A empresa britânica Tropic utilizou edição genética CRISPR para criar uma banana que demora até dois dias a mais para escurecer após ser cortada, sem alterar seu sabor ou textura. Ao reduzir a enzima responsável pela oxidação, a inovação visa combater o desperdício de alimentos e reduzir emissões de CO2. Já aprovada para venda no Brasil, Japão e Filipinas, a fruta agora avança nas etapas regulatórias para chegar às prateleiras do Reino Unido.
Desenvolvida por firma britânica de biotecnologia agrícola, fruta demora mais para escurecer, o que pode evitar desperdícios. Segundo empresa, produto já foi aprovado para venda no Brasil, Japão e Filipinas.As bananas abertas ou cortadas costumam escurecer rapidamente devido à exposição ao oxigênio. Um grupo de cientistas, porém, modificou a fruta para que ela mantenha a cor que apresenta quando acaba de ser aberta.
A empresa britânica de biotecnologia agrícola Tropic desenvolveu essa variedade e afirma que ela tem o mesmo sabor e a mesma textura, mas, depois de aberta, permanece "fresca, amarela e apetitosa por muito tempo após ser descascada e cortada em rodelas".
Em declarações reproduzidas pelo jornal The Guardian, Gilad Gershon, diretor-executivo da Tropic, afirmou que a polpa da banana resiste pelo menos um ou dois dias a mais sem escurecer, e por um período ainda maior se for mantida sob refrigeração.
A tecnologia por trás do freio à oxidação
O escurecimento da fruta é causado por uma enzima chamada polifenol oxidase (PPO), presente em diversas frutas e vegetais, que é ativada ao entrar em contato com o oxigênio do ar.
Para evitar esse processo, os cientistas da Tropic utilizaram a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9. Com esse método, conseguiram reduzir drasticamente a produção da enzima PPO sem a necessidade de introduzir DNA de outras espécies não relacionadas, uma técnica que também já foi testada com sucesso em alimentos como cogumelos, morangos e tomates.
Solução contra o desperdício
A inovação busca facilitar a inclusão de bananas em produtos pré-embalados, como saladas de frutas e refeições para o café da manhã, além de reduzir o enorme volume de produção que acaba descartado apenas por apresentar aparência de maior amadurecimento.
Um estudo do governo britânico de 2017 revelou que, diariamente, 1,4 milhão de bananas próprias para consumo eram jogadas no lixo no país. O levantamento mostrou que 30% dos consumidores descartavam a fruta ao identificar pequenos amassados ou manchas pretas e marrons.
Além do impacto econômico direto, a Tropic afirma que essa variedade "poderia contribuir para uma redução anual de mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO₂ somente no mercado de exportação de bananas".
Marco regulatório e controles
No campo regulatório, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra, na sigla em inglês) aprovou a notificação de comercialização ao concluir que a banana é uma "variedade melhorada com precisão", requisito fundamental para sua distribuição sob a legislação de plantas geneticamente editadas que entrou em vigor na Inglaterra em novembro de 2025.
Um porta-voz do Defra afirmou que "o melhoramento genético de precisão oferece enorme potencial para fortalecer a segurança alimentar, reduzir o uso de pesticidas, aumentar a produtividade das lavouras e melhorar a resistência a doenças".
Última etapa antes do supermercado
Apesar desse aval, ainda falta algum tempo para que o produto possa ser encontrado nas prateleiras dos supermercados, ao menos no Reino Unido. A banana deverá passar pela avaliação da Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido, um processo de autorização para comercialização.
O porta-voz do Defra acrescentou que essa banana representa "um excelente exemplo de como a inovação pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos e melhorar a sustentabilidade do nosso sistema alimentar, ao mesmo tempo em que mantém nossos padrões de referência mundial".
Avanços internacionais e reconhecimento científico
Enquanto aguarda a aprovação definitiva no Reino Unido, a inovação da Tropic acumula apoios em outras partes do mundo. Gershon confirmou que a empresa já obteve autorizações para comercializar o produto no Brasil, no Japão e nas Filipinas.
A aprovação no Brasil é considerada estratégica, já que o país está entre os maiores produtores e consumidores de bananas do mundo. O impacto desse desenvolvimento científico também ultrapassou o setor agrícola: a revista Time classificou a banana que não oxida como um importante avanço e uma das melhores invenções do ano.
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