Estudantes que fizeram "ranking" sexual com fotos de alunas em colégio no Rio Grande do Sul. Mensagens sobre "meninas estupráveis" em escola em São Paulo. Criança de 12 anos estuprada por homem de 35. Casos como esses têm se tornado mais frequentes nos últimos anos. Segundo a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), um a cada cinco alunos brasileiros de 13 a 17 anos afirma já ter passado por episódio de assédio sexual. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Os dados mostram que, em 2024, 18,5% dos estudantes informaram que alguma vez na vida alguém o tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade. Em comparação com 2019, quando a pesquisa tinha sido aplicada pela última vez, houve aumento de 3,8 pontos percentuais.
Esse tipo de violência foi mais relatado pelas meninas: 26% disseram que já passaram por assédio sexual. O percentual é mais do que o dobro registrado pelos meninos, que foi 10,9%.
Os números em escolas públicas e privadas são semelhantes, com 18,6% e 18% de relatos, respectivamente. O estado do Amapá foi o que teve o maior percentual de alunos que já sofreram essa violência, com 26,3%.
Nos casos de assédio sexual, a maioria dos agressores foram identicados pelos estudantes como sendo: outra pessoa (24,6%), outros familiares (24,4%) e pessoa desconhecida (24,0%). As opções namorado(a) e amigo(a) foram citadas por 21,2% e 20,4% dos alunos.
Relações sexuais forçadas
Além do crescimento do assédio sexual, o levantamento aponta aumento dos casos de alunos que foram obrigados a terem relações sexuais contra a vontade deles.
- Em 2024, 8,8% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram ter sido obrigados a terem relações sexuais, aumento de 2,5 pontos percentuais em relação a 2019;
- Dentre os 1,1 milhão de adolescentes que foram forçados a terem relações sexuais contra a vontade, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos de idade quando sofreu a violência;
- As meninas e estudantes da rede pública foram os que mais sofreram essa violência: 11,7% e 9,3%, respectivamente;
- Maior prevalência dessa violência sexual foi registrada na Região Norte (11,7%);
- 26,6% dos estudantes disseram que sofreram esse tipo de violência de outros membros da família. Em seguida, aparece pessoa desconhecida, com 23,2%. O namorado (a) foi apontado como agressor por 22,6%.
A PeNSE 2024 foi realizada pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio do Ministério da Educação, e é referência para o monitoramento de fatores de risco e proteção para a saúde dos adolescentes brasileiros.
A pesquisa traz resultados representativos de alunos de 13 a 17 anos matriculados e com frequência regular em escolas públicas e privadas de todo o País -- ou seja, estudantes do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª séries do Ensino Médio (turnos matutino, vespertino e noturno). Em 2024, 150.385 alunos foram entrevistados, em 4.278 escolas de 1.282 municípios.