Lula. Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferentes", declarou o chanceler argentino.

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Milei participou da convenção partidária do Partido Liberal que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República no último sábado, 25. Segundo o chanceler, a participação no evento partidário foi um ato pessoal de Milei à família Bolsonaro e sem caráter institucional. 

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Ataques de Milei

No sábado, em São Paulo, o discurso de Milei foi marcado por duras críticas ao governo Lula e à esquerda. "Confiamos em Flávio para parar o lixo socialista", disse Milei. Ele ainda disse que os argentinos são "profetas de um futuro distópico".

"Acredito firmemente que não há outro capaz de acabar com o 'Risco Lula' que pende sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles. E sei que não há outro com a força para enfrentar as organizações criminosas e cartéis de narcotráfico que mantêm tantos bairros, comunidades e até cidades inteiras como reféns. Apenas alguém com uma vontade de ferro pode enfrentá-los, porque não é simples levar adiante semelhante batalha. E nisso, confio plenamente no meu amigo Flávio Bolsonaro!", afirmou. 

Milei seguiu criticando o "socialismo brasileiro". "O que quero dizer a vocês é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta no leme. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o lixo socialista", pontuou.  

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Após os ataques, o ‌governo brasileiro chamou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para Brasília. O gesto é considerado um dos mais duros no meio diplomático, reservado para momentos em que ‌se avalia que é uma crise com ‌outro país. O ⁠governo ⁠brasileiro tratou o discurso como uma afronta, afirmaram fontes de bastidores.

*Com informações da Reuters

Fonte: Portal Terra
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