Renata Vasconcellos não noticiou que Trump teria ameaçado prender Lula; vídeo foi gerado por IA

GRAVAÇÃO QUE CIRCULA NO TIKTOK INVENTA QUE PRESIDENTE BRASILEIRO ESTARIA ENVOLVIDO EM ESQUEMA DE ENVIO DE URÂNIO AO IRÃ; NA REALIDADE, NÃO HÁ REGISTRO DE EXPORTAÇÃO DO MATERIAL RADIOATIVO AO PAÍS

21 jul 2025 - 17h02

O que estão compartilhando: vídeo em que a apresentadora do Jornal Nacional Renata Vasconcellos parece noticiar que o presidente norte-americano, Donald Trump, teria ameaçado prender o presidente do Brasil por traição internacional. Segundo a gravação, Trump teria acusado Lula de envolvimento em um esquema secreto de envio de urânio ao Irã.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Não há registro de que o presidente dos Estados Unidos tenha ameaçado prender Lula. O conteúdo verificado usa inteligência artificial para manipular a voz de Renata e atribuir falsas declarações a Trump. Como mostrou o Verifica, não há registro de que o Brasil tenha fornecido urânio ao Irã. A Constituição proíbe a exploração de urânio para fins bélicos e o País é signatário de tratados internacionais de não proliferação nuclear.

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Saiba mais: publicado no TikTok, a gravação manipulada foi submetida à ferramenta Hive Moderation, que indicou 99,9% de probabilidade de o vídeo conter material gerado por IA ou deepfake. Indícios de que a imagem não é autêntica podem ser percebidos ao assistir o conteúdo. Um dos sinais é o movimento da boca de Renata, que embora sincronizado com a fala, apresenta aparência artificial. Outro indício é a fisionomia da apresentadora, que aparece alterada: o rosto tem contornos borrados e traços diferentes dos reais, o que reforça as evidências de manipulação digital.

Alegações falsas de que o Brasil teria fornecido urânio para a fabricação de armas nucleares no Irã fazem parte de uma campanha de desinformação que se espalhou nas redes sociais ao ser compartilhada por figuras públicas. O boato ganhou força durante o conflito entre Israel e Irã, que aconteceu no mês passado e se estendeu por 12 dias.

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Conforme mostrou o Verifica em checagem recente (aqui), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pelo programa nuclear brasileiro, afirmou à reportagem que nunca houve exportação de urânio para o Irã. A empresa pública Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que explora o material no País, também negou que o Irã seja um de seus clientes.

No Brasil, a produção e comercialização de urânio são monopólios da União, exercido pelas INB e fiscalizado pela CNEN. A Constituição Federal determina que as atividades nucleares serão admitidas apenas para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso. No território nacional, o material é usado principalmente na produção de energia.

Além disso, o País é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) desde 1998. O acordo internacional determina que o desenvolvimento e pesquisa nuclear é exclusiva para fins pacíficos, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Por esse motivo, o Brasil não poderia vender o material para que o Irã produzisse bombas atômicas.

A legislação brasileira também restringe a exportação, por qualquer forma, de urânio, "salvo de governo para governo, ouvidos os órgãos competentes". A lei nº 4.118/196 criminaliza a exportação clandestina de materiais nucleares.

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