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Um a cada três brasileiros estará inativo em 2040; estudo alerta para qualificação de jovens

Em 2025, existiam 45 pessoas inativas para trabalhar para cada 100 ativas; em 2070, a estimativa é de que esse número passe para 75 pessoas

23 mar 2026 - 04h58
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Estudo aponta que um a cada três brasileiros estará fora da população ativa em 2040 e alerta para qualificação de jovens 
Estudo aponta que um a cada três brasileiros estará fora da população ativa em 2040 e alerta para qualificação de jovens
Foto: Freepik

Um a cada três brasileiros estará fora da faixa etária economicamente ativa em 2040, que abrange pessoas de 15 a 64 anos, devido ao envelhecimento populacional, aponta o estudo inédito "(Re)qualificação da juventude em um mundo em transformação", do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Arymax, elaborado pelo Instituto Veredas e divulgado nesta semana.

O levantamento mostra que, em 2025, existiam 45 pessoas inativas para trabalhar -- menores de 15 anos e maiores de 65 anos -- para cada 100 ativas. Em 2050, a estimativa é que esse número passe para 58 e, em 2070, para 75 pessoas inativas.

Segundo o estudo, esse envelhecimento populacional vai exigir maior produtividade das juventudes para sustentar a crescente demanda por cuidado -- para crianças e idosos --. Além disso, os dados alertam para a urgência de qualificação e requalificação profissional desses jovens para que o País não fique para trás no seu desenvolvimento socioeconômico.

Ainda conforme o levantamento, como o bônus demográfico já está ficando para trás, se o Brasil não investir desde agora no desenvolvimento de competências e na inserção produtiva digna de jovens, a força de trabalho do futuro estará muito comprometida.

"Essa curva demográfica já vem se invertendo há alguns anos. Agora, a gente nesse ponto, é determinante investir na qualificação dessa juventude para que, quando esta for a força de trabalho brasileira, a gente consiga perpetuar o desenvolvimento econômico do País, para que as famílias continuem tendo uma vida digna, autônoma, conquistem o que elas precisam para ter uma vida próspera", diz Natália Di Ciero Leme Quadros, gerente de Programas e Parcerias da Fundação Arymax

"Portanto, o investimento na qualificação dessas juventudes para que eles consigam acessar o mercado de trabalho e progredir nas suas carreiras e nas suas vidas é crucial e a gente está num momento limite para isso. É esse o alerta que o estudo trás", acrescenta Natália ao Terra.

O estudo também lembra que as novas tecnologias e os desafios da questão ambiental já estão impactando de forma significativa o mundo do trabalho e as trajetórias de formação profissional. Esses são outros aspectos que demandam promoção da digitalização e incorporação de práticas sustentáveis no setor produtivo associadas ao desenvolvimento de competências profissionais para quem integra e quem integrará o mercado de trabalho. 

Em 2025, existiam 45 pessoas inativas para trabalhar para cada 100 ativas; em 2070, a estimativa é de que esse número passe para 75 pessoas
Em 2025, existiam 45 pessoas inativas para trabalhar para cada 100 ativas; em 2070, a estimativa é de que esse número passe para 75 pessoas
Foto: Freepik

Mas como qualificar as juventudes hoje?

O estudo revisou mais de 200 documentos nacionais e internacionais, entrevistas, grupos focais e oficinas com 40 participantes, entre eles jovens, gestores públicos, especialistas e representantes do setor produtivo, durante um período de seis meses em 2025, e traçou uma série de recomendações e ações de como alinhar os programas atuais de qualificação e requalificação em cinco eixos que são mais críticos atualmente. São os seguintes:

1 - Ajustar os programas

O primeiro eixo é ajustar os programas de qualificação profissional ao perfil do público-alvo. "Quem é esse jovem que está fazendo essa formação? A gente tem diversos formatos de formação possíveis: tem curso de mais curta duração, curso técnico profissionalizante, ensino superior. Para cada um desses, a gente tem perfis de jovens que acessam e isso tem que ser levado em conta na hora de formular esses cursos", explica a gerente.

2 - Oferecer programas de excelência

O segundo eixo é oferecer programas de qualificação profissional de excelência. "Pensando nas habilidades que têm que ser desenvolvidas e como esse jovem vai acessar essas habilidades e conseguir depois aplicar na sua vida profissional", afirma Natália.

3 - Melhorar conexão entre programas e estratégias

O terceiro eixo é melhorar a conexão entre os programas de qualificação profissional e estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo. "A gente percebe que se o programa é muito desconectado da vocação econômica daquela região, daquele local, ele causa frustração, porque o jovem entra, se qualifica naquilo e depois não consegue trabalhar naquela área. Então, como a gente conecta a demanda desses programas de qualificação com a matriz curricular em si? Vamos gerar a integração entre as diferentes formações, olhando aí para uma verticalização das matrizes de aprendizagem e possibilitando a requalificação", detalha a especialista.

"A gente vive uma era de muitas transformações, então é superimportante pensar nessa requalificação para que o jovem e, depois quando não for mais jovem, não saia do mercado de trabalho. Ele continue se desenvolvendo e acompanhando as suas mudanças", completa. 

4 - Integração entre as diferentes formações

O quarto eixo é melhorar a integração entre as diferentes formações, favorecendo a verticalização e a requalificação. É pensar "como que a gente faz esses itinerários formativos verticalizados, com certificações modulares, reconhecendo as competências que já foram desenvolvidas e permitindo que esses jovens avancem e consigam acumular conhecimento ao longo do percurso, e não que só acumulem cursos, mas que esses cursos sejam complementares uns aos outros", pontua Natália.

5 - Fortalecer a governança dos programas

O quinto e último eixo é fortalecer a governança dos programas e sua orientação a resultados. "Como que a gente tem cada vez mais os setores trabalhando em conjunto? Percebemos muito que os cursos que têm diálogo com o setor produtivo têm muito mais sucesso de incluir produtivamente esse jovem do que os cursos que não têm. Então, quando a gente olha essas governanças da qualificação, como a gente consegue ter instâncias colaborativas com a participação da juventude, mostrando o que esse jovem quer e dando voz a ele, mas também tendo o governo, o setor produtivo e organizações formadoras privadas ou do terceiro setor dialogando para a construção desses currículos", finaliza.

Fonte: Portal Terra
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