Hélio Neto, jovem piauiense, usou a venda de gás e outros trabalhos para pagar a faculdade de Engenharia Civil e homenageou sua trajetória ao levar um botijão à formatura, inspirando com sua história de superação e determinação.
Hélio Neto, de 23 anos, precisou se virar para conseguir bancar seus estudos. O sonho do jovem piauiense era se formar em Engenharia Civil. E foi vendendo gás, água, materiais reciclados e até estrume de gado que ele conquistou o diploma neste ano. O rapaz viralizou nas redes sociais entrando em sua formatura com um botijão. O gesto foi uma homenagem ao seu trabalho.
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Criado pelos avós e pelo tio, o rapaz começou muito novo, aos 15, mas foi só em 2019, aos 17, que ele decidiu vender gás. O tio vendeu uma moto e eles começaram o negócio juntos, com apenas cinco botijões. Morador de Brasileira (PI), o rapaz começou a fazer o tão sonhado curso em Piripiri, a cerca de 18 quilômetros de sua casa.
'Do zero'
“Passamos meses trabalhando só com gás e a gente viu que não estava dando de pagar todos os custos [da faculdade]. E, nisso, a gente começou a abrir outras empresas, como a da reciclagem, para comprar material reciclado, plástico, ferro velho, alumínio. Além disso, também abrimos a empresa de água, começamos a vender”, conta.
Depois, eles passaram a vender estrume de gado e também a alugar as carrocinhas de material reciclado. Tudo isso para conseguir bancar os custos da faculdade, cuja mensalidade era R$ 650 no início do curso e chegou a mais de R$ 1 mil ao final. “O essencial foi o gás, que foi de onde eu comecei, do zero”, explica.
Rotina exaustiva
Ao longo dos anos, Hélio conciliou os estudos com as mais de dez horas de trabalho diário. Ele começava o expediente às 6h e parava somente perto das 17h, quando pegava um fretado para ir até a cidade vizinha, onde frequentava as aulas.
A rotina era exaustiva, mas quase sempre ele arrumava um tempinho para estudar além das aulas durante a semana.
“Quando eu chegava [em casa], tirava ali mais 40 minutos, uma hora para estudar, para ver os assuntos. Muitas vezes, nem estudava, porque estava cansado demais. A gente também precisa descansar para poder ter um bom rendimento”, aponta. Aos domingos, era sagrado tirar alguns momentos para colocar as matérias em dias.
“Consegui pagar todas as despesas da faculdade. É uma história de superação, de muito trabalho, de muito esforço. Nunca desisti e estou aqui, engenheiro profissional. Já estou começando a fazer projetos, mexer com pré-moldados. Graças a Deus deu certo, com muita fé, muito esforço e determinação”, diz orgulhoso.
No dia de sua formatura, ele decidiu prestar uma homenagem ao seu sustento. Levou um botijão de gás para a colação de grau e, ao anunciarem seu nome, desfilou levantando com o item para o alto.