Durante palestra nesta quinta-feira, 14, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, promovido pelo Estadão e Base Eventos, o presidente do Insper, Guilherme Martins, avaliou que o Brasil falha em preparar estudantes para o mercado de trabalho.
"As instituições de ensino são orientadas a propósitos que não à formação, seja numa universidade pública, às vezes muito ensimesmada, seja numa universidade particular, com o propósito da mensalidade", refletiu Martins no painel O Brasil está formando as pessoas certas para a era da IA ou formando bem para um mundo que não existe mais?, do qual participou, ainda, Iona Szkurnik, fundadora e CEO da Education Journey.
Para ele, há um "gap" entre a academia — "ainda orientada por uma lógica do passado" — e o mercado. Martins afirma que o "conteúdo básico virou commodity" e que o verdadeiro diferencial hoje é a capacidade de resolver problemas da sociedade e das empresas. Ele defende que o aprendizado deve ser orientado para a resolução desses desafios reais.
O efeito de as universidades não prepararem os alunos para essa realidade, diz o executivo, "é que as empresas acabam internalizando esse treinamento". Isso, ele continua, faz com que as companhias priorizem contratar estudantes do primeiro ano para estágio para formá-los desde o início.
"Eles pensam: 'tenho que formar dentro da minha empresa, porque eu não consigo pegar alguém pronto no mercado'. Muitas grandes empresas, inclusive, começam a oferecer graduação, como a XP e o BTG." Martins afirma que esses são sintomas de "uma falha no sistema educacional".
São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week segue até esta sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.