A decisão de Luiza Inácio Lula da Silva (PL) de não comparecer ao debate da Globo nesta quinta-feira, 1º, pode ser interpretada a partir da posição do petista na disputa. Os especialistas apontam que candidatos que lideram pesquisas, especialmente presidentes que tentam a reeleição, historicamente podem ter menos incentivos para participar de embates quando o risco de exposição supera os possíveis ganhos.
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Essa escolha, para Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, está relacionada ao grau de definição do eleitorado. De acordo com a pesquisa BTG/Nexus, de 28 de setembro, 87% dos eleitores brasileiros declaram que a sua decisão de voto para presidente já está tomada, sendo que 92% dos eleitores de Lula e 91% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) afirmam que votarão nos respectivos candidatos de qualquer maneira.
Neste contexto, o especialista avalia que um desempenho ruim poderia ter mais consequências do que uma boa participação teria capacidade de produzir ganhos.
A ausência está dentro de uma estratégia já conhecida em campanhas de candidatos que lideram as pesquisas, reforça Lucas Massimo, coordenador do Bacharelado em Ciência Política da Uninter. Ele cita como exemplo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não participou dos debates presidenciais nos anos 1990.
Para Luciana Veiga, cientista política e professora da FGV, porém, deixar de participar pode significar abrir mão de oportunidades que o debate oferece, como apresentar propostas, responder adversários e esclarecer questionamentos sem edição.
“Para Lula, ir ao debate dá a oportunidade de se apresentar diretamente ao eleitor, sem edições, esclarecer temas e comportamentos em tempo real e responder aos questionamentos dos adversários. Ao não ir, evita os riscos de um desempenho que sua equipe possa considerar desfavorável, mas também abre mão desse espaço de confronto e fica sujeito às interpretações sobre sua ausência”, explicou.
Apesar de não ir ao debate, o presidente confirmou que participará do Flow Podcast nesta quinta-feira, 1º. A entrevista está prevista para começar às 20h45. Com isso, o programa terá o ínicio transmitido antes do debate da Globo, marcado para as 21h30, após o Jornal Nacional, e a conversa poderá se estender durante o confronto entre os presidenciáveis. Durante o podcast, sem dividir o tempo com os demais candidatos, o petista terá espaço para expor seus argumentos diretamente aos eleitores. Com a decisão, Lula encerrará a primeira etapa da disputa pelo Palácio do Planalto sem ter participado de debates com os demais candidatos à Presidência.
Último confronto antes do primeiro turno
O debate da Globo ocorre às vésperas do primeiro turno e, por isso, os especialistas avaliam que o efeito de uma participação ou ausência pode depender menos da mudança de posições já consolidadas e mais da capacidade de cada candidato de produzir uma imagem ou mensagem que repercuta nos últimos dias de campanha.
“É impossível prever se vai ou não fazer a diferença, porque a gente tem que lembrar, como eu disse, o debate hoje tem um primeiro momento que é no palco e na hora do debate, mas tem um segundo momento que são os cortes que são feitos para alimentar as campanhas e com isso, efetivamente, gerar pontos positivos ou pontos de desgaste para as candidaturas", destacou Prando.
Com a ausência no debate, o presidente confirmou que participará do Flow Podcast nesta quinta-feira. A entrevista está prevista para começar às 20h45, antes do debate da Globo, marcado para as 21h30, após o Jornal Nacional. A conversa poderá se estender durante o confronto entre os presidenciáveis.
No podcast, sem dividir o tempo com os demais candidatos, o petista terá espaço para expor seus argumentos diretamente aos eleitores. Lula, assim, encerrará a primeira etapa da disputa pelo Palácio do Planalto sem ter participado de debates com os demais candidatos à Presidência.
Quem vai ao debate da Globo?
Inicialmente, a Globo havia convidado apenas Lula, Flávio, Caiado e Cury. O critério adotado pela emissora foi o convite obrigatório aos candidatos de partidos ou federações que elegeram ao menos cinco parlamentares em 2022, com a possibilidade de incluir outros nomes em caso de ausência.
Zema, por sua vez, foi incluído na lista de participantes por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, nesta terça-feira, 29. A determinação atendeu a um pedido do Diretório Nacional do Novo, que alegou falta de convite ao candidato à Presidência e argumentou que possui cinco deputados federais em exercício: três eleitos pela legenda em 2022 e outros dois que se filiaram posteriormente.