O desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre até agosto, o menor patamar para o período desde 2012, somando 103,5 milhões de pessoas ocupadas, impulsionadas pela indústria e pela construção civil. Em contraste com a melhora no mercado de trabalho, o Banco Central revelou que a inadimplência média bateu recorde histórico de 5% no mesmo mês, puxada pelos atrasos de pagamentos de pessoas físicas, que atingiram o índice inédito de 6%, refletindo o alto endividamento da população.
Taxa de desemprego tem o menor nível para o trimestre até agosto desde 2012, atingindo 5,3%. Por outro lado, inadimplência da população chega ao maior índice detectado pelo BC desde o início da série histórica, em 2011.O índice de desemprego no Brasil no trimestre encerrado em agosto ficou em 5,3% da população economicamente ativa, o patamar mais baixo para o período desde 2012, quando o indicador passou a ser medido pelo método atual, informou nesta terça-feira (29/9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eram 5,8 milhões de pessoas desocupadas no período, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
De acordo com os dados, o desemprego vem caindo de forma sustentada desde o trimestre encerrado em março, quando ficou em 6,1%. No trimestre encerrado em julho, ele também havia ficado em 5,3%. Além disso, os números mostram que o índice reduziu 0,3 ponto percentual tanto na comparação com o trimestre encerrado em maio quanto em relação ao mesmo período de 2025, quando ficou em 5,6%.
Já a população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, um aumento de 0,8% e o maior nível registrado desde o início da série histórica, em 2012. Na comparação anual, o número de pessoas ocupadas cresceu 1%.
Indústria e construção civil criaram mais empregos
A informalidade, por sua vez, atingiu 38,8 milhões de trabalhadores no período, o equivalente a 37,5% da população ocupada, e permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior, quando estava em 37,3%. Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve uma redução de 0,5 ponto percentual.
Ainda segundo os dados do IBGE, a indústria e a construção civil são os principais setores na criação de empregos, com o número de ocupados crescendo 2% e 4,1%, respectivamente, na comparação com o trimestre encerrado em maio.
A população desalentada, formada por pessoas que sequer procuraram trabalho no período, somou 2,4 milhões até agosto, estável em relação ao trimestre anterior e 11,9% menor (menos 317 mil) em relação ao mesmo período de 2025.
A Pnad Contínua também mostra que o rendimento mensal médio do trabalhador ficou em R$ 3.777. No trimestre até maio era R$ 3.752. O maior já registrado foi R$ 3.804, no primeiro trimestre de 2026.
O menor desemprego já registrado pela pesquisa do IBGE foi 5,1%, no último trimestre de 2025. Já a maior taxa constatada foi 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de Covid-19.
Endividamento também bate recorde
Por outro lado, o Banco Central (BC) divulgou, também nesta terça-feira, que o nível de endividamento no país bateu recorde em agosto, com a taxa de inadimplência média total registrada pelos bancos em operações de crédito passando de 4,9% em julho para 5% no mês seguinte. É o maior índice registrado pelo BC desde o início da série histórica, em 2011. O dado considera pagamentos com atraso acima de 90 dias.
Entre pessoas físicas, os atrasos no pagamento de operações de crédito chegaram a 6% em agosto, maior nível desde o início do processamento dos dados pelo Banco Central. Já entre empresas, a taxa está em 3,4%, a maior desde outubro de 2017.
fcl/md (Agência Brasil, EFE, AFP, ots)
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