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Mesmo proibido, percentual de alunos que já experimentou cigarro eletrônico cresce mais de 70%

Todas as regiões do País registraram aumento, mas o Centro-Oeste apresentou um número maior

25 mar 2026 - 10h09
(atualizado às 10h44)
Mesmo proibido, percentual de alunos que já experimentou cigarro eletrônico cresce mais de 70%
Mesmo proibido, percentual de alunos que já experimentou cigarro eletrônico cresce mais de 70%
Foto: Freepik

O percentual de alunos de 13 a 17 anos que alguma vez já experimentou cigarro eletrônico ou outros dispositivos eletrônicos aumentou 76,2% em seis anos, aponta a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 25.

Segundo o levantamento, em 2024, 29,6% dos estudantes disseram que usaram cigarro eletrônico ou outros dispositivos, a exemplo de vape, pod, e-cigarrette, alguma vez na vida. Em 2019, a última vez que a pesquisa tinha sido feita, eram 16,8%.

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Todas as regiões do País registraram aumento. A região Centro-Oeste é a que apresentou o maior percentual em 2024, com 42%. No Nordeste, o percentual de adolescentes que já experimentou cigarro eletrônico duplicou: passou de 10,8% em 2019 para 22,5% em 2024.

Veja os percentuais de alunos de 13 a 17 anos que experimentou cigarro eletrônico ou outros dispositivos eletrônicos por região:

Brasil

  • 2019: 16,8% 
  • 2024: 29,6% 

Norte

  • 2019: 12,3% 
  • 2024: 21,5%

Nordeste

  • 2019: 10,8% 
  • 2024: 22,5%

Sudeste

  • 2019: 19,6%
  • 2024: 31%

Sul

  • 2019: 21%
  • 2024: 38,3%

Centro-Oeste

  • 2019: 23,7%
  • 2024: 42%

A PeNSE 2024 foi realizada pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio do Ministério da Educação, e é referência para o monitoramento de fatores de risco e proteção para a saúde dos adolescentes brasileiros. A pesquisa traz resultados representativos de alunos de 13 a 17 anos matriculados e com frequência regular em escolas públicas e privadas de todo o País -- ou seja, estudantes do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª séries do Ensino Médio (turnos matutino, vespertino e noturno). Em 2024, 150.385 alunos foram entrevistados, em 4.278 escolas de 1.282 municípios.

Proibido no Brasil

O cigarro eletrônico é proibido no Brasil desde 2009. A legislação proíbe a fabricação, importação, comercialização, propaganda e distribuição de todos os dispositivos eletrônicos para fumar. Essa proibição foi reforçada recentemente pela Resolução RDC nº 855/2024 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que também proíbe o uso em locais coletivos fechados, como escolas, cinemas, entre outros.

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Além disso, em conformidade com a Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para Controle do Tabaco, da qual o Brasil é signatário, o País ratifica a proibição do comércio de produtos derivados do tabaco aos menores de 18 anos.

De acordo com a Anvisa, o uso de cigarro eletrônico traz uma série de riscos à saúde, como doenças pulmonares, problemas cardiovasculares, exposição a substâncias tóxicas, dependência de nicotina, além de risco potencial de câncer, segundo a Sociedade Australiana de Oncologia Clínica. O descarte incorreto ainda causa a poluição do solo e da água.

Os dados da PeNSE indicam redução do uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024
Foto: Freepik

Uso de cigarro, álcool e outras drogas

Por outro lado, os dados da PeNSE indicam redução do uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024. Confira os principais resultados:

Álcool

  • Alunos que experimentaram bebida alcoólica alguma vez reduziu de 63,3% para 53,6%;
  • O consumo abusivo do álcool diminuiu no Brasil em 34,1% para os meninos e 26,9% para as meninas;
  • Em 2024, 17,7% dos meninos de 13 a 17 anos disseram que consumiram doses abusivas de bebida alcoólica, dentre aqueles que beberam nos 30 dias anteriores à pesquisa. Em 2019, eram 26,8%. No caso das meninas, o percentual caiu de 33% para 24,2%;
  • Em 2024, 29,3% dos estudantes tomaram a primeira dose de bebida alcoólica com 13 anos ou menos;
  • 35,5% dos estudantes responderam que conseguiram a bebida comprando em uma loja, apesar da proibição de venda para menores de 18 anos.

Cigarro

  • Experimentação do cigarro, expressa pelo percentual de escolares de 13 a 17 anos que fumaram cigarro alguma vez na vida, reduziu de 22,6% (2019) para 18,5% (2024);
  • A Região Sul, que era a de maior prevalência de experimentação do cigarro no País, foi a que apresentou a maior redução do indicador: caiu de 28,5% para 21,3%;
  • Em escola pública, o percentual de alunos que fumaram cigarro alguma vez reduziu de 23,7% para 19,8%; em escola privada, diminuiu de 15,7% para 11,5%;
  • Em 2024, 9,4% dos alunos fumaram cigarro pela primeira vez com 13 anos ou menos;
  • 36,4% dos escolares compraram cigarro em uma loja, bar, botequim, padaria ou banca de jornal.

Narguilê

  • Experimentação caiu de 26,9%, em 2019, para 16,4% em 2024 entre os adolescentes de 13 a 17 anos. 

Drogas ilícitas

A PeNSE 2024 investigou como sendo drogas ilícitas: maconha, haxixe, heroína, cocaína, crack, merla, pasta base, oxi, metanfetamina, GHB, ecstasy, LSD, DMT, MDMA, cogumelos alucinógenos, cola, loló, lança-perfume, skank, K9 e outras. 

  • Percentual de alunos que experimentaram drogas ilícitas alguma vez reduziu de 13% (2019) para 8,3% (2024);
  • A maior redução se deu entre os estudantes da rede privada, caindo de 11,4% para 5,7%. Já na pública, diminuiu de 13,3% para 8,7%;
  • O percentual de escolares de 13 a 17 anos que utilizaram drogas pela primeira vez, com 13 anos ou menos, foi de 2,7%, menor do que o apresentado em 2019, que foi de 4,3%.
Fonte: Portal Terra
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