Cuiabá -Dois estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, suspeitos de envolvimento na criação e circulação de uma lista que classificava alunas da instituição como "estupráveis", foram afastados preventivamente enquanto o caso segue sob investigação administrativa e policial.
As investigações do caso, que ficou conhecido como "lista das estupráveis", estão sendo conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM). As vítimas e testemunhas já foram ouvidas. Segundo a polícia civil, os suspeitos serão ouvidos após "a conclusão das diligências pendentes, que dependem de autorização judicial". A polícia também investiga a possível participação de outros estudantes na elaboração e divulgação da lista.
Em outro desdobramento, um policial federal passou a ser investigado após denúncias de que teria intimidado estudantes ligados à revelação do episódio. Ele seria pai do estudante de Engenharia Civil.
A Polícia Civil não informou os nomes dos envolvidos no caso. Por este motivo, a reportagem não conseguiu contato com os advogados dos alunos e com a defesa do policial federal que está sendo investigado.
Em nota, a UFMT informou que "câmeras de segurança registraram e estudantes denunciaram que um homem abordou um aluno do curso de Engenharia Civil em tom ameaçador, afirmando que 'se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam'".
Nesse caso, as investigações estão sendo conduzidas pela 3ª Delegacia da Polícia Civil. O policial federal já foi intimado, mas ainda não compareceu à unidade policial.
Desdobramentos no curso de Engenharia Civil
Diante do receio de novas manifestações de violência, como medida preventiva, o Colegiado do Curso de Engenharia Civil decidiu que as aulas teóricas das turmas do 1º semestre do curso, no campus Cuiabá, "serão ministradas remotamente por tempo indeterminado, até que sejam devidamente apurados os desdobramentos relacionados ao caso em investigação".
A UFMT informou ainda que foi concedido ao estudante de Engenharia Civil "o regime de educação domiciliar, ficando vedada sua presença nas dependências da universidade, bem como o contato com possíveis testemunhas no decorrer do procedimento".
Além de orientar e acompanhar os procedimentos, a UFMT, pediu reforço na segurança junto à Polícia Militar e ao serviço de segurança interna da instituição.