Um caminhão Mercedes-Benz abastecido com biocombustível desenvolvido pela brasileira Be8 está em exibição na Hannover Messe 2026, conhecida como uma das maiores feiras de tecnologia industrial e inovação do mundo, realizada entre 20 e 24 de abril na Alemanha. O veículo, descrito como um Actros europeu, foi testado no campo de provas da Daimler Truck em Wörth e apresentou desempenho equivalente ao diesel em avaliações de potência, torque e aceleração, segundo a empresa.
A apresentação ocorre meses após o mesmo combustível ter sido usado no Brasil, no contexto da COP30, em um caminhão Actros Evolution 2553 6x2, que percorreu mais de 4 mil quilômetros em testes de rodagem. O modelo exibido na Alemanha não é o mesmo utilizado na ação brasileira, mas utiliza o mesmo biocombustível desenvolvido no País.
Nos testes realizados na Europa, o caminhão foi submetido a ensaios técnicos que incluíram avaliações de motor em bancada, testes em dinamômetro e análises de dirigibilidade em pista. De acordo com a empresa, os resultados confirmam a viabilidade do combustível como alternativa para o transporte pesado.
O produto foi desenvolvido para substituir integralmente o diesel fóssil sem necessidade de adaptações em motores, veículos ou infraestrutura de abastecimento. Esse tipo de solução, conhecido como "drop-in", é visto como uma alternativa de aplicação mais imediata em comparação com tecnologias como eletrificação e hidrogênio, que ainda enfrentam desafios de custo e escala.
Segundo a empresa, o uso do combustível pode reduzir em cerca de 99% as emissões de CO2 equivalente no conceito "tanque à roda", em relação ao diesel convencional.
A exibição do caminhão ocorre em meio ao esforço do Brasil para ampliar sua presença no mercado europeu de energia e transporte de baixo carbono. Considerada a maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe reúne empresas e governos para apresentar soluções em áreas como automação, digitalização e energia. Em 2026, o Brasil é o país parceiro do evento.
A estratégia da empresa inclui a entrada no mercado europeu por meio de sua unidade na Suíça e a realização de testes em condições reais de operação, com foco em aplicações que não exigem mudanças estruturais na frota.