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Universitário vende de estrume de gado a gás para pagar faculdade e leva botijão em formatura: ‘Nunca desisti’

Hélio Neto conciliava a faculdade com mais de dez horas de trabalho, tudo pelo sonho de se formar em Engenharia Civil

1 fev 2026 - 04h58
Resumo
Hélio Neto, jovem piauiense, usou a venda de gás e outros trabalhos para pagar a faculdade de Engenharia Civil e homenageou sua trajetória ao levar um botijão à formatura, inspirando com sua história de superação e determinação.
Jovem leva botijão de gás à formatura para homenagear trabalho que garantiu sua renda: 'Nunca desisti'
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Hélio Neto, de 23 anos, precisou se virar para conseguir bancar seus estudos. O sonho do jovem piauiense era se formar em Engenharia Civil. E foi vendendo gás, água, materiais reciclados e até estrume de gado que ele conquistou o diploma neste ano. O rapaz viralizou nas redes sociais entrando em sua formatura com um botijão. O gesto foi uma homenagem ao seu trabalho. 

Criado pelos avós e pelo tio, o rapaz começou muito novo, aos 15, mas foi só em 2019, aos 17, que ele decidiu vender gás. O tio vendeu uma moto e eles começaram o negócio juntos, com apenas cinco botijões. Morador de Brasileira (PI), o rapaz começou a fazer o tão sonhado curso em Piripiri, a cerca de 18 quilômetros de sua casa. 

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Estudante vende gás para pagar faculdade e leva botijão em formatura
Estudante vende gás para pagar faculdade e leva botijão em formatura
Foto: Arquivo pessoal

'Do zero'

“Passamos meses trabalhando só com gás e a gente viu que não estava dando de pagar todos os custos [da faculdade]. E, nisso, a gente começou a abrir outras empresas, como a da reciclagem, para comprar material reciclado, plástico, ferro velho, alumínio. Além disso, também abrimos a empresa de água, começamos a vender”, conta. 

Depois, eles passaram a vender estrume de gado e também a alugar as carrocinhas de material reciclado. Tudo isso para conseguir bancar os custos da faculdade, cuja mensalidade era R$ 650 no início do curso e chegou a mais de R$ 1 mil ao final. “O essencial foi o gás, que foi de onde eu comecei, do zero”, explica. 

Hélio Neto realizou o sonho de se formar engenheiro civil vencendo gás e estrume
Foto: Reprodução/eng.seu_helio_neto/Instagram

Rotina exaustiva

Ao longo dos anos, Hélio conciliou os estudos com as mais de dez horas de trabalho diário. Ele começava o expediente às 6h e parava somente perto das 17h, quando pegava um fretado para ir até a cidade vizinha, onde frequentava as aulas. 

A rotina era exaustiva, mas quase sempre ele arrumava um tempinho para estudar além das aulas durante a semana.

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“Quando eu chegava [em casa], tirava ali mais 40 minutos, uma hora para estudar, para ver os assuntos. Muitas vezes, nem estudava, porque estava cansado demais. A gente também precisa descansar para poder ter um bom rendimento”, aponta. Aos domingos, era sagrado tirar alguns momentos para colocar as matérias em dias.

Hélio Neto realizou o sonho de se formar engenheiro civil vencendo gás e estrume
Foto: Reprodução/eng.seu_helio_neto/Instagram

“Consegui pagar todas as despesas da faculdade. É uma história de superação, de muito trabalho, de muito esforço. Nunca desisti e estou aqui, engenheiro profissional. Já estou começando a fazer projetos, mexer com pré-moldados. Graças a Deus deu certo, com muita fé, muito esforço e determinação”, diz orgulhoso. 

No dia de sua formatura, ele decidiu prestar uma homenagem ao seu sustento. Levou um botijão de gás para a colação de grau e, ao anunciarem seu nome, desfilou levantando com o item para o alto. 

Fonte: Portal Terra
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