Quase 30% dos estudantes brasileiros relatam ter sofrido bullying duas ou mais vezes na escola
Aparência do rosto ou do cabelo e a aparência do corpo são os principais motivos citados pelos alunos
Quase 30% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram ter sofrido bullying pelos colegas de escola duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) em 2024. A quinta edição do levantamento foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 25.
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Quando foi aplicada, a pesquisa perguntou ao estudante: "Nos últimos 30 dias, quantas vezes algum dos seus colegas de escola o esculachou, zoou, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você ficou magoado, incomodado, aborrecido, ofendido ou humilhado?". A PeNSE usa verbos conhecidos pelos alunos de diferentes regiões do País, e que significam "provocação". Para a análise, este conceito é definido como bullying.
De acordo com os dados, o percentual de estudantes que responderam ter sofrido duas vezes ou mais no mês anterior à pesquisa aumentou para 27,2%. Em 2019, quando tinha sido aplicada pela última vez, eram 23%. Os que disseram que sofreram bullying uma vez em 2024 foram 12,6%.
No período de 2019 a 2024, há uma leve redução dos que afirmaram não sofrer nenhuma humilhação por parte dos colegas, caindo de 60,5% para 59,7%.
"Os dados revelaram que, embora a maioria dos estudantes não relate ter sofrido bullying, uma parcela significativa enfrentava esse problema de forma repetida, o que pode gerar impactos negativos no desempenho escolar, na saúde mental e no bem-estar social", destaca o relatório da PeNSE.
Ainda segundo a pesquisa, 13,7% dos estudantes declararam ter praticado bullying nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa. Desse total, 16,5% dos meninos e 10,9% das meninas.
A PeNSE 2024 foi realizada pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio do Ministério da Educação, e é referência para o monitoramento de fatores de risco e proteção para a saúde dos adolescentes brasileiros. A pesquisa traz resultados representativos de alunos de 13 a 17 anos matriculados e com frequência regular em escolas públicas e privadas de todo o País -- ou seja, estudantes do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª séries do Ensino Médio (turnos matutino, vespertino e noturno). Em 2024, 150.385 alunos foram entrevistados, em 4.278 escolas de 1.282 municípios.
Bullying por sexo
- 62,7% dos meninos e 56,7% das meninas disseram não sofrer bullying em 2024;
- Meninas tiveram maior percentual na declaração de se sentirem humilhadas por provocações de colegas, duas vezes ou mais, com 30,1%; meninos foram 24,3%.
Bullying por região
- Sul: apresentou o maior percentual de estudantes que declararam não sofrer bullying (61,4%) e o menor percentual como vítimas frequentes (25,7%). "Isso pode indicar um ambiente escolar relativamente mais protetivo ou políticas escolares mais eficazes", diz a pesquisa;
- Sudeste: teve o maior percentual de alunos que afirmaram sofrer bullying duas ou mais vezes (28,1%), acima da média nacional (27,2%);
- Norte e Nordeste: tiveram percentuais pouco abaixo da média nacional, com 26,6% e 26,8%, respectivamente;
- Centro-Oeste: os percentuais se aproximaram da média nacional, com 27,6% dos estudantes relatando bullying recorrente e 59,2% afirmando nunca terem sofrido.
Bullying por escola
- Percentuais foram muito semelhantes na rede pública e na rede privada, mostrando que o bullying é um problema transversal, presente em ambos os contextos escolares;
- 59% dos alunos na rede pública e 59,2% na privada responderam não ter sofrido bullying;
- 27,2% dos estudantes nas escolas públicas e 27,5% nas privadas disseram serem vítimas de bullying.
Motivos por ter sofrido bullying
- Aparência do rosto ou do cabelo: 30,2%;
- Aparência do corpo: 24,7%;
- Cor ou raça: 10,6%;
- Uso de roupas, sapatos, mochila ou material escolar usado pelos estudantes: 10,1%;
- Sotaque ou jeito de falar: 8,9%;
- Religião: 7,1%
- Gênero ou orientação sexual: 6,4%;
- Deficiência do escolar: 2,6%;
- Não teve motivo: 26,3% -- indica um percentual alto de parte dos escolares que não consegue identificar uma causa específica para o bullying sofrido;
- Outros motivos: 36,3% -- continua com percentual elevado, sugerindo a existência de múltiplas causas não especificadas ou outras dificuldades. Em 2019, era de 60,7%.
Cyberbullying
O cyberbullying é uma forma de violência que ocorre por meios digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens, fóruns e jogos online, através de insultos, difamação, exclusão, divulgação de imagens ou mensagens ofensivas, entre outras.
Os dados de 2024 indicam que o bullying nas redes sociais atinge cerca de um em cada oito adolescentes no Brasil. Segundo a pesquisa, 12,7% dos alunos relataram ter sofrido bullying nas redes sociais, sendo as meninas (15,2%) mais afetadas do que meninos (10,3%). Os alunos da rede pública (13,4%) declararam sofrer bullying online mais do que os da rede privada (9,4%).
Ainda conforme a PeNSE, 10% dos estudantes afirmaram ter praticado bullying nas redes sociais.